Cáritas Brasileira lança no Cristo Redentor Campanha Mundial sobre imigração e refúgio

A partir da aprovação na Assembleia Geral de 2015, a Cáritas Internacional passou a realizar uma campanha de mobilização mundial a cada quatro anos. Após a escuta de toda a rede mundial da Cáritas, e um olhar dirigido às principais feridas da humanidade hoje, desta vez a temática escolhida foi a questão dos imigrantes e refugiados.
O lançamento da campanha global Compartilhe a Viagem vai acontecer na quarta-feira, 27 de Setembro de 2017.
Durante os dois anos desta campanha (2017-2019) toda a Rede Cáritas é chamada a responder ao apelo do Papa Francisco abraçando a “cultura do encontro” e fazendo uma proposta positiva diante da realidade atual na vida de imigrantes e refugiados.
Neste sentido, a Cáritas assume de forma ainda mais comprometida a sua identidade como uma família mundial, que encoraja as pessoas a refletir, aproximando imigrantes, refugiados e comunidades com o objetivo de mudar corações e mentalidades.
Este guia de ação da campanha ajudará todas as organizações membro da Cáritas a implementar as suas campanhas a nível local. É uma ferramenta que deve ser usada para promover a solidariedade global com imigrantes e refugiados. Só com a mobilização efetiva e corajosa de toda a Rede Cáritas, a campanha de fato terá um impacto positivo.
 Caritas
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CAPUCHINHOS GAÚCHOS EMITEM NOTA SOBRE ATUAL REALIDADE BRASILEIRA

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Durante o 24º Capítulo Provnicial, os mais de 170  Capuchinhos emitem nota sobre a realidade política e econômica do Brasil, e reiteram compromisso  com a justiça, democracia, e denunciam o desmonte do Estado. Veja a nota na íntegra.

CARTA ABERTA DOS FREIS CAPUCHINHOS DO RIO GRANDE DO SUL

“PRATICAI O DIREITO E A JUSTIÇA” (Pv 21,3)

Nós, Freis Capuchinhos do Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Rondônia e Haiti, reunidos de 4 a 8 de setembro, em Garibaldi, para a Assembleia eletiva trienal, na semana da pátria, preocupados com a atual situação política, econômica e social brasileira, sensíveis ao clamor dos vulneráveis, consideramos:

1º O pesado fardo imposto aos vulneráveis, através de reformas que beneficiam os ricos e que fazem crescer o número dos pobres, clama aos céus.

2º Por detrás da corrupção revelada, diariamente, justificam-se medidas que impõem fome aos trabalhadores;

3º. Causa-nos apreensão o desmonte/privatização do Estado como cortina de fumaça para justificar o enriquecimento de minorias abastadas.

4º Povo Brasileiro é hora de somarmos forças com as organizações da sociedade civil, porque é delas que podemos esperar mudanças substanciosas que contemplem os anseios populares.

Ordem é o povo não passar fome. Progresso é o povo feliz!

Maior é o que serve. Perde a autoridade quem impõe pesados fardos ao povo, buscando privilégios à custa da fome e da necessidade do bom povo brasileiro.

Povo brasileiro, nossa dignidade será preservada se formos à rua de forma pacifica e organizada, para dizer “quem não vive para servir, não serve para viver”.

Que a Mãe Aparecida, padroeira do Brasil, ilumine o povo

Brasileiro, para que preserve nossos direitos de vida e dignidade.

Senhor, ouvi-nos e atendei-nos!

Frades Menores Capuchinhos do Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Rondônia e Haiti

 

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Para se ter uma noção de como parte do país reage à perseguição à Lula:

“Hoje, pela primeira vez, um sinal triste de alerta acendeu em minha vida. Não foi um sinal de um problema de saúde e nem foi o sinal de algo ruim com as pessoas que eu amo. Foi um sinal de decepção e talvez, asco, com as pessoas e instituições do meu país.

Desde pequeno, sempre tive uma noção muito clara de como as relações humanas são viciadas de falsidade, inveja e preconceito. Tinha uma sensibilidade muito grande em reconhecer o lado bom e ruim de cada um e em perceber injustiças, mas sempre acreditei no poder dos bons sentimentos e da evolução consciente. Principalmente, a de que a sapiência não vem apenas do “conhecer as coisas”, e sim do conhecer-te a ti mesmo. O sábio, para mim, sempre foi sinônimo de humildade, respeito e da noção de que a verdade absoluta não nos pertence.

Mas hoje, me senti sinceramente frágil. Tive uma triste sensação de raiva e desalento com o clima negativo que vivemos em nosso país. Por isso, parei um pouco para refletir…

Todo mundo que me conhece sabe que sempre defendi a ética e a imparcialidade na análise de fatos e principalmente de pessoas. Sempre fiz opção por defender os acertos do que apontar os erros, principalmente porque sempre tive a noção que julgar o próximo é uma das tarefas mais difíceis do ser humano, o que deve sempre ser evitado. Por isso, nunca gostei de perseguições, preconceitos e generalizações. Frequentemente, exponho, nas redes sociais, minhas posições de defender o ex presidente Lula, a presidenta Dilma e os méritos de seus governos, mas sempre fui aberto ao debate. Minhas críticas não buscam a sordidez de desmerecer as pessoas, mas de questionar a imparcialidade e perseguição da Imprensa e também a hipocrisia e a argumentação pobre do debate político no Brasil. O que mais me impressiona é como a maioria das pessoas ,que geralmente propagam o ódio, se deixam conduzir (ou manipular) pela virulência e parcialidade das notícias que são bombardeadas na Imprensa e nas redes sociais.

Essa ano, mesmo com uma série de provas vivas de malas de dinheiro do PMDB e do PSDB, com uma escancarada comprovação da manipulação de delações pelo Sr. Moro(caso Tacla Duran), MP e o procurador Janot, e uma série de suspeitas levantadas contra o Sr. Gilmar Mendes, o Senador Aécio, Serra, Alckmin, Temer, Jucá, Geddel, Loures, Padilha,procuradores e outros, com a maioria das suspeitas comprovadas com provas materiais (gravações, vídeos, contas nominais), o foco NOVAMENTE se voltou contra LULA.

O Revoltante é que as denúncias voltam a ser requentadas sem que nenhuma prova material seja apresentada, uma vez que as delações não trazem nenhum dado concreto de contas em nome de Lula ou Dilma, gravações de vídeo, áudio, documentos assinados ou qualquer coisa que permita comprovar que a palavra de um réu encarcerado, submetido a todo tipo de pressões, não seja apenas a vontade de ver sua pena diminuída falando a palavra mágica: LULA.

O aumento da popularidade de Lula, a cada dia, com o sucesso de sua caravana no Nordeste e o crescimento de sua candidatura nas pesquisas, parece ter despertado a ira dos golpistas, mal amados e manipulados. Eles não irão se sossegar. A Imprensa podre repetirá a frase LULA em suas principais notícias. Factóides e delações sem provas serão produzidos em série e mais uma vez a imparcialidade será esquecida.

Estranhamente, se esquece todo o resto. Desde a absurda tentativa de vender e privatizar a Amazônia e nossas principais empresas, os sucessivos pacotes de maldade contra os direitos da população até a evidência de que a nossa Lava-jato sempre foi uma verdadeira FARSA À JATO.
EM TEMPO: A cada dia que passa, me convenço mais que o Lula é uma causa a ser defendida, muito mais do que sua figura humana. Tenho muito respeito e admiração por sua história e seu legado. Reconheço também seus erros e acho um grande engano achar que podem destruir o símbolo que ele representa. Se querem condenar Lula por pedir contribuições para o partido, que apenas para o PT são chamadas de propina, que façam o mesmo com todos os outros políticos. Se querem condenar o Lula por enriquecimento ilícito, que encontrem contas em seu nome, documentos, escrituras e dados concretos e não meras ilações de que tal dinheiro, tal imóvel, tal reforma, seria para o uso do Lula. Se não tem escritura, posse, propriedade e prova do uso pessoal e efetivo da suposta propina, que se busque algo além da oportuna delação de um réu em busca de liberdade e redução de pena. Sugiro buscar áudios e vídeos, tal como conseguiram do Aécio.

D. Paulo Jackson, Bispo de Garanhuns-PE”

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Escravidão: 750 trabalhadores são resgatados em 14 anos de fiscalização

Os dados podem ser pesquisados no Observatório Digital do Trabalho Escravo no Brasil, ferramenta do MPT e OIT

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Associada à imagem de terra da liberdade por ser palco do quilombo mais famosos do país, o de Zumbi dos Palmares, Alagoas ainda vive dias de escravidão. De 2003 a junho de 2017, o Ministério Público do Trabalho (MPT) ajudou a resgatar 750 trabalhadores que se encontravam submetidos a condições análogas à escravidão, seja por meio do trabalho forçado, da restrição de locomoção em razão de dívidas, da submissão a condições degradantes ou jornadas exaustivas. Isoladas ou entrelaçadas, cada uma dessas condutas caracteriza o crime de trabalho análogo ao de escravo.

Dados referentes a Alagoas e demais estados da Federação já se encontram disponíveis no Observatório Digital do Trabalho Escravo no Brasil (https://observatorioescravo.mpt.mp.br), lançado pelo MPT e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em junho.

“O Ministério Público do Trabalho tem algumas áreas estratégicas e prioritárias de atuação, como é o caso do combate à escravidão contemporânea. Cabe à Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo [CONAETE] uniformizar a atuação das unidades e dar apoio aos procuradores, inclusive municiando-os com informações, tais como as disponibilizadas pelo observatório digital”, disse o coordenador da CONAETE, procurador do Trabalho Tiago Muniz Cavalcanti.

Na página, o usuário terá acesso aos números do trabalho escravo, podendo fazer o recorte espaço-temporal desejado. Trata-se de um instrumento voltado para estudantes, acadêmicos, jornalistas e sobretudo gestores públicos, que terão facilitada a condução de políticas públicas de combate ao trabalho escravo.

O observatório fornece números e estatísticas sobre resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão, naturalidade e residência dos resgatados, fluxos dos trabalhadores aliciados, remuneração e postos de trabalho formal, beneficiários de programas sociais e operações, além de recortes de raça, gênero e educação.

Para fazer denúncias sobre trabalho escravo, a população pode procurar o MPT e o Ministério do Trabalho e Emprego, além do Disque 100 (Disque Direitos Humanos).

Números –  Em Alagoas, o combate ao trabalho escravo foi concentrado em cinco municípios: Rio Largo (401), Penedo (214), União dos Palmares (52), Roteiro (51) e Colônia Leopoldina (32). O maior problema está na emigração: desde 2003, mais de 1.250 trabalhadores alagoanos deixaram a terra natal e acabaram sendo vítimas do crime em outros estados da federação.

“A escravidão invariavelmente está relacionada à miséria, à pobreza e à vulnerabilidade. Infelizmente, o Estado de Alagoas está nas últimas posições de todos os rankings relacionados a índices de desenvolvimento social, tais como educação, renda per capita e expectativa de vida. Isso significa que a população alagoana de baixa renda é vítima potencial do trabalho escravo, o que se evidencia nos números de trabalhadores aliciados para outros estados”, explicou o procurador do Trabalho Tiago Muniz Cavalcanti.

Também é possível consultar as informações referentes a cada município brasileiro. O observatório mostra que os egressos residentes de Igreja Nova, por exemplo, são trabalhadores da cultura da cana-de-açúcar (67), trabalhadores agropecuários em geral (46) e produtores de cana-de-açúcar (8), todos eles envolvidos com a fabricação de açúcar bruto.

Os 118 trabalhadores resgatados são do sexo masculino, sendo que 88% deles têm entre 18 e 34 anos. Em relação à escolaridade, 77% frequentaram instituições de ensino, mas não completaram a quinta série do ensino básico, enquanto 21% são analfabetos.

Ministério Publico Federal

Procuradoria geral do Trabalho 

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GRITO DOS EXCLUÍDOS – Por Frei Betto

Frei Betto
Há décadas o 7 de setembro, data da independência do Brasil em relação à coroa portuguesa, é comemorado pelas pastorais sociais de Igrejas cristãs e movimentos sociais de nosso país como o dia do Grito dos Excluídos.
Os temas variam de ano a ano, embora haja íntima conexão entre eles. Este ano é a democracia e a defesa dos direitos dos trabalhadores, que no Brasil andam capengas. Somos governados por um executivo que retrocede direitos historicamente conquistados, e cujas principais figuras estão convocadas a sentar no banco dos réus e responder pelos graves crimes de que são acusados.
Somos governados por um legislativo que majoritariamente atua de costas para os seus eleitores, já que 95% da população desaprova o governo Temer e 81% considera que o presidente deveria responder pelos crimes que lhe pesam aos ombros perante a suprema corte do país.
Somos governados por um judiciário que se agarra como carrapato às mais aberrantes mordomias, recebe vultosos salários engordados por penduricalhos, e pratica com frequência o nepotismo (parentes e amigos não merecem cadeia).
A democracia brasileira exclui o acesso de todos ao bem-estar, já que temos 14 milhões de desempregados, 60 milhões de pessoas endividadas e 63 milhões de trabalhadores que ganham por mês menos de dois salários mínimos, dos quais 47 milhões ficam com menos de um.
Nossa economia não prioriza a inclusão social, e sim o crescimento do PIB. Prefere a especulação à produção. A exclusão econômica e social faz do Brasil uma das nações mais desiguais do mundo. Nas relações pessoais, a exclusão se manifesta no racismo, no machismo, na homofobia, e esta modalidade demoníaca que consiste em discriminar e agredir quem abraça uma prática religiosa diferente da minha.
A exclusão se estende até mesmo à natureza, vilipendiada em função dos interesses do capital, como o comprova o desmatamento da Amazônia, a poluição de nossos rios e mares, a impunidade de graves crimes ambientais como o provocado pela Samarco no Vale do Rio Doce.
Há muitas formas de exclusão. A social, que retalha a população em classes objetivamente antagônicas; a cultural, indiferente às expressões artísticas das esferas populares; a semântica, que por ofensas introduz a divergência onde deveria haver apenas diferença.
Hoje, muitos europeus se sentem incomodados com a chegada de refugiados cujos países, durante décadas, foram saqueados e oprimidos pelas potências europeias. Trump promete erguer um muro entre o seu país e o México, sem admitir que a extensão territorial dos EUA resulta da anexação do Texas, em 1845 e, logo em seguida, do Novo México e da Califórnia.
Que tipo de gente eu não suporto? A resposta a esta pergunta aponta quem são aqueles que excluo ou apoio quem os exclui. Há exclusões violentas, como as praticadas pelos adeptos da Ku Klux Klan e os assassinos de homossexuais; exclusões preconceituosas, como a de brancos que se julgam superiores aos indígenas; e a autoexclusão de quem cruza os braços ou se entrega à apatia e à indiferença diante de crises como a que o Brasil atravessa.
O protótipo da prática da não exclusão ou da solidária inclusão, sem nenhuma atitude de preconceito ou discriminação, foi Jesus de Nazaré. Acolheu o cego, o coxo, o hanseniano, e proclamou que todo ser humano é templo vivo de Deus. Acolheu o centurião romano que professava o paganismo; a samaritana que tivera cinco maridos e, agora, vivia com um sexto homem; a prostituta que lhe perfumou os pés e os enxugou com os cabelos.
Jesus acolheu pecadores e enfermos, ricos como Zaqueu e pobres como Bartimeu, o cego que mendigava à entrada de Jericó. Não acolheu, contudo, os promotores da exclusão, como os religiosos moralistas; o governador Herodes Antipas, corrupto e assassino; o homem rico que se recusou a partilhar seus bens com os necessitados.
Data cívica, o 7 de setembro mereceria ser a festa de uma democracia inclusiva, na qual o desfile das forças armadas fosse substituído por uma grande manifestação cívica das forças amadas.

 

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PROTESTO: Agricultura familiar mobilizada para o Grito da Terra

Cerca de três mil trabalhadores e trabalhadoras rurais na agricultura familiar realizam na próxima semana, nos dias 5 e 6, em Porto Velho, o Grito da Terra Estadual (GTE 2017), principal ação de massa da categoria em busca da garantia de políticas públicas que assegurem desenvolvimento rural sustentável e solidário com qualidade de vida e trabalho no campo.

Os trabalhadores, organizados pela Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares no Estado de Rondônia (FETAGRO) e Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTRs), irão cobrar do governo estadual resposta à pauta de reivindicações e proposições, na expectativa de obter conquistas efetivas.

A pauta do Grito contém propostas que expressam as principais demandas de aproximadamente 120 mil homens e mulheres do campo. O documento faz referencia a temas como regularização fundiária e ambiental; organização da produção; habitação rural; educação do campo; saúde; segurança pública do/no campo; crédito fundiário; entre outros.

O presidente da FETAGRO, Fábio Menezes, esclarece que o Grito da Terra é uma ação de massa dos trabalhadores (as) rurais, instituído para servir de espaço permanente de discussão e negociação de políticas públicas para a agricultura familiar e os povos do campo com os poderes públicos estadual e federal. “Essa mobilização é a data base da negociação da classe trabalhadora rural com o poder público constituído”, afirma Fábio.

Fábio ressalta que esta edição da mobilização também será ato público em defesa da democracia e do não retrocesso de direitos conquistados ao longo de anos de luta, referindo-se a atual situação política e econômica vivida em nosso país. O dirigente reforça a importância da mobilização para a luta da classe trabalhadora rural na agricultura familiar, por seu caráter reivindicatório e propositivo, mas especialmente neste ano por assumir a tarefa de defender direitos já garantidos e enfrentar os desmandos políticos do atual governo federal, como é o caso da Reforma Trabalhista, já aprovada, e da Reforma da Previdência, em via de ser aprovada, mas sob repúdio dos trabalhadores rurais e urbanos.

Fonte Assesoria

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Grito dos Excluídos: “por direito e democracia, a luta é todo dia!”

No dia 7 de Setembro, data na qual oficialmente se comemora a independência política do Brasil, será realizado em todo país o 23º Grito dos Excluídos que, este ano, tem como lema “Por direitos e Democracia, a luta é todo dia” e tema “Vida em primeiro lugar”, pelos quais, segundo a Coordenação Nacional, quer chamar a atenção da sociedade para a urgência da organização e luta popular frente à conjuntura em que o país vive hoje.

Em coletiva de imprensa, realizada ontem (31/08) na sede do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em São Paulo, o bispo emérito de Blumenau (SC), dom Angélico Sândalo Bernardino disse que o Grito acontece em um momento em que o país vive uma crise ética na política por parte dos governantes e autoridades.

O bispo disse que os parlamentares estão de costas para o povo, não ouvem os gritos da população, sobretudo dos segmentos que estão à margem da sociedade.

O bispo, representante da Comissão Episcopal pastoral para a Ação social Transformadora da CNBB, afirmou que é necessário transparência na administração pública e punição aos corruptos. “O povo precisa voltar a ocupar as ruas de forma consciente e organizada para conquistar, defender e garantir seus direitos”, disse.

A representante da Coordenação Nacional do Grito dos Excluídos, Karina Pereira da Silva, lembrou que O Grito dos Excluídos vem se afirmando, a cada ano, como um processo de construção coletiva, de forma descentralizada. Ela disse que o ato tem seu ponto alto na semana da Pátria e no dia 7 de Setembro, mas que é precedido de ações em preparação e organização que vão desde seminários, palestras, rodas de conversa, audiências públicas, vigílias, celebrações, concursos de redação nas escolas.

Direitos ameaçados
Segundo o bispo de Ipameri (GO), dom Guilherme Antônio Werlang, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil: “Vivemos tempos difíceis. Os direitos e os avanços democráticos conquistados nas últimas décadas, frutos de mobilizações e lutas, estão ameaçados. O ajuste fiscal, as reformas trabalhista e da previdência estão retirando direitos dos trabalhadores para favorecer aos interesses do mercado. O próprio sistema democrático está em crise, distante da realidade vivida pela população”.

Realizado no dia 7 de setembro, o Grito dos/as Excluídos/as tem especial importância para a Igreja que, neste ano de 2017, também sugere as comunidades que na mesma data acrescente dois elementos importantes da espiritualidade cristã para acompanhar a reflexão: a oração e o jejum. Na última reunião do Conselho Permanente, a CNBB se dirigiu direta e fraternalmente a todas as comunidades convidando a todos para que “diante do grave momento vivido por nosso país, dirijamos nossa oração a Deus, pedindo a bênção da paz para o Brasil”.

A iniciativa do Grito dos/as Excluídos/as brotou do seio da Igreja, em 1995, para aprofundar o tema da Campanha da Fraternidade daquele ano, que tinha como lema “Eras tu, Senhor”, e para responder aos desafios levantados na 2ª Semana Social Brasileira, realizada em 1994, cujo tema era “Brasil, alternativas e protagonistas”.

CNBB

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Desiguais na vida, desiguais na morte: o desaparecimento político no Brasil, por Eugênia Augusta Gonzaga

por Eugênia Augusta Gonzaga

O dia 30 de agosto foi declarado pela ONU como o  Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados. Trata-se de prática adotada por governos violentos, segundo a qual suas vitimas não são sequer reconhecidas como mortas e nem o corpo é entregue à família para sepultamento.

Durante a ditadura militar houve centenas dessas vítimas no Brasil, mas a prática não parou. E ela atinge especialmente pessoas pobres e habitantes de comunidades vulneráveis, graças às condições absolutamente indignas com que são sepultadas. É o que constatou a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, instituída em 1995.

Essa Comissão funciona junto à Secretaria Especial de Direitos Humanos, hoje Secretaria Nacional de Cidadania, e tem por finalidade proceder à busca de corpos de militantes políticos mortos no período da ditadura militar (1964-1985).

Nessa tarefa, além de ter contribuído para a retomada das análises das ossadas de Perus e para as buscas na região do Araguaia, a Comissão tem se dedicado a pesquisas em cemitérios públicos dos principais municípios onde essas vítimas podem ter sido enterradas clandestinamente: São Paulo, Rio de Janeiro, Petrópolis e Marabá. O cenário encontrado, porém, é desolador.

Os agentes da ditadura esconderam os corpos de suas vítimas em cemitérios públicos, enterrando-os como indigentes (aqueles que não podem pagar por sepulturas). E acertaram na sua metodologia.

A política existente no país para o tratamento dos restos mortais de pessoas pobres é das mais indignas e sem qualquer tipo de regulação nacional. Cada município decide como quiser. E a situação mais comum é a de que corpos de pessoas que não podem pagar uma sepultura são exumados após 03 anos e colocados em ossários gerais de rastreabilidade impossível. Outros são até mesmo incinerados sem autorização da família, ou colocados em fossas e amassados com rolo compressor, ou simplesmente colocados em sacos de lixo e deixados a céu aberto, como foi constatado em um dos cemitérios visitados.

Por outro lado, pessoas que podem pagar por uma sepultura (ou carneira) perpétua, mesmo após muitos anos sem nenhum pagamento da manutenção do local, mesmo que não haja mais familiares vivos conservando a sepultura, dificilmente as prefeituras procedem à retomada do espaço para reaproveitamento. O resultado são milhares de sepulturas “particulares” em cemitérios públicos, guardando restos mortais há décadas e ocupando espaço sem nenhuma justificativa. E, de outro lado, as sepulturas “alugadas”, de imensa rotatividade e sem qualquer cautela para que os restos mortais não se percam, após os 03 (três) anos.

A conservação dos restos mortais, dependendo unicamente do dinheiro pago, é um atentado aos princípios da igualdade e da dignidade humana. É nesse quadro que os desaparecimentos de brasileiros e brasileiras continuam ocorrendo, e esse desaparecimento  é político.

É político porque é uma opção feita pelo País de não tratar seus cidadãos e cidadãs com igualdade no seu direito inalienável a uma dignidade mínima, na vida e na morte. É político porque essa opção continua permitindo a impunidade de crimes diversos, mas especialmente daqueles praticados pelo Estado, cujos agentes conhecem e se prevalecem dessa sistemática.

Pedro Bala, um dos personagens de Jorge Amado em “Capitães da Areia”, diz ao Padre que a vida é muito injusta, pois uns são ricos e outros pobres. O Padre tenta confortá-lo dizendo que após a morte serão todos iguais.

Nesse tema, porém, não há igualdade nem após a morte.  Se nada for feito para resolver esse descaso monumental, continuaremos tendo milhões de desaparecidos políticos no País, todos os anos.

Eugênia Augusta Gonzaga, procuradora Regional da República, presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Politicos

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Seminário debate política de combate ao trabalho escravo

Uma triste estatística envergonha Mato Grosso: das 154 pessoas resgatadas no Brasil em situação análoga à escravidão no período de janeiro a julho de 2017, 82 foram no estado, o correspondente a 53% do total geral. Grande parte dos resgates foi de atividades relacionadas ao agronegócio, o setor produtivo que mais projeta economicamente o estado. Por esse motivo, a imediata adoção de políticas públicas de prevenção e combate ao trabalho escravo, na esfera estadual, é o tema central de um evento em Cuiabá.

O Seminário “Combate ao Trabalho Escravo e a atuação da Coetrae-MT: Desafios e Perspectivas Atuais” está marcado para a próxima quinta-feira (31), no horário das 8h à 17h30, no Centro Cultural da UFMT. Coetrae-MT é a sigla da Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo, fórum paritário composto por instituições governamentais e não-governamentais numa grande integração de forças de instituições focadas no combate a toda e qualquer forma de violação às regras e as normatizações do trabalho.

As inscrições gratuitas e o limitadas e podem ser feitas no link https://goo.gl/obEAzP ou na hora do evento, se houver vagas.
O seminário tem como público-alvo auditores fiscais do trabalho, educadores, militantes de movimentos sociais, funcionários públicos que atuam junto à defesa dos direitos da criança e do adolescente, das mulheres, da comunidade LGBTI, além de representantes de entidades governamentais e não-governamentais nas esferas municipal, estadual e federal.

É aberto a toda comunidade que sente indignação e repugnância ao testemunhar que, em pleno 21, ainda tenhamos casos de exploração da mão de obra, através da redução do ser humano a condições análogas a de escravo. Ainda que o trabalho de repressão continue, o de fiscalização ainda é realizado a duras penas com uma redução gradativa de operações fiscais.

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Faleceu o bispo mais idoso do Brasil: Dom José Maria Pires

Faleceu o bispo mais idoso do Brasil: Dom José Maria Pires

Faleceu na noite deste domingo, 27 de agosto, o arcebispo emérito da Paraíba, dom José Maria Pires. Ele era o bispo mais idoso brasileiro, tinha 98 anos.

Leia a Nota da Arquidiocese da Paraíba:

Nota Oficial

Morre Dom José Maria Pires

É com grande pesar que a Arquidiocese da Paraíba comunica que faleceu na noite deste domingo, dia 27 de agosto de 2017, o Arcebispo Emérito da Paraíba, Dom José Maria Pires. Dom José estava internado num hospital em Belo Horizonte, e morreu vítima de complicações de uma pneumonia.

“A igreja perde, neste domingo em que comemoramos o Dia do Catequista, um grande pastor. Dom José foi um dos catequistas mais ativos e humildes à frente do seu rebanho, e que soube impor a sua voz, sempre que necessário, em defesa dos menos favorecidos. O ‘Dom Pelé’, como ficou carinhosamente conhecido, faz a sua passagem deixando em nós o exemplo de como ser Igreja, de como estar à frente do Povo de Deus. Descanse em paz, Dom José! Temos a certeza de que, crentes na ressurreição, ao lado do Pai, o senhor agora vai abençoar do Céu todos os que fazem a Arquidiocese da Paraíba”, fala comovido o Arcebispo Metropolitano da Paraíba, Dom Manoel Delson.

Sobre Dom José
Dom José Maria Pires nasceu no dia 15 de março de 1919, na cidade de Córregos (MG), filho de Eleutério Augusto Pires e Pedrelina Maria de Jesus. Foi ordenado presbítero no dia 20 de dezembro de 1941, em Diamantina (MG). No dia 25 de maio de 1957 recebeu a nomeação episcopal, e a sagração ocorreu no dia 22 de setembro de 1957, em Diamantina.
Foi formado em Teologia e Filosofia pelo Seminário de Diamantina (MG), cursos que realizou entre 1936 e 1941. Antes de ser Bispo, Dom José foi pároco de Açucena-MG (1943-1946); diretor do Colégio Ibituruna em Governador Valadares-MG (1946-1953); missionário diocesano (1953-1955); e pároco de Curvelo-MG (1956-1957). Atuou como Bispo em Araçuaí-MG (1957-1965), de onde veio para ser Arcebispo da Paraíba (1966-1995). Foi também membro da Comissão Central da CNBB e Presidente da Comissão Episcopal Regional-NE2.

Na biografia de Dom José destaca-se a sua atuação na época da Ditadura Militar, quando desenvolveu um trabalho pautado na conjunção da atividade religiosa com a defesa dos direitos humanos, com vistas à mudança social. Prestou apoio nos conflitos pela terra na Paraíba, defendendo camponeses de perseguições. E lutou contra a discriminação e o racismo, incentivando a organização e a luta dos afro-brasileiros.

Dom José tinha como lema episcopal: “Scientiam Salutis” (A ciência da Salvação). Foi o quarto Arcebispo da Paraíba. O seu antecessor foi Dom Mário de Miranda Vilas-Boas, que assumiu o cargo em 1959 e renunciou em 21/05/1965. O Mons. Pedro Anísio Bezerra Dantas foi Vigário Capitular da Arquidiocese da Paraíba de 21/05/1965 a 27/03/1966 (período compreendido entre a renúncia de Dom Mário e a posse de Dom José). Dom José Maria Pires ficou à frente da Arquidiocese de 1966 até 29/11/1995. Foi sucedido por Dom Marcelo Pinto Carvalheira.

 

Fonte: Assessoria de Imprensa e Comunicação da Arquidiocese da Paraíba

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Roda de Conversa em Manaus trata dos novos fluxos migratórios e de especificidades da nova lei de migração

Oportunizar um espaço de discussão em torno da temática dos novos fluxos migratórios na fronteira norte, os impactos sociais e culturais dessa migração e enfatizar os direitos dos migrantes garantidos na nova lei de migração. Este foi o objetivo da Roda de Conversa sobre novos fluxos migratórios e de especificidades da nova lei de migrações realizada na manhã do dia 21 de agosto, nas dependências do Colégio Preciosíssimo Sangue. Foram convidados a participar os agentes e voluntários da Pastoral dos Migrantes, leigos scalabrinianos, pastorais sociais, Cáritas, secretaria de governo, coordenação nacional do Serviço Pastoral dos  Migrantes e instituições envolvidas na temática.
Dos palestrantes estiveram a Prof Dra Marcia Oliveira, da Universidade Federal de Rondônia (Unir), que explicou sobre os novos fluxos migrantes no Brasil, na fronteira norte, além de destacar algumas especificidades culturais de alguns migrantes. O Professor Dr. Sidney Silva, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), tratou de especificidades da nova lei de migração: direitos garantidos. Destacou como preocupação o processo de regulamentação da lei e que o judiciário, que precisa colocar em prática e fazer cumprir o que se estabeleceu.
O bispo referencial do Setor de Mobilidade Humana da CNBB, esteve presente no evento destacou a importância de se realizar esse evento de partilha e reflexão sobre a migração. “Estamos celebrando os 25 anos da Pastoral do Migrante em Manaus e com a presença da coordenação nacional aproveitamos para fazer esse momento da Roda de Conversa para colocar a situação migratória, de refúgio e também de tráfico de pessoas ocorrido nos últimos meses e também para pensar como que a Pastoral está atualmente.  A gente conta com a presença de acadêmicos para nos ajudar na reflexão, mas também com aqueles que estão no dia a dia e os próprios migrantes participam desse momento de partilha. Isso nos fortalece na missão do cotidiano de acompanhar os diversos grupos e o fluxo migratório”, afirmou
Sobre a lei de migração, Dom José Luiz acredita, mesmo diante dos avanços, os agentes envolvidos precisam estar atentos a alguns pontos. “A lei teve uns avanços, alguns vetos, mas agora o problema é  regulamentar a lei e é importante acompanhar o processo”, enfatizou.
Selene Herculano, secretária do Centro de Migrações e Direitos Humanos (CMDH), na Diocese de Roraima, falou um pouco dos desafios no acompanhamento dos venezuelanos que lá chegam, principalmente os indígenas. Ela afirmou que o fluxo de atendimento aos venezuelanos aumentou em outubro de 2016, e logo se percebeu o aglomerado de pessoas e Pacaraima foi a cidade que mais afetada, pois por não haver hoteis as pessoas ficaram nas ruas e área aberta da Rodoviária.  Em março, fez-se um cadastro que sinalizou a existência de cerca de 100 famílias e estas foram auxiliadas no processo de documentação e pela dificuldade de deslocamento desses migrantes para Boa Vista, a secretaria conseguiu dentro da polícia federal uma sala de atendimento para preencher os formulários de refúgio e tirar fotos gratuitamente. Segundo ela, há também outros avanços junto à Prefeitura de Boa Vista, que abriu a porta das escolas para as crianças, sendo matriculadas mais de 500 no primário. Outra situação é que mais de 500 indígenas estão abrigados em um ginásio, espaço provisório e não é adequado, além de não terem alimentação suficiente.
Roberto Saraiva, da coordenação nacional, encerrou o evento destacando que há muitos desafios o que exige ainda que os envolvidos se debrucem no debate para pensar estratégias e assumir papeis para dar continuidade na luta em apoio ao imigrante. “Uma preocupação é que as vezes nos homogeneizamos os estrangeiros, sem procurar saber de onde ele vem, qual seu território, o motivo de ter migrado, e na hora da acolhida queremos colocar grupos étnicos diferentes na mesma casa, gerando conflitos, e isso não é um bom atendimento. É preciso investigar sobre esses povos e conhecer suas identidades, sua antropologia. Isso é muito mais desafiador para o trabalho, mas precisa ser feito. Precisamos desconstruir isso de olhar todos da mesma forma, como se fossem iguais. Se fizermos isso já teremos um bom avanço. Saimos  daqui com a esperança de que possamos repensar todas essas informações e tentar encontrar novos caminhos”, destacou.
Ana Paula Gioia
Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus 

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Divulgada a Mensagem do Papa Francisco para o dia Mundial do Migrante e Refugiado para 2018

Foi divulgada esta segunda-feira (21/08) a Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial do Migrante e Refugiados    a ser celebrado em 14 de janeiro de 2018,

O Pontífice define “um sinal dos tempos” a triste situação de tantos migrantes que fogem da guerra e da pobreza e recorda que a Igreja  tem a grande responsabilidade de compartilhar com todos a preocupação com os migrantes.
A Mensagem se articula em 4 pontosverbos baseados nos princípios da Doutrina da Igreja.
O primeiro é “acolher”. O Papa enfatiza que é urgente oferecer aos migrantes e aos refugiados mais oportunidades de entrada segura e legal nos países de destino. Francisco pede para simplificar a concessão de vistos humanitários e incentivar a reaunificação familiar.
Realça ainda a necessidade de abrir corredores humanitários para os refugiados mais vulneráveis.  E critica a expulsão coletiva de migrantes e refugiados, especialmente quando realizada em direção de países que não garantem o respeito pelos direitos fundamentais. O Pontífice reitera que o princípio da centralidade da pessoa humana requer “que se anteponha a segurança pessoal à segurança nacional”. E isto, afirma a Mensagem, acarreta a necessidade de um maior esforço para preferir soluções alternativas à detenção dos migrantes.
Em seguida, Francisco volta sua atenção para o verbo “proteger”.
Essa proteção, diz ele, começa em casa e deve continuar na terra da imigração. Daí a necessidade de valorizar as habilidades e competências dos migrantes que devem ter, consequentemente, liberdade de movimento no país anfitrião e oportunidade de trabalhar. O Papa enfatiza a proteção de crianças migrantes, que têm o direito de estudar e viver com suas famílias, tuteladas de qualquer forma de detenção. E, referindo-se à situação de apátrida de alguns imigrantes, o Papa sugere que a questão pode ser superada com “uma lei de cidadania” conforme ao direito internacional.
Em relação ao verbo “promover”, a Mensagem afirma que significa que todos os migrantes devem ser colocados em condição de se realizar como pessoas.
Francisco incentiva a integração sócio profissional dos migrantes. E elogia os esforços de muitos países em termos de cooperação internacional, relevando que “na distribuição das ajudas, sejam consideradas as necessidades dos países em desenvolvimento que recebem grandes fluxos de refugiados e migrantes”.
O último verbo, escreve Francesco, é “integrar”.
O Papa observa inicialmente que a integração não é uma assimilação, que induz o migrante a suprimir ou esquecer a sua identidade cultural. É um processo prolongado que, exortou, “pode ​​ser acelerado através da concessão da cidadania independentemente de requisitos econômicos ou linguísticos”. Mais uma vez, o Papa pede que se favoreça a cultura do encontro e assegura que a Igreja está disponível a se comprometer “em primeira pessoa” neste campo. Para alcançar os resultados esperados, ele adverte, no entanto, que a contribuição da comunidade política e da sociedade civil é indispensável.
Na conclusão, Francisco faz apelo aos líderes políticos para que aprovem os acordos globais (Global compacts) aprovados recentemente na Onu dedicados aos refugiados e aos migrantes. E destaca que os próximos meses são uma oportunidade privilegiada para apoiar com ações concretas os quatro pontos delineados na Mensagem: “acolher, proteger, promover e integrar”.
“Queridos irmãos e irmãs!
«O estrangeiro que reside convosco será tratado como um dos vossos compatriotas e amá-lo-ás como a ti mesmo, porque foste estrangeiro na terra do Egito. Eu sou o Senhor, vosso Deus» (Lv 19, 34).
Repetidas vezes, durante estes meus primeiros anos de pontificado, expressei especial preocupação pela triste situação de tantos migrantes e refugiados que fogem das guerras, das perseguições, dos desastres naturais e da pobreza. Trata-se, sem dúvida, dum «sinal dos tempos» que, desde a minha visita a Lampedusa em 8 de julho de 2013, tenho procurado ler sob a luz do Espírito Santo. Quando instituí o novo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, quis que houvesse nele uma Secção especial (colocada temporariamente sob a minha guia direta) que expressasse a solicitude da Igreja para com os migrantes, os desalojados, os refugiados e as vítimas de tráfico humano.
Cada forasteiro que bate à nossa porta é ocasião de encontro com Jesus Cristo, que Se identifica com o forasteiro acolhido ou rejeitado de cada época (cf. Mt 25, 35.43). O Senhor confia ao amor materno da Igreja cada ser humano forçado a deixar a sua pátria à procura dum futuro melhor.[1] Esta solicitude deve expressar-se, de maneira concreta, nas várias etapas da experiência migratória: desde a partida e a travessia até à chegada e ao regresso. Trata-se de uma grande responsabilidade que a Igreja deseja partilhar com todos os crentes e os homens e mulheres de boa vontade, que são chamados a dar resposta aos numerosos desafios colocados pelas migrações contemporâneas com generosidade, prontidão, sabedoria e clarividência, cada qual segundo as suas possibilidades.
A este respeito, desejo reafirmar que «a nossa resposta comum poderia articular-se à volta de quatro verbos fundados sobre os princípios da doutrina da Igreja: acolher, proteger, promover e integrar».[2]
Considerando o cenário atual, acolher significa, antes de tudo, oferecer a migrantes e refugiados possibilidades mais amplas de entrada segura e legal nos países de destino. Neste sentido, é desejável um empenho concreto para se incrementar e simplificar a concessão de vistos humanitários e para a reunificação familiar. Ao mesmo tempo, espero que um número maior de países adote programas de patrocínio privado e comunitário e abra corredores humanitários para os refugiados mais vulneráveis. Além disso seria conveniente prever vistos temporários especiais para as pessoas que, escapando dos conflitos, se refugiam nos países vizinhos. As expulsões coletivas e arbitrárias de migrantes e refugiados não constituem uma solução idónea, sobretudo quando são feitas para países que não podem garantir o respeito da dignidade e dos direitos fundamentais.[3] Volto a sublinhar a importância de oferecer a migrantes e refugiados um primeiro alojamento adequado e decente. «Os programas de acolhimento difundido, já iniciados em várias partes, parecem facilitar o encontro pessoal, permitir uma melhor qualidade dos serviços e oferecer maiores garantias de bom êxito».[4] O princípio da centralidade da pessoa humana, sustentado com firmeza pelo meu amado predecessor Bento XVI,[5] obriga-nos a antepor sempre a segurança pessoal à nacional. Em consequência, é necessário formar adequadamente o pessoal responsável pelos controlos de fronteira. A condição de migrantes, requerentes de asilo e refugiados exige que lhes sejam garantidos a segurança pessoal e o acesso aos serviços básicos. Em nome da dignidade fundamental de cada pessoa, esforcemo-nos por preferir outras alternativas à detenção para quantos entrem no território nacional sem estar autorizados.[6]

O segundo verbo, proteger, conjuga-se numa ampla série de ações em defesa dos direitos e da dignidade dos migrantes e refugiados, independentemente da sua situação migratória.[7] Esta proteção começa na própria pátria, consistindo na oferta de informações certas e verificadas antes da partida e na sua salvaguarda das práticas de recrutamento ilegal.[8] Tal proteção deveria continuar, na medida do possível, na terra de imigração, assegurando aos migrantes uma assistência consular adequada, o direito de manter sempre consigo os documentos de identidade pessoal, um acesso equitativo à justiça, a possibilidade de abrir contas bancárias pessoais e a garantia duma subsistência vital mínima. Se as capacidades e competências dos migrantes, requerentes de asilo e refugiados forem devidamente reconhecidas e valorizadas, constituem verdadeiramente uma mais-valia para as comunidades que os recebem.[9] Por isso, espero que, no respeito da sua dignidade, lhes seja concedida a liberdade de movimento no país de acolhimento, a possibilidade de trabalhar e o acesso aos meios de telecomunicação. Para as pessoas que decidam regressar ao seu país, sublinho a conveniência de desenvolver programas de reintegração laboral e social. A Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança oferece uma base jurídica universal para a proteção dos menores migrantes. É necessário evitar-lhes qualquer forma de detenção por motivo da sua situação migratória, ao mesmo tempo que lhes deve ser assegurado o acesso regular à instrução primária e secundária. Da mesma forma, é preciso garantir-lhes a permanência regular ao chegarem à maioridade e a possibilidade de continuarem os seus estudos. Para os menores não acompanhados ou separados da sua família, é importante prever programas de custódia temporária ou acolhimento.[10] No respeito pelo direito universal a uma nacionalidade, esta deve ser reconhecida e devidamente certificada a todos os meninos e meninas no momento do seu nascimento. A situação de apátrida, em que às vezes acabam por se encontrar migrantes e refugiados, pode ser facilmente evitada através duma «legislação sobre a cidadania que esteja em conformidade com os princípios fundamentais do direito internacional».[11] A situação migratória não deveria limitar o acesso aos sistemas de assistência sanitária nacional e de previdência social, nem à transferência das respetivas contribuições em caso de repatriamento.
Promover significa, essencialmente, empenhar-se por que todos os migrantes e refugiados, bem como as comunidades que os acolhem, tenham condições para se realizar como pessoas em todas as dimensões que compõem a humanidade querida pelo Criador.[12] Dentre tais dimensões, seja reconhecido o justo valor à dimensão religiosa, garantindo a todos os estrangeiros presentes no território a liberdade de profissão e prática da religião. Muitos migrantes e refugiados possuem competências que devem ser devidamente certificadas e avaliadas. Visto «o trabalho humano, pela sua natureza, estar destinado a unir os povos»,[13] encorajo a que se faça tudo o possível para se promover a integração socio-laboral dos migrantes e refugiados, garantindo a todos – incluindo os requerentes de asilo – a possibilidade de trabalhar, percursos de formação linguística e de cidadania ativa e uma informação adequada nas suas línguas originais. No caso de menores migrantes, o seu envolvimento em atividades laborais precisa de ser regulamentado de modo a que se evitem abusos e ameaças ao seu crescimento normal. Em 2006, Bento XVI sublinhava como a família, no contexto migratório, é «lugar e recurso da cultura da vida e fator de integração de valores».[14] A sua integridade deve ser sempre promovida, favorecendo a reunificação familiar – incluindo avós, irmãos e netos – sem nunca o fazer depender de requisitos económicos. No caso de migrantes, requerentes de asilo e refugiados portadores de deficiência, deve ser assegurada maior atenção e apoio. Embora considerando dignos de louvor os esforços feitos até agora por muitos países em termos de cooperação internacional e assistência humanitária, espero que, na distribuição das respetivas ajudas, se considerem as necessidades (como, por exemplo, de assistência médica e social e de educação) dos países em vias de desenvolvimento que acolhem fluxos enormes de refugiados e migrantes e de igual modo se incluam, entre os beneficiários, as comunidades locais em situação de privação material e vulnerabilidade.[15]
O último verbo, integrar, situa-se no plano das oportunidades de enriquecimento intercultural geradas pela presença de migrantes e refugiados. A integração não é «uma assimilação, que leva a suprimir ou a esquecer a própria identidade cultural. O contacto com o outro leva sobretudo a descobrir o seu “segredo”, a abrir-se para ele, a fim de acolher os seus aspetos válidos e contribuir assim para um maior conhecimento de cada um. Trata-se de um processo prolongado que tem em vista formar sociedades e culturas, tornando-as cada vez mais um reflexo das dádivas multiformes de Deus aos homens».[16] Este processo pode ser acelerado pela oferta de cidadania, independentemente de requisitos económicos e linguísticos, e por percursos de regularização extraordinária para migrantes que possuam uma longa permanência no país. Insisto mais uma vez na necessidade de favorecer em todos os sentidos a cultura do encontro, multiplicando as oportunidades de intercâmbio cultural, documentando e difundindo as «boas práticas» de integração e desenvolvendo programas tendentes a preparar as comunidades locais para os processos de integração. Tenho a peito sublinhar o caso especial dos estrangeiros forçados a deixar o país de imigração por causa de crises humanitárias. Estas pessoas necessitam que lhes seja assegurada uma assistência adequada para o repatriamento e programas de reintegração laboral na sua pátria.
De acordo com a sua tradição pastoral, a Igreja está disponível para se comprometer, em primeira pessoa, na realização de todas as iniciativas propostas acima, mas, para se obter os resultados esperados, é indispensável a contribuição da comunidade política e da sociedade civil, cada qual segundo as próprias responsabilidades.
Durante a Cimeira das Nações Unidas, realizada em Nova Iorque em 19 de setembro de 2016, os líderes mundiais expressaram claramente a vontade de se empenhar a favor dos migrantes e refugiados para salvar as suas vidas e proteger os seus direitos, compartilhando tal responsabilidade a nível global. Com este objetivo, os Estados comprometeram-se a redigir e aprovar até ao final de 2018 dois acordos globais (Global Compacts), um dedicado aos refugiados e outro referente aos migrantes.

Queridos irmãos e irmãs, à luz destes processos já iniciados, os próximos meses constituem uma oportunidade privilegiada para apresentar e apoiar as ações concretas nas quais quis conjugar os quatro verbos. Por isso, convido-vos a aproveitar as várias ocasiões possíveis para partilhar esta mensagem com todos os atores políticos e sociais envolvidos – ou interessados em participar – no processo que levará à aprovação dos dois acordos globais.
Neste dia 15 de agosto, celebramos a solenidade da Assunção de Maria Santíssima ao Céu. A Mãe de Deus experimentou pessoalmente a dureza do exílio (cf. Mt 2, 13-15), acompanhou amorosamente o caminho do Filho até ao Calvário e agora partilha eternamente da sua glória. À sua materna intercessão confiamos as esperanças de todos os migrantes e refugiados do mundo e as aspirações das comunidades que os acolhem, para que todos, no cumprimento do supremo mandamento divino, aprendamos a amar o outro, o estrangeiro, como a nós mesmos”.
Radio Vaticano 
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Missão Paz : Migração, refúgio e Saúde – 6º DIÁLOGOS NO CEM/2017

O processo migratório submete migrantes e refugiados a estresses provocados por xenofobia, discriminação étnica/racial na busca por trabalho, moradia, documentação, educação, lazer, etc. Discutir e compreender os desdobramentos das migrações para a saúde pode contribuir para estratégias de acolhimento e formulação de políticas publicas que beneficiem os migrantes e a população autóctone. Também é importante compreender como são forjadas as trajetórias, experiências e construção de novos saberes dos profissionais de saúde no atendimento aos migrantes e suas famílias. 
 
 “Migração, refúgio e saúde” é o tema do 6º Diálogos no CEM que discutirá como a saúde física e mental é vivida no trabalho, no acesso ao SUS, na convivência familiar e no cotidiano de migrantes e refugiados. 
 
Participarão Júlia Jeng (especialista em medicina chinesa), Berenice Young (psicóloga), Elaine Cristina (coord. do Eixo Saúde da Missão Paz), e Sofia Feres, médica da ESF na UBS Sé (centro de São Paulo).
O Diálogos no CEM também será transmitido ao vivo pela Web Rádio Migrantes em Espanhol
 
e pelo Facebook  da Missão Paz – São  Paulo  https://www.facebook.com/missaopazsaopaulo/?fref=ts
 
Participe. As inscrições podem ser feitas no local ou pelo e-mail: cem@missaonspaz.org
 
Data: 18/08/2017
 
Hora: 14h00 às 16h30
 
Local: Missão Paz/Sala Scalabrini
Rua do Glicério, 225 – Bairro Liberdade
 
São Paulo-SP
 
Missão Paz
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Pastorais se encontram no VII Encontro Nacional do Setor Mobilidade Humana da CNBB

Pastorais se encontram no VII Encontro Nacional do Setor Mobilidade Humana da CNBB

Sob a expressão “mundo em movimento” se articulam e se abrigam o Apostolado do Mar, as pastorais dos Nômades, Refugiados, Rodoviária, Turismo, Migrantes, Nipo Brasileira, os Estudantes Internacionais e o trabalho pastoral na Tríplice Fronteira. Este grupo se reunirá no VII Encontro Nacional das Pastorais do Setor Mobilidade Humana, de 17 a 19 de agosto, no Recanto Assis, um centro de espiritualidade em Belo Horizonte (MG).

A atividade, organizada pela Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da qual o Setor Mobilidade Humana faz parte, tem como objetivo refletir sobre a conjuntura social, política e eclesial e sobre o tema da mobilidade humana para identificar os desafios e apontar as respostas para uma “Igreja em Saída”.

 

Participantes do 6º Encontro de Mobilidade Humana Foto: Arquivo Setor de Mobilidade Humana CNBB

Haverá um momento previsto, na pauta do encontro, para que cada pastoral e atividade apresente uma experiência significativa do trabalho desenvolvido desde o último encontro. Os participantes buscarão analisar a realidade da mobilidade humana para pensar a atuação pastoral a partir dos desafios.

 “Igreja em saída”
Segundo o bispo de Pesqueira (PE), dom José Luiz Ferreira Salles, bispo referencial do Setor de Mobilidade Humana da CNBB, este encontro vai buscar identificar os desafios e apontar respostas para uma Igreja em Saída, como pede o papa Francisco.

O bispo diz que as grandes preocupações que irão estar presentes nos debates são as violações aos direitos humanos, o tráfico de pessoas,  o contrabando de migrantes e o tema das políticas públicas. “Teremos que estar com o olhar atento, de modo especial, para a regulamentação da nova lei das migrações”, disse.

“Olhando para que o papa Francisco tem pedido à Igreja,  vamos vivenciar momentos de estudo e convivência fraterna para encontrar caminhos para, como Igreja no Brasil, realizar o sonho de Jesus: acolher, proteger, promover e integrar as pessoas em situação de migração”, disse.

Estão confirmados para participar deste encontro, além dos representantes das pastorais e ações do campo da mobilidade humana, os bispos dom Irineu Roman, auxiliar de Belém (PA) e referencial da Pastoral do Turismo; dom José Edson Santana Oliveira, bispo de Eunápolis (BA) e referencial da Pastoral dos Nômades; e dom José Luiz Ferreira Salles, bispo de Pesqueira (PE) e responsável pelo Setor Mobilidade Humana da CNBB.

CNBB

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Proteger os direitos dos povos indígenas é proteger os direitos de todos

 

Declaração, adotada pela Assembleia Geral da ONU em 13 de setembro de 2007, estabelece diretrizes universais de padrões mínimos de sobrevivência para a dignidade e o bem-estar dos povos indígenas do mundo. Foto: PNUD / Tiago Zenero

Dez anos depois da adoção da Declaração sobre os Direitos dos Povos Indígenas, diversos países avançaram em reconhecê-los formalmente, mas, frequentemente, eles continuam a enfrentar discriminação, marginalização e grandes desafios na garantia de seus direitos básicos.

“Enquanto os povos indígenas realizaram significativos avanços em defender seus direitos nos fóruns internacionais e regionais, a implementação da Declaração é obstruída pela persistente vulnerabilidade e exclusão, particularmente de mulheres, crianças, jovens e pessoas indígenas com deficiência”, disseram 40 entidades do Sistema ONU e outras organizações internacionais em comunicado conjunto emitido para o Dia Internacional dos Povos Indígenas, lembrado nesta quarta-feira (9).

A Declaração, adotada pela Assembleia Geral da ONU em 13 de setembro de 2007, estabelece diretrizes universais de padrões mínimos de sobrevivência para a dignidade e o bem-estar dos povos indígenas do mundo. É o instrumento internacional mais abrangente sobre os direitos coletivos dos povos indígenas, incluindo os direitos à autodeterminação, a terras tradicionais e cultura.

Declaração é ‘farol para o progresso’

“A Declaração, que levou mais de 20 anos para ser negociada, aparece hoje como um farol para o progresso, uma diretriz para a reconciliação e uma referência de direitos”, declararam em comunicado Victoria Tauli-Corpuz, relatora especial da ONU para os direitos dos povos indígenas, Mariam Wallet Aboubakrine, presidente do Fórum Permanente da ONU para Questões Indígenas, e o Mecanismo Especializado da ONU para os Direitos dos Povos Indígenas.

“Mas após uma década, precisamos reconhecer os vastos desafios que permanecem. Em muitos casos, os povos indígenas enfrentam agora dificuldades e violações de direitos ainda maiores do que enfrentavam dez anos atrás”, acrescentaram.

Apesar de alguns países terem tomado medidas constitucionais e legislativas para reconhecer seus direitos e identidades, a exclusão, a marginalização e a violência continuam disseminadas.

Com isso em mente, Irina Bokova, diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), disse que como guardiões e praticantes de culturas e relacionamento únicos com o ambiente natural, os povos indígenas personificam uma ampla gama de diversidade linguística e cultural da humanidade.

“Proteger seus direitos e dignidade é proteger o direito de todos e respeitar a alma da humanidade, assim como seu passado e futuro”, disse Irina.

Celebração do Dia Internacional dos Povos Indígenas

Especialistas e indígenas de Canadá, República do Congo, Equador e Namíbia celebrarão o Dia Internacional dos Povos Indígenas durante evento especial na sede da ONU em Nova Iorque, enquanto escritórios das Nações Unidas no mundo inteiro também realizam eventos e atividades, incluindo Austrália, Brasil, Colômbia e México.

A ONU firmou uma parceria com o Twitter para criar um emoji especial para o dia, que com a hashtag #SomosIndígenas, como uma forma de engajar usuários do mundo a promover os direitos dos povos indígenas.

Onu

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Carta do Encontro Nacional das Pastorais Sociais e Organismos da CNBB

De 1 a 4 de agosto de 2017, em Brasília (DF), as Pastorais Sociais, Organismos, Setor de Mobilidade Humana, juntamente com os bispos referenciais e articuladores regionais da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), manifestamos, junto com pessoas, povos e comunidades com quem partilhamos a vida, nossa perplexidade diante da conjuntura sociopolítica em nosso país.

Enquanto o governo federal insiste em fazer as reformas trabalhista e previdenciária argumentando que as mesmas são para diminuir os investimentos com as políticas públicas, as negociações feitas em relação a mais recente votação na Câmara Federal do dia 03 de agosto, comprometeu vultosos recursos públicos para garantir os votos necessários.

Nesse cenário, ficam cada vez mais claras as manobras e os patrocínios com jantares, conversas, privilégios para partidos, dentre outras. A impunidade prevalece sobre os direitos das pessoas e da justiça social, fazendo com que a indignação do povo brasileiro aumente a cada dia que passa.

Fazendo análise dessa realidade, chegamos à conclusão que, mais uma vez, os pobres, excluídos e marginalizados de nossa sociedade são os mais afetados por esse sistema perverso de fazer política, que privilegia o capital em detrimento da pessoa.

Nós, das Pastorais Sociais, levantamos um clamor com aqueles que sofrem, como diz Maria em seu cântico: “Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos” (Lc 1, 52). Pedimos a Deus nesse ano jubilar mariano, nos seus 300 anos de bênçãos, que olhe por nós, povo brasileiro, para que não esmoreçamos, ao contrário, continuemos a nossa jornada por um país igualitário e na perspectiva do bem viver.

 

Brasília, 04 de agosto de 2017.

Os participantes do Encontro Nacional das Pastorais Sociais, Setor da Mobilidade Humana e Articuladores Regionais

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Diversidade de povos, distâncias e tráfico são desafios da Igreja no Alto Solimões

Encravada na tríplice fronteira entre o Brasil, a Colômbia e a Venezuela, a sudoeste do Estado do Amazonas, a diocese de Altos Solimões, enfrenta grandes desafios para promover a Evangelização no maior bioma do planeta. Segundo dom Adolfo Zon Pereira, bispo da diocese, o primeiro desafio é o da diversidade de povos.

“Temos uma população formada por 6 povos indígenas no vale do Javari, numa área já demarcada, e outros 6 ao longo do rio Solimões, entre os quais se destacam o povo Ticuna, com cerca de 46 mil índios. Os ribeirinhos, mais caboclos, formados pelos cearenses e antigos seringueiros, e também o povo urbano”, disse. Estes povos, conforme o religioso, se misturam dentro das cidades e nas periferias marginalizadas.

Para desenvolver a evangelização em meio a diversidade de povos é necessário também que a evangelização seja diversificada, afirmou dom Adolfo. “Temos que partir de uma presença muito respeitosa no meio destes povos, de amizade, de companheirismo e de irmãos”, disse.

O bispo se ressente da falta de agentes pastorais. Mas à medida que os leigos vão assumindo seu protagonismo e as congregações vão colaborando com o envio de agentes, aos poucos, a diocese vai superando a carência de pessoas. Um exemplo é dos frades capuchinhos, franciscanos, que iniciaram um trabalho de evangelização mais inculturada junto ao povo Ticuna, continuado pela diocese. “Faz um mês, realizamos o rito de admissão de dois aspirantes ticunas ao diaconato. Com os índios estamos  fortalecendo a luta por direitos e por território”, comemora o bispo.

O desafio de chegar às comunidades da diocese distribuídas em sete paróquias numa extensão territorial de 131 mil km² é superado por meio de barcos que circulam por meio dos rios e das águas. “As distâncias são muito grandes. São dias para visitar as comunidades e aldeias. Através dos rios e igarapés nos fazemos presentes no meio destes povos”, disse.

Povo hospitaleiro
O tráfico de pessoas, de animais e de drogas é outro desafio enfrentado pela Igreja, presente na tríplice fronteira. “Estamos procurando criar oportunidades para o povo ter meio de vida e ganhar o próprio pão, não por meio do tráfico de drogas. Estamos investindo bastante também nas comunidades para que criem condições e sejam produtivas”, disse.

Após mais de 20 anos atuando como missionário na Amazônia, o religioso disse que o maior valor do povo daquela região é a “hospitalidade”. “A gente se sente em casa onde vai. As pessoas te acolhem, te oferecem amor e carinho e o pouco que têm”, disse.

Dom Adolfo é encantado pelo bioma. “A Amazônia é um lugar precioso que nos ajuda a vivenciar uma autêntica experiência de Deus. O silêncio da floresta, a frondosidade das árvores, a admiração que este ambiente cria na gente, são elementos que criam as condições para ter esta experiência”, enaltece.

A Igreja na Amazônia, segundo dom Adolfo Zon Pereira, pode ajudar a atender ao pedido da Igreja no Brasil de ajudar as pessoas a fazer o encontro com Cristo, por meio da iniciação à vida cristã. “Eu creio que a nossa Igreja na Amazônia tem condições muito especiais para ajudar a fazer este encontro com Cristo e sermos discípulos missionários que se preocupam com a casa comum”, conclui.

CNNBB

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Missão Paz participa de atividade do Fórum de Participação Social do CNIg

O Conselho Nacional de Imigração (CNIg), com apoio do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do Observatório das Migrações Internacionais (OBmigra), realizou no dia 4 de agosto em São Paulo uma atividade com a sociedade civil, dando continuidade às ações do Fórum de Participação Social do CNIg.

Os objetivos dos trabalhos foram de recolher contribuições da sociedade civil para a regulamentação da nova lei de migração e aportes para delinear a posição do Brasil na negociação do Pacto Global para Migrações. 


Da Missão Paz participaram Letícia Carvalho, Miguel Ahumada e Pe. Paolo Parise. Letícia deu suas contribuições no grupo de trabalho “Vistos e autorizações de residência”, Miguel no grupo “Brasil e o Pacto Global das Migrações” e Paolo no da “Sociedade civil na formulação das políticas migratórias”.

 

Missão Paz

http://www.miguelimigrante.blogspot.com

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Tráfico de pessoas é “um tumor mundial”, diz dom José Luiz Azcona, bispo-emérito de Marajó (PA)

O agostiniano recoleto, nascido em Navarra, na Espanha, Dom José Luiz Azcona, tem uma história de grande significado para a luta contra o tráfico humano de pessoas e a prostituição infantil, especialmente na Ilha do Marajó, no Pará. Nomeado bispo por São João Paulo II, em 1987, ele permaneceu na prelazia marajoara até a renúncia ao governo pastoral, no ano passado. Como bispo emérito, ele participou da reunião promovida pela Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora, em Brasília, encerrada nesta terça-feira, 01 de agosto. Dom Azcona está entre as pessoas ameaçadas de morte. Depois que se tornou emérito, dom Azcona continua morando no Marajó. Ele falou com a Assessoria de Imprensa da CNBB.
Como o senhor vê, hoje, a situação do tráfico de pessoas no Brasil?
A pergunta é difícil de responder porque os dados estatísticos oficiais não são confiáveis pela dificuldade de extraí-los de um modo objetivo e científico de uma realidade em si mesma oculta, secreta e em cujo segredo está o êxito perverso das organizações que se dedicam a este tipo de atividade.
De uma maneira geral, se poderia dizer, ao meu modo de ver, que continua da mesma maneira, ou talvez incrementada esta atividade devido a impunidade e da infiltração, cada vez mais intensa, de autoridades, da conivência de poderes, da organização desse tipo de instituição de perversidade e também pela falta de responsabilidade da sociedade. É aquele “fazer de conta que não vê”, quando a verdade do tráfico humano é tão evidente.
Creio que é bom destacar que não é somente no Pará, não é somente na Amazônia que essa situação e esse fenômeno se evidencia com mais clareza, mas também em ouros lugares. Se fizermos uma análise uma panorâmica rápida, não há uma diferença grande entre São Luís do Maranhão e o Pará. Da cidade de Fortaleza, por exemplo, saem expedições constantes de mulheres para a Itália, para a Eslovênia, com intuito de tráfico humano para serviços sexuais. Lá também se verifica a prostituição infantil como oferta, não como tráfico para o exterior, mas presente no turismo sexual. Se descermos, vamos ver que em Recife não deve ser muito diferente. Na Bahia e o Rio de Janeiro, do mesmo modo. E não se trata de uma situação apenas do litoral brasileiro, porque também no interior, nas estradas acontece o tráfico humano.
Eu me lembro de um determinado estado do Brasil, por ocasião daquele ano que o tráfico humano foi tema da Campanha da Fraternidade, fui convidado para falar diante dos presbíteros, das lideranças leigas e quando terminei a minha exposição, levantou-se uma senhora e disse: “Isso que o senhor falou também acontece aqui entre nós, não é preciso ir ver isso somente no Marajó, na Amazônia. Aqui acontece isso. Aqui existem grupos organizados que enviam jovens para a exploração sexual tanto para o norte do Brasil como para o estrangeiro. E nesses grupos há pessoas que participam da missa todos os domingos e eu gostaria muito que essa Campanha da Fraternidade fosse assumida com toda a seriedade pelos párocos e por todos os presbíteros”.
A minha resposta, portanto, é genérica, mas suficientemente clara para indicar: a situação de risco gravíssimo em que se encontram muitas mulheres e também homens jovens de serem traficados é evidente e é um perigo grave.
O senhor poderia traçar um perfil de quem é aquele que pratica o tráfico humano?
Não, eu não conseguiria traçar um perfil. Existem, claro, em nível internacional os chefes de máfias. Organismos internacionais que possuem um grande poder econômico que influenciam, às vezes, os políticos e o Judiciário. Eles influenciam deputados e empresários e isto é verdadeiramente um problema grave. São coisas que são feitas entre poderosos.
Lemos, por exemplo, que até nos Estados Unidos, algumas autoridades, talvez até ex presidentes, estão ou estiveram envolvidas no tráfico humano, sobretudo no tráfico de menores para atividades sexuais. Provar não é possível, mas a voz é recorrente e continuada. Podem existir e existem grandes autoridades envolvidas. Outro exemplo igual ocorre na Inglaterra. Na verdade, é um fenômeno mundial. Aquilo que parece um fenômeno, uma praga, uma chaga brasileira ou somente da Amazônia é um tumor que ameaça toda a humanidade e que está diante de nós, mas traçar um perfil direto do traficante, eu não poderia.
Quais as motivações, na opinião do senhor, que levam as pessoas a se tornarem vítimas do tráfico humano?
Me lembro que uma entrevista feita pela Globo, em 2010, num município do Marajó onde fui bispo durante 30 anos. A pergunta não era propriamente sobre tráfico humano, mas sobre prostituição. O repórter perguntou a uma menina de 16 anos: “Por que você se prostitui? Seus pais passam fome, estão desempregados? ” Ela respondeu: “meus pais trabalham, temos uma família que não passa fome, estamos bem. Agora, eu gostaria de ter perfume, ter certo tipo de sapatos, roupas e por isso me prostituo”.
Essa motivação tem por trás a ideologia da Mídia em apresentar um mundo feminino realizado ligado a isso, à exterioridade de possuir a beleza corporal e nada mais. E isto está, comprovadamente, entre os motivos do tráfico humano.
Mais forte ainda do que isso está a necessidade de sobrevivência. Lá entre nós, por exemplo, a população é carente. Nós temos um município, Melgas, com o IDH mais baixo do Brasil. E perto dele temos mais outros dois municípios que estão entre os dez mais pobres do Brasil. Mulheres, sobretudo mulheres, saem do Marajó para sobreviver, par anão passar fome. Depois, um lugar onde há muita injustiça, onde a distribuição desigual da renda é evidente e o desemprego estrutural é tão claro que um grande número de mulheres tem como motivação principal busca da sobrevivência e de promover-se na vida fugindo do inferno, que as vezes, é o Marajó.
Por outra parte, existe um grande número delas que sai e não são traficadas. Elas têm baixa educação, não tem preparação para a vida de quase nada e são culturalmente fechadas. Há, ainda, outras motivações que são: conhecer o mundo, o primeiro mundo, conhecer o que é ter um carro, ter uma casa.
E sobre a realidade das crianças? O tráfico e a prostituição infantil?
Sei que no Marajó eram, possivelmente continuam sendo traficadas meninas e meninos para a França por meio da Guiana Francesa para a venda de órgãos. Isso existia. Sobre o tráfico de crianças antes de nascer, eu conheço uma realidade que envolvem pessoas do Suriname. Elas vão ao Marajó para buscar mulheres saudáveis, bonitas, estabelecendo com elas até mesmo um contrato, com a condição que elas se deixem engravidar por homens que conhecerão em momento oportuno. Para isso, receberão uma taxa de 20 a 25 mil reais ou coisa semelhante. Assinados esses contratos, elas iam para o Suriname, e repito, talvez continuem indo, porque nossas autoridades são muito omissas. Lá no Suriname, essas mulheres se engravidam desses homens que são encaminhados por organizações internacionais. As crianças nascem e, por dois ou três anos, essas mulheres acompanham as crianças para cuidar e amamentar e depois elas têm que entregar os filhos sem saber o destino deles, sem saber nada.
O senhor tem sido ameaçado de morte por fazer denúncias sobre estas situações. O senhor tem medo?
O medo tem me acompanhado durante anos. Às vezes, ao sair do meu quarto para me dirigir a capela, pensava que atrás da porta poderia estar o meu assassino. Durante meses, eu tive esse pensamento. No corredor entre o quarto e a capela tem uma sacada e eu pensava que naquela direção poderia ter um rifle apontado para mim. E, muitas vezes, andando pelo interior, muitas vezes, o pensamento da morte me acompanha.
Creio que é um pensamento salutar porque, no meu caso, o medo não criou um sentimento de angústia e de ansiedade. Deus me deu a paz suficiente para enfrentar com reflexão e com sinceridade também a situação em que me encontrava. Entrando por mares e rios, num barco de uma paróquia, é possível que uma lancha rápida com uma metralhadora possa terminar conosco. Em menos de dois minutos, podem matar nós todos.
Eu tenho dito e dei este testemunho em Roma diante de mil sacerdotes em um retiro espiritual em São João de Latrão: “irmãos, não tenham medo. A Igreja está sendo chamada para o martírio, como nos tinha falado um bispo da Síria onde mulheres e homens tinham sido crucificados, adolescentes decapitados por não renegarem a fé em Cristo. E é Cristo que nos está chamando para dar esse mesmo testemunho com a nossa vida. E nós, que somos os pastores, devemos ir na frente. Não tenham medo. Aqui vos fala alguém que é um covarde, que sou eu, mas que sabe que o Espírito Santo dá a força, a fortaleza e a coragem para enfrentar a morte. Olhar nos olhos da morte e detrás deles ver o Ressuscitado. Para isso, tive que rezar porque considero que se alguém quer realmente encontrar paz em entregar-se à morte por Cristo e pelos irmãos, ele tem que rezar. Até que Deus ouviu, ouviu a minha oração e me deu essa paz fundamental para dizer: Senhor, aqui estou e estou disposto a morrer por Ele, pelo Evangelho. E, na verdade, para mim, hoje, e desde que Deus me deu esta convicção da possibilidade de poder morrer pelo Evangelho e pelos irmãos sinto que  esta seria a melhor, mais alegre e plenificante saída desde mundo para minha vida humana, religiosa e episcopal.
CNBB
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O silêncio das ruas revela que não há mais esperança nas instituições brasileiras

 

Dom Luiz Demétrio Valentini, bispo-emérito de Jales (SP), esteve em Brasília-DF, dias 31 de julho e 1º de agosto, para o encontro dos bispos da área social e os que integram a Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).  Natural de São Valentim (RS), o religioso, que presidiu a Cáritas Brasileira por dois mandatos, concedeu entrevista ao Portal da CNBBsobre a crise brasileira. Para ele, o silêncio das ruas não é uma concordância tácita com o que está acontecendo, como alguns querem fazer acreditar. Pelo contrário, “é um sintoma preocupante de que não temos mais esperanças e sinais concretos para recuperar o rumo da caminhada histórica do Brasil”.

De acordo com o bispo-emérito, o poder Judiciário e o Congresso Nacional estão instrumentalizados para salvar os seus próprios privilégios. “Não se pode permitir que ministros do Supremo Tribunal Federal façam do seu cargo uma opção política partidária a ser defendida publicamente. Isto diminui a legitimidade, a confiança e é perigoso para uma nação”, disse. Dom Demétrio disse que os grandes interesses convergiram e o presidente que temos agora serve de instrumento da execução destes interesses escusos que não são publicados.

Segundo o bispo, “o trecho do cântico de Jeremias (Cântico Jr 14,17-21): “Até o profeta e o sacerdote perambulam pela terra sem saber o que se passa”, é uma descrição simbólica do que estamos vivendo no país. O religioso afirma que torna-se necessário ajudar o povo brasileiro a reencontrar sua identidade e destino históricos, sua feição cultural, sua tradição e fazer convergir todas estas realidades para que a cidadania brasileira reencontre os rumos do país. Leia abaixo a íntegra da entrevista que ele concedeu ao Portal da CNBB.

Portal CNBB – Como avalia a crise política brasileira?
Dom Demétrio – Certamente, estamos vivendo um momento difícil, todos reconhecem, no qual há uma perca da identidade do povo brasileiro. Se torna necessário ajudar o povo brasileiro a reencontrar sua identidade e destino históricos, sua feição cultural, sua tradição e fazer convergir todas estas realidades para recuperarmos um projeto de Nação. Estamos esquecendo nosso projeto de nação. Estamos sentindo novamente a necessidade de fazer, por exemplo, uma nova semana social brasileira para que a Igreja possa cumprir esta tarefa importante que tem de identificar e saber o que está acontecendo. Como diz o cântico de Jeremias: “Até o sacerdote e o profeta perambulam pela rua sem saber o que acontece”. É um pouco a descrição simbólica da realidade que estamos vivendo agora. A ausência de posicionamento revela de um lado um descrédito muito grande. Uma distância sempre crescente entre as estruturas sociais políticas e a vida do povo brasileiro. De tal modo que há um descrédito generalizado. Não é uma concordância tácita não, como alguns pretendem instrumentalizar este silêncio das ruas. É um sintoma preocupante de que não temos mais esperanças, sinais concretos de referências práticas para recuperar o rumo da nossa caminhada histórica do Brasil. Estamos vivendo um momento difícil que se caracteriza, sobretudo, pelo descrédito das instituições e por sua incapacidade em recuperar e superar a pecha sempre crescente da sua falta de legitimidade perante o povo brasileiro. Estamos vivendo um momento muito difícil no Brasil e precisamos nos rearticular, enquanto Pastorais Sociais da CNBB como um todo, e retomar nossa missão profética de questionar os equívocos que estão acontecendo, os erros praticados e projetar para frente um novo projeto de Brasil que queremos.

Portal CNBB – Como avalia os passos do Michel Temer depois do impeachment da presidenta Dilma Rousseff?
Dom Demétrio – Se há dificuldades de convergências em torno de um projeto de país por outro se criou uma convergência que assusta. Interesses que estão se consolidando e convergindo para que se instrumentalizem o Congresso Nacional e o poder judiciário para salvar os próprios privilégios. Há uma espécie de trama que está sendo orquestrada para que isto se torne invisível e leve o Congresso a retrocessos políticos como, por exemplo, o que estamos assistindo com a nova lei trabalhista aprovada e a nova a lei da previdência social que estão propondo. Existe um interesse do liberalismo econômico que está voltando com força, como se a solução do Brasil fosse voltarmos aos tempos da revolução industrial em que se confrontavam os pequenos contra os poderosos, sempre com desvantagem evidente para os pequenos. Agora estamos assistindo esta realidade em que os grandes interesses convergiram e o presidente que temos serve de instrumento da execução destes interesses escusos que não são publicados, mas que aos poucos precisamos identificar para nos posicionar diante da crise política que estamos vivendo.

Portal CNBB – Como avalia o papel que o judiciário está desempenhando neste contexto de crise?
Dom Demétrio – Infelizmente ele também padece de credibilidade. Poucos têm segurança em pensar no Supremo Tribunal Federal e em outras instâncias da Justiça Brasileira. Existe uma insegurança e uma mescla de ações e atitudes que são claramente partidárias. Por exemplo, não se pode permitir que ministros do Supremo Tribunal Federal façam do seu cargo uma opção política partidária a ser defendida publicamente. Isto diminui a legitimidade, a confiança e é perigoso para uma nação. Quando se perde a confiança no judiciário estamos no limite da credibilidade fundamental que é preciso que exista, minimamente, para se levar em frente um projeto de país. Então o próprio Judiciário precisaria se questionar e deixar de ter posicionamento partidário e voltar a cumprir sua missão de ser a instância capaz de discernir e fazer as ponderações necessárias e avaliar bem para tomar decisões com legitimidade. A falta de credibilidade do judiciário é mais um sintoma da crise que estamos vivendo.

Portal CNBB – Neste contexto de crise das instituições e da própria democracia no Brasil, qual deve ser o papel da Igreja?
Dom Demétrio
 – Precisamos retomar a intuição de uma Constituinte para de novo repropor um projeto de país. Neste sentido, a Igreja se sente próxima ao povo, e deve se tornar mais próxima ainda, para poder recolher e ajudar a articular. Falta articulação no país agora, falta uma mediação e não existem instâncias que têm credibilidade para fazer esta mediação. Penso que a Igreja pode propor e se apresentar, não como aquela que tem a solução, mas com quem estimula a cidadania brasileira a reencontrar os rumos do país. Penso que a Igreja não pode fechar os olhos e não se omitir, precisa enfrentar o desafio de compreender a realidade e perceber quais são os interesses que estão em jogo e não se deixar instrumentalizar. Existe um desafio bem concreto para a Igreja de voltar a assumir a causa do país para que a cidadania possa retomar a sua vigência, sua ação concreta e sua articulação em benefício de toda a nação brasileira.

“A ausência de posicionamento revela de um lado um descrédito muito grande. Uma distância sempre crescente entre as estruturas sociais políticas e a vida do povo brasileiro”.

CNBB

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Famílias de classe alta mantêm imigrantes em condições análogas à escravos em São Paulo

 Força-tarefa que uniu Ministério Público do Trabalho (MPT) em São Paulo e demais órgão parceiros investiga esquema de agenciamento de pessoas para trabalho doméstico em residências de alto poder aquisitivo no Brasil. As agências Global Talent e SDI são apontadas como responsáveis pelo aliciamento de trabalhadores em investigação que começou no MPT em 2014 contra a primeira empresa.

Segundo os documentos obtidos em diligência da força-tarefa nos escritórios das empresas, as estrangeiras são aliciadas nas Filipinas, em Chipre, Hong Kong, Dubai, Cingapura e no Nepal com falsas promessas de trabalho doméstico em residências de alto padrão em São Paulo.

As trabalhadoras pagam taxas de mais de U$ 2.500,00 (mais de R$ 7.000,00) à agência para serem trazidas ao Brasil, após serem enganadas por anúncios oferecendo vagas com salário de U$ 700,00 (cerca de R$ 2.200,00) e benefícios como décimo terceiro e bônus de horas extras. Ao chegarem, são conduzidas, sem contrato formal de trabalho ou qualquer garantia de direitos, a famílias dispostas a pagar mais de R$ 10 mil à agência em troca das trabalhadoras.

Nas residências, sofrem maus tratos e são submetidas a jornadas que podem ir das 6h da manhã às 8h da noite, de domingo a domingo. Há relatos de mulheres obrigadas a ficar à disposição dos patrões 24 horas por dia. Segundo documentos obtidos na fiscalização, 180 pessoas foram trazidas ao Brasil através dessas intermediações. Muitas delas não mantêm mais qualquer contato com a agência e vivem no Brasil sem identificação ou documentos regulares de imigração.

A Global Talent (na época chamada Domésticas Internacionais CMIS Brasil) está na mira do MPT desde 2014, após denúncia anônima encaminhada naquele ano pela Secretaria da Justiça de São Paulo (via Disque 100). Segundo a denunciante anônima, quando chegou ao Brasil vinda das Filipinas teve seus documentos retidos, recebeu valor bem abaixo da remuneração prometida foi constantemente ameaçada de deportação caso tentasse denunciar. Naquele mesmo ano, a Global Talent firmou Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o MPT comprometendo-se a formalizar ou auxiliar a formalização do contrato de trabalho de estrangeiros cuja mão-de-obra tivessem intermediado. Além disso, deveria regularizar documentos de trabalhadores contratados antes da entrada no território nacional, com obtenção de concessão de autorização de trabalho fornecida pelo Conselho Nacional de Imigração (CNIG) e também de visto temporário ou permanente fornecido pelo Ministério das Relações Exteriores. O acordo foi encaminhado ao Conselho Nacional de Imigração, Ministério do Trabalho e à Polícia Federal.

Em 2017, fiscalização do Ministério do Trabalho, a pedido do MPT, constatou que a Global Talent continuava intermediando mão de obra sem as devidas formalizações, o que reabriu as investigações. No mesmo ano, 3 filipinas fugiram das residências onde trabalhavam e recorreram à Missão Paz, que fez a denúncia formal ao MPT. Na mesma semana as trabalhadoras foram ouvidas pessoalmente no MPT-SP, sendo constatadas condições degradantes de trabalho. O Ministério do Trabalho participou da audiência no MPT em que ficou decidido que os órgãos, em conjunto, realizariam diligência nos escritórios dos denunciados.

MPT-São Paulo

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Copa da Integração entre refugiados e migrantes tem início neste fim de semana em São Paulo

Campeonato em São Paulo aborda integração de refugiados por meio do esporte. Foto: ACNUR/Emiliano Capozoli

Torneio reunirá refugiados, solicitantes de refúgio e migrantes de mais de 20 países para uma série de amistosos de futebol no SESC Itaquera. Iniciativa é promovida pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), em parceria com a sociedade civil organizada e o setor privado.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) promove a partir do próximo domingo (30) a Copa da Integração em São Paulo, série amistosos de futebol que terão, como protagonistas, refugiados, solicitantes de refúgios e migrantes residentes na capital do estado. Jogos serão realizados no SESC Itaquera, a partir das 10h.
As partidas contarão com regras especiais, desenvolvidas com base no processo de integração dos participantes à sociedade brasileira. Por exemplo, as equipes serão compostas de forma mista, envolvendo em um mesmo time homens e mulheres de diferentes nacionalidades e status de permanência.
“Esta é uma forma de valorizar as diferenças, sejam elas de gênero, cultura, nacionalidade ou idade. Essas diferenças são apenas elementos que enriquecem a sociedade, contribuindo para o respeito e para a diversidade”, afirma Jean Katumba, refugiado congolês e idealizador do projeto que vive no Brasil há quatro anos.
As pessoas que participarão da Copa de Integração são provenientes de mais de 20 países e moram nos abrigos públicos de São Paulo, como a Casa de Passagem Terra Nova, a Casa de Acolhida Nossa Senhora Aparecida, Sefras Migrante, o Arsenal da Esperança, a Casa São Lázaro, a Associação Palotina e o centro de imigrantes da Missão Scalabriana.
Essa é a quarta edição do campeonato. Torneio está sendo organizado em parceria com a organização África do Coração, com a Cáritas Arquidiocesana de São Paulo e com o SESC-SP. Competição também recebe o apoio das empresas Netshoes e Sodexo.
“O esporte é um meio efetivo de integração porque promove a sociabilização, propicia a vivência do lazer e atua como um exercício de saúde mental para essas pessoas que enfrentaram situações muito delicadas. A Copa da Integração traz uma visibilidade muito positiva ao contexto das pessoas em situação de refúgio, reforçando suas capacidades e resiliência”, reconhece a chefe do escritório do ACNUR em São Paulo, Isabela Mazão.
A empresa Sodexo, parceira da agência no evento, disponibilizará kits de alimentação para os jogadores. “Para nós da Sodexo, poder contribuir para a realização da Copa da Integração está em linha com nossos valores e com o que praticamos como valorização das pessoas e dos nossos colaboradores. É na diversidade que está a criatividade, a inovação e o futuro das organizações”, afirma Djalma Scartezini, líder de Diversidade e Inclusão da empresa.
Para Gabriela Platinetty, diretora de marketing da Netshoes, a empresa “sabe do poder de união e de inspiração do esporte e acreditamos que este é um forte meio de mudança da vida das pessoas, o que é ainda mais latente quando se discute a inclusão, uma preocupação constante relacionada aos refugiados”.
Além da Copa da Integração, que terá início no próximo domingo, esses mesmos parceiros institucionais estarão envolvidos na realização da IV Copa dos Refugiados, que acontecerá em agosto, nos dias 13, 20 e 27. O campeonato será disputado por 16 seleções compostas por refugiados também residentes em São Paulo. Iniciativa é da África do Coração.
Copa de Integração das pessoas refugiadas e migrantes
Datas: 30 de julho
Local: Sesc Itaquera
Horário: das 10hs às 16hs
Entrada gratuita
Acnur
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Nova medalha do Vaticano retrata apelo de Papa à imigração

O Vaticano lançará na próxima sexta-feira (28) uma medalha comemorativa pelos cinco anos do pontificado do papa Francisco e a qual retratará o constante apelo de proteção a imigrantes e refugiados feito pelo líder católico.
A moeda terá a inscrição “Franciscus P.P. Anno V MMXVIII” e falará de imigração, com uma frase sobre “acolhimento dos que fogem de suas pátrias em busca de um futuro melhor” – “hospes eram et collegistis me (Mt 25,35)”.
A imagem representada na moeda mostra um homem sentado no chão com a aparência de Jesus Cristo e estendendo a mão em sinal de acolhimento. A peça foi produzida pela artista italiana Mariangela Crisciotti e cada exemplar adquirido virá com um certificado de garantia, número de série e carimbo da Secretaria de Estado do Vaticano.
Há as versões em ouro, prata e bronze. O argentino Jorge Mario Bergoglio foi eleito Papa em março de 2013, após a renúncia de Bento XVI.
Vaticano
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Mulheres negras e indígenas saem às ruas contra a violência nesta terça

mulheres negras

Contra as opressões que ainda imperam na sociedade e com o lema “Por nós, por todas nós, pelo bem viver”, mulheres negras e indígenas de São Paulo saem às ruas nesta terça-feira (25) para denunciar o racismo, o machismo e a violência. A iniciativa celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, instituído em 1992 no 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, com o intuito de dar visibilidade à luta de mulheres negras no continente, e o Dia Nacional de Tereza de Benguela, líder do quilombo Quariterê no Mato Grosso em meados do século 18, comemorados nesta terça.

As ações são capitaneadas pela Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, em articulação com mais de 50 entidades do movimento negro e de mulheres, como o Geledés Instituto da Mulher Negra, União de Negros pela Igualdade (Unegro), Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), Marcha Mundial de Mulheres (MMM), dentre outros.

“Queremos colocar a pauta do genocídio do povo negro, do feminicídio e do encarceramento em massa no centro do debate político”, afirma Juliana Gonçalves, integrante da marcha. Segundo ela, a violência contra as mulheres negras, seja em função da cor, do gênero, da orientação sexual ou por intolerância religiosa, vem crescendo “exponencialmente” nos últimos anos. “Marchamos porque queremos viver.”

Em São Paulo, este é o segundo ano em que as mulheres negras marcam a data. Já em 2015, juntamente com outras organizações nacionais, a marcha reuniu mais de 50 mil mulheres em Brasília.

As mulheres negras se manifestam também contra o governo Temer e seus projetos de reformas que retiram direitos: “Os golpistas impõem uma reforma trabalhista que acaba com a CLT. Mesmo sendo a maioria de trabalhadoras informais, com dificuldade de acesso a benefícios trabalhistas, as mudanças nas leis do trabalho nos atingem porque quando todo mundo perde, nós negras e indígenas perdemos mais que todos”, diz um trecho do manifesto das mulheres negras.

Elas também criticam o projeto de reforma da Previdência, que “vai nos fazer trabalhar até morrer”. “A gente chama de reformas genocidas, porque, a longo prazo, vão vitimizar, de maneira definitiva, parcelas da população, e em especial, a parcela preta e pobre”, diz a integrante da Marcha.

Para além dos slogans “Fora, Temer” e “Diretas Já”, Juliana reivindica uma democracia de fato: “Hoje, não vivemos numa democracia. Com o golpe, com o Temer, a gente percebe que estamos à parte deste sistema”, ressalta Juliana. Ela diz que políticas públicas em saúde e educação, voltadas à população negra, vêm sendo “esvaziadas” pelo governo Temer.

Em São Paulo, as mulheres denunciam a falta de vagas em creches, falta de medicamentos nas UBSs e cortes no programa Leve Leite, dentre outras medidas da gestão Doria que estão “vilipendiando os direitos das mulheres negras e pobres”. Ela também destaca a política higienista e de “criminalização da pobreza”, promovidas por Doria contra usuários na Cracolândia e contra moradores de rua, que também colocam a população negra como alvo preferencial. “A pobreza, não só em São Paulo, mas no Brasil, tem cor e sexo: é preta e feminina”, diz ela.

Marcha das Mulheres Negras de São Paulo se concentra a partir das 17h na Praça Roosevelt, no centro da capital paulista. Além das falas políticas, a marcha também conta com atrações culturais, com presenças do grupo Ilú Obá De Min, da DJ Luana Hansen, Mc Soffia, e intervenções artísticas.

De lá, elas seguem para o Largo do Paissandu, também no centro, onde encerram as mobilizações, que o movimento luta para que seja rebatizado como Largo 25 de Julho, para consolidar as comemorações do Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha.

Caso queiram e necessitem, as mulheres mães poderão deixar seus filhos pequenos na creche que vai funcionar no Centro de Memória do Circo, na Galeria Olido, na Avenida São João, 473 (sobreloja) – para usar o serviço basta preencher um formulário virtual.

Rede Brasil Atual 

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Furos, perseguição e mulheres no comando: a cara do novo jornalismo na América Latina

Em março de 2016, a Agência Pública lançou o Mapa do Jornalismo Independente. Mapeamos mais de 80 iniciativas de jornalismo nascidas na rede Brasil afora. Perguntamos como essas organizações se financiam, quando foram fundadas e o que elas cobrem. Na quinta-feira (20), a SembraMedia, organização parceira que se dedica a apoiar empreendedores de mídia, lançou um relatório ainda mais amplo. Chamado “Ponto de Inflexão”, ele avalia o impacto gerado por organizações de jornalismo digital em quatro países da América Latina.

O estudo leva em consideração informações de 100 organizações: 25 do México, 25 da Colômbia, 25 da Argentina e 25 do Brasil (incluindo a Pública) e se aprofunda em questões como financiamento, impacto, vulnerabilidade, audiência e formação de equipes. Também é possível encontrar recomendações de como fortalecer uma organização de digital jornalismo.

Uma das grandes descobertas é que os jornalistas empreendedores não estão somente produzindo notícias, mas são agentes de mudanças: promovem melhoria das leis, defendem direitos humanos, expõem a corrupção e lutam contra o abuso de poder. Produzem jornalismo independente em países altamente polarizados do ponto de vista político.

O bom trabalho não vem sem retaliações; quase metade das organizações entrevistadas para o relatório reportaram ter sofrido ameaças ou ataques físicos por conta de seu trabalho. Mais de 20% admitiram ter evitado cobrir certos assuntos, pessoas e instituições por conta de intimidação. Outros enfrentam processos na justiça, ciber-ataques, auditorias intermináveis, perda de receitas publicitárias. No México, o jornalista Luis Cardona foi sequestrado por homens armados e ameaçado de morte por investigar os desaparecimentos de 15 jovens trabalhadores do tráfico de drogas. Cardona contou a história nesta animação.

É crescente o número de meios nativos da América Latina que desenvolveu negócios sustentáveis através do jornalismo partido do zero: mais de 70% começaram com menos de 10 mil dólares.

Verba publicitária ainda é chave

Para produzir o relatório, a SembraMedia separou as 100 organizações em quatro níveis. No nível mais alto estão organizações que têm mais de 20 milhões de acessos por mês e cuja principal fonte de receita é a publicidade. Já as organizações de nível intermediário contam com fontes de receita variadas, como consultoria, eventos, crowdfunding e publicidade.

A SembraMedia aponta mais de 15 formas de geração de receita – vale ler para ter ideias! Das organizações analisadas, mais de 65% informaram ter pelo menos três fontes de financiamento.

Segundo o relatório, os meios digitais independentes da América Latina estão cobrindo comunidades desatendidas, produzindo conteúdo original e escrevendo histórias sobre assuntos que antes eram tabus. “Desde o início, vimos o espaço onde se poderia publicar coisas que seriam difíceis de publicar na mídia tradicional dominante como nosso principal valor… Não estamos lutando por furos. Estamos interessados em aprofundar, mesmo que isso signifique que saímos depois dos outros. Um de nossos lemas é: ‘Não contamos primeiro, contamos melhor’”, diz Daniela Pastrana, diretora do Pie de Pagina, uma das organizações analisadas no México.

Para ter impacto, muitos dos meios independentes – assim como a Pública – trabalham para ter suas reportagens republicadas em veículos grandes ou internacionais. Essa prática, além de trazer credibilidade, provoca a pressão externa sobre governos. Dos sites pesquisados, 72% disseram que seu trabalho jornalístico original influenciou a cobertura de veículos de comunicação nacionais em seus países.

Outra descoberta do relatório é que 62% dos sites estudados tiveram mulheres envolvidas em sua criação. O número contrasta com a direção na imprensa tradicional no continente, ainda composta majoritariamente por homens. Dos 100, 57 contam com mulheres na direção.

Além dos números, a SembraMedia reúne histórias de diversos sites de jornalismo independente da América Latina. O relatório completo está disponível aqui.

Agencia Publica

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Organização internacional divulga relatório em que aponta que o Brasil é o país mais perigoso para lutar por direitos e pelo meio ambiente

Segundo eles, a indústria madeireira está vinculada a 16 assassinatos, enquanto proprietários de terras são suspeitos de perpetrarem vários assassinatos na Amazônia. “O governo diminuiu a legislação ambiental e debilitou instituições de direitos humanos”, afirmam.

O Brasil tem sido sistematicamente o país mais funesto para defensoras e defensores do meio ambiente e para os que lutam pela permanência na terra e em seus territórios, desde que a Global Witness começou a compilar dados mundiais. Em 2016, um espantoso número de 49 pessoas foram assassinadas por protegerem suas terras: 16 delas defendendo as ricas florestas brasileiras dos madeireiros ilegais e um número cada vez maior, lutando contra a expansão do agronegócio e o seu poderoso lobby dentro do governo.

Para a ONG, apesar do chocante e crescente número de assassinatos, o governo brasileiro tem, na verdade, diminuído a proteção a defensoras e defensores ambientais. Quase imediatamente após assumir o poder, em agosto do ano passado, a administração de Michel Temer desmantelou o Ministério dos Direitos Humanos. O Programa Nacional de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos conta com poucos recursos e é ineficaz.

Os assassinatos são emblemáticos dos níveis extremos da violência rural no Brasil. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) atribui isso ao avanço agressivo, com respaldo estatal, de projetos empresariais – incluindo agronegócios, mineradoras e empresas de energia – sobre as terras de comunidades indígenas e tradicionais, assim como de pequenos agricultores, os quais têm organizado uma crescente resistência coletiva para enfrentar o problema. De acordo com a CPT, as raízes do conflito encontram-se na história do colonialismo e da escravidão no Brasil, e o fato de o governo nunca ter resolvido os problemas estruturais do setor agrário.

“É por isso que muitas organizações sugerem que o conflito só pode ser resolvido através da implementação da política de reforma agrária, estabelecida na Constituição Brasileira. No entanto, a forte influência da elite rural sobre a política nacional, a qual se aprofundou com a atual crise política, tem impedido que isso aconteça. Enquanto isso, a violência aumenta”, destaca a Global Witness. A CPT documentou 61 assassinatos devido a conflitos no campo no Brasil em 2016[1], maior número dos últimos 13 anos. Em 2017, a entidade já registrou, até o momento, 46 assassinatos em conflitos no campo.

Para a ONG estrangeira, “para deter o curso de assassinatos, o governo brasileiro deve fortalecer o seu apoio a defensoras e defensores do meio ambiente e da terra, especialmente nas áreas mais remotas do país”.

Acesse os materiais:

– Clique para ver o Estudo de caso Brasil

– Release em português sobre o relatório 

CPT

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Curso em São Paulo relaciona as migrações com os documentos sociais da Igreja Católica

Curso teve início na segunda (17) e vai até dia 21; objetivo é entender o contexto histórico dos documentos e ver a relação de cada um com as migrações
Por Rodrigo Borges Delfim
Em São Paulo (SP)
“Proponho uma viagem pela história, com cinco estações. Nelas, vamos mostrar dados históricos daquele momento, um documento da igreja sobre aquele momento e o contexto migratório daquele momento. É uma abordagem social da doutrina da igreja e o que ela tem a ver com as migrações”.
Foram com essas palavras que o padre Alfredo José Gonçalves, 64, abriu o curso “Migração e Doutrina Social da Igreja”, oferecido pelo Centro de Estudos Migratórios da Missão Paz, em São Paulo. Ex-assessor das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Pe. Alfredo (ou Alfredinho, como preferem alguns) é atualmente Vigário Geral da Congregação dos Missionários Scalabrinianos, em Roma (Itália) e tem alguns de seus textos republicados pelo MigraMundo.
As atividades começaram nesta segunda-feira (17) e vão até o dia 21 no auditório da Missão, todas com transmissão pela Web Radio Migrantes e por Ao Vivo no Facebook. O curso tem como objetivo entender o que é a Doutrina Social da Igreja (ou Ensino Social da Igreja, como é mais conhecido atualmente) o contexto histórico presente nos documentos que compõem esse conjunto, e ver a relação desse momento e da publicação com as migrações.
O Ensino Social da Igreja é composto do ensino de vários documentos sobre a questão social. Podem ser cartas, encíclica, decretos, exortações apostólicas, documentos papais ou locais que tratam da vida social das pessoas em um determinado momento.
“Todo documento tem um texto, um contexto e um pretexto”, resumiu Pe. Alfredo.
A primeira aula do curso, acompanhada pelo MigraMundo, teve como base a encíclica Rerum Novarum, publicada pelo pelo papa Leão XIII em 15 de maio de 1891, e que abordava a condição degradante dos operários industriais da época. Chamada por alguns de “Manifesto Comunista da Igreja”, essa encíclica é considerada ainda o marco inicial dos documentos sociais da Igreja.

Pe. Alfreso durante a primeira aula do curso Migração e Doutrina Social da Igreja.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Pe. Alfredo lembrou que a Revolução Industrial causava mudanças profundas na mentalidade e no cotidiano das sociedades no século XIX. Ao mesmo tempo que as cidades se desenvolviam, as condições de trabalho nas fábricas eram extremamente precárias.
“O mundo vivia uma grande agitação ‘febril’, que poderia se referir tanto a um corpo em febre [ou seja, doente, precisando de cuidados] como à expansão fabril que tomava conta das principais cidades europeias [Londres, Manchester, Paris, Berlim, Milão, entre outras]”.
Essa revolução, inclusive, está entre um dos motivadores da chamada “Grande Imigração”, que se deu entre o final do século XIX e meados do século XX da Europa em direção a outros continentes – em especial a América. Eram pessoas que iam para as cidades e não conseguiam emprego, ou já não conseguiam se manter com o trabalho no campo, devido ao avanço das indústrias sobre áreas produtivas para fornecimento de matérias-primas para o setor industrial. A migração se tornou, assim, uma opção – ainda que a contragosto – para esse contingente populacional.
A esse contexto, Pe. Alfredo lembrou de uma reflexão do beato Giovanni Scalabrini (fundador da Ordem Scalabriniana, que tem tradição no trabalho com migrantes) sobre a situação degradante dos passageiros da estação de trem de Milão naquela época. Eram pessoas que, em geral, aguardavam os trens para a cidade portuária de Gênova – principal ponto de partida dos navios que tinham o continente americano como destino.
Nas aulas seguintes, outros documentos sociais serão abordados segundo o mesmo esquema – texto, contexto e pretexto. Cada dia do curso será encarado como uma das “estações” da viagem histórica proposta pelo palestrante.

Curso conta com transmissão pela internet por meio da Rádio Migrantes e do Facebook da Missão Paz.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Ensino ou doutrina?
Pe. Alfredo lembra que embora o nome oficial seja Doutrina Social da Igreja, o termo mais usado hoje para designar esse conjunto é “Ensino Social da Igreja”, a partir de uma mudança proposta pelo papa Paulo VI em 1971 com a encíclica Octogesima Adveniens, que marca o aniversário de 80 anos da Rerum Novarum.
“Doutrina cheira a dogma, algo que não pode ser mexido. Já o ensino é algo mais dinâmico é aberto aos novos desafios que vem surgindo. Essa perspectiva tem uma abertura maior. São ensinamentos que podem surgir tanto no contexto local como global. Por isso Paulo VI passa a usar ‘ensinamento’ em vez de ‘doutrina’”.
De acordo com Pe. Alfredo, esses documentos marcam o início de uma nova sensibilidade da Igreja em relação aos temas sociais. “É o Evangelho atualizado, sob a perspectiva social”.
O padre lamentou o fato desses documentos ainda serem pouco aproveitados pelas comunidades mundo afora, mas frisou a importância de se conhecer e difundir tal conhecimento. “Isso não passa de um aperitivo para nós interessamos pelos documentos sociais da Igreja. Lá temos um tesouro que é a palavra da Igreja sobre as questões sociais”.
Migramundo
 
http://www.miguelimigrante.blogspot.com