Missão Paz : Migração, refúgio e Saúde – 6º DIÁLOGOS NO CEM/2017

O processo migratório submete migrantes e refugiados a estresses provocados por xenofobia, discriminação étnica/racial na busca por trabalho, moradia, documentação, educação, lazer, etc. Discutir e compreender os desdobramentos das migrações para a saúde pode contribuir para estratégias de acolhimento e formulação de políticas publicas que beneficiem os migrantes e a população autóctone. Também é importante compreender como são forjadas as trajetórias, experiências e construção de novos saberes dos profissionais de saúde no atendimento aos migrantes e suas famílias. 
 
 “Migração, refúgio e saúde” é o tema do 6º Diálogos no CEM que discutirá como a saúde física e mental é vivida no trabalho, no acesso ao SUS, na convivência familiar e no cotidiano de migrantes e refugiados. 
 
Participarão Júlia Jeng (especialista em medicina chinesa), Berenice Young (psicóloga), Elaine Cristina (coord. do Eixo Saúde da Missão Paz), e Sofia Feres, médica da ESF na UBS Sé (centro de São Paulo).
O Diálogos no CEM também será transmitido ao vivo pela Web Rádio Migrantes em Espanhol
 
e pelo Facebook  da Missão Paz – São  Paulo  https://www.facebook.com/missaopazsaopaulo/?fref=ts
 
Participe. As inscrições podem ser feitas no local ou pelo e-mail: cem@missaonspaz.org
 
Data: 18/08/2017
 
Hora: 14h00 às 16h30
 
Local: Missão Paz/Sala Scalabrini
Rua do Glicério, 225 – Bairro Liberdade
 
São Paulo-SP
 
Missão Paz
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Pastorais se encontram no VII Encontro Nacional do Setor Mobilidade Humana da CNBB

Pastorais se encontram no VII Encontro Nacional do Setor Mobilidade Humana da CNBB

Sob a expressão “mundo em movimento” se articulam e se abrigam o Apostolado do Mar, as pastorais dos Nômades, Refugiados, Rodoviária, Turismo, Migrantes, Nipo Brasileira, os Estudantes Internacionais e o trabalho pastoral na Tríplice Fronteira. Este grupo se reunirá no VII Encontro Nacional das Pastorais do Setor Mobilidade Humana, de 17 a 19 de agosto, no Recanto Assis, um centro de espiritualidade em Belo Horizonte (MG).

A atividade, organizada pela Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da qual o Setor Mobilidade Humana faz parte, tem como objetivo refletir sobre a conjuntura social, política e eclesial e sobre o tema da mobilidade humana para identificar os desafios e apontar as respostas para uma “Igreja em Saída”.

 

Participantes do 6º Encontro de Mobilidade Humana Foto: Arquivo Setor de Mobilidade Humana CNBB

Haverá um momento previsto, na pauta do encontro, para que cada pastoral e atividade apresente uma experiência significativa do trabalho desenvolvido desde o último encontro. Os participantes buscarão analisar a realidade da mobilidade humana para pensar a atuação pastoral a partir dos desafios.

 “Igreja em saída”
Segundo o bispo de Pesqueira (PE), dom José Luiz Ferreira Salles, bispo referencial do Setor de Mobilidade Humana da CNBB, este encontro vai buscar identificar os desafios e apontar respostas para uma Igreja em Saída, como pede o papa Francisco.

O bispo diz que as grandes preocupações que irão estar presentes nos debates são as violações aos direitos humanos, o tráfico de pessoas,  o contrabando de migrantes e o tema das políticas públicas. “Teremos que estar com o olhar atento, de modo especial, para a regulamentação da nova lei das migrações”, disse.

“Olhando para que o papa Francisco tem pedido à Igreja,  vamos vivenciar momentos de estudo e convivência fraterna para encontrar caminhos para, como Igreja no Brasil, realizar o sonho de Jesus: acolher, proteger, promover e integrar as pessoas em situação de migração”, disse.

Estão confirmados para participar deste encontro, além dos representantes das pastorais e ações do campo da mobilidade humana, os bispos dom Irineu Roman, auxiliar de Belém (PA) e referencial da Pastoral do Turismo; dom José Edson Santana Oliveira, bispo de Eunápolis (BA) e referencial da Pastoral dos Nômades; e dom José Luiz Ferreira Salles, bispo de Pesqueira (PE) e responsável pelo Setor Mobilidade Humana da CNBB.

CNBB

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Proteger os direitos dos povos indígenas é proteger os direitos de todos

 

Declaração, adotada pela Assembleia Geral da ONU em 13 de setembro de 2007, estabelece diretrizes universais de padrões mínimos de sobrevivência para a dignidade e o bem-estar dos povos indígenas do mundo. Foto: PNUD / Tiago Zenero

Dez anos depois da adoção da Declaração sobre os Direitos dos Povos Indígenas, diversos países avançaram em reconhecê-los formalmente, mas, frequentemente, eles continuam a enfrentar discriminação, marginalização e grandes desafios na garantia de seus direitos básicos.

“Enquanto os povos indígenas realizaram significativos avanços em defender seus direitos nos fóruns internacionais e regionais, a implementação da Declaração é obstruída pela persistente vulnerabilidade e exclusão, particularmente de mulheres, crianças, jovens e pessoas indígenas com deficiência”, disseram 40 entidades do Sistema ONU e outras organizações internacionais em comunicado conjunto emitido para o Dia Internacional dos Povos Indígenas, lembrado nesta quarta-feira (9).

A Declaração, adotada pela Assembleia Geral da ONU em 13 de setembro de 2007, estabelece diretrizes universais de padrões mínimos de sobrevivência para a dignidade e o bem-estar dos povos indígenas do mundo. É o instrumento internacional mais abrangente sobre os direitos coletivos dos povos indígenas, incluindo os direitos à autodeterminação, a terras tradicionais e cultura.

Declaração é ‘farol para o progresso’

“A Declaração, que levou mais de 20 anos para ser negociada, aparece hoje como um farol para o progresso, uma diretriz para a reconciliação e uma referência de direitos”, declararam em comunicado Victoria Tauli-Corpuz, relatora especial da ONU para os direitos dos povos indígenas, Mariam Wallet Aboubakrine, presidente do Fórum Permanente da ONU para Questões Indígenas, e o Mecanismo Especializado da ONU para os Direitos dos Povos Indígenas.

“Mas após uma década, precisamos reconhecer os vastos desafios que permanecem. Em muitos casos, os povos indígenas enfrentam agora dificuldades e violações de direitos ainda maiores do que enfrentavam dez anos atrás”, acrescentaram.

Apesar de alguns países terem tomado medidas constitucionais e legislativas para reconhecer seus direitos e identidades, a exclusão, a marginalização e a violência continuam disseminadas.

Com isso em mente, Irina Bokova, diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), disse que como guardiões e praticantes de culturas e relacionamento únicos com o ambiente natural, os povos indígenas personificam uma ampla gama de diversidade linguística e cultural da humanidade.

“Proteger seus direitos e dignidade é proteger o direito de todos e respeitar a alma da humanidade, assim como seu passado e futuro”, disse Irina.

Celebração do Dia Internacional dos Povos Indígenas

Especialistas e indígenas de Canadá, República do Congo, Equador e Namíbia celebrarão o Dia Internacional dos Povos Indígenas durante evento especial na sede da ONU em Nova Iorque, enquanto escritórios das Nações Unidas no mundo inteiro também realizam eventos e atividades, incluindo Austrália, Brasil, Colômbia e México.

A ONU firmou uma parceria com o Twitter para criar um emoji especial para o dia, que com a hashtag #SomosIndígenas, como uma forma de engajar usuários do mundo a promover os direitos dos povos indígenas.

Onu

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Carta do Encontro Nacional das Pastorais Sociais e Organismos da CNBB

De 1 a 4 de agosto de 2017, em Brasília (DF), as Pastorais Sociais, Organismos, Setor de Mobilidade Humana, juntamente com os bispos referenciais e articuladores regionais da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), manifestamos, junto com pessoas, povos e comunidades com quem partilhamos a vida, nossa perplexidade diante da conjuntura sociopolítica em nosso país.

Enquanto o governo federal insiste em fazer as reformas trabalhista e previdenciária argumentando que as mesmas são para diminuir os investimentos com as políticas públicas, as negociações feitas em relação a mais recente votação na Câmara Federal do dia 03 de agosto, comprometeu vultosos recursos públicos para garantir os votos necessários.

Nesse cenário, ficam cada vez mais claras as manobras e os patrocínios com jantares, conversas, privilégios para partidos, dentre outras. A impunidade prevalece sobre os direitos das pessoas e da justiça social, fazendo com que a indignação do povo brasileiro aumente a cada dia que passa.

Fazendo análise dessa realidade, chegamos à conclusão que, mais uma vez, os pobres, excluídos e marginalizados de nossa sociedade são os mais afetados por esse sistema perverso de fazer política, que privilegia o capital em detrimento da pessoa.

Nós, das Pastorais Sociais, levantamos um clamor com aqueles que sofrem, como diz Maria em seu cântico: “Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos” (Lc 1, 52). Pedimos a Deus nesse ano jubilar mariano, nos seus 300 anos de bênçãos, que olhe por nós, povo brasileiro, para que não esmoreçamos, ao contrário, continuemos a nossa jornada por um país igualitário e na perspectiva do bem viver.

 

Brasília, 04 de agosto de 2017.

Os participantes do Encontro Nacional das Pastorais Sociais, Setor da Mobilidade Humana e Articuladores Regionais

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Diversidade de povos, distâncias e tráfico são desafios da Igreja no Alto Solimões

Encravada na tríplice fronteira entre o Brasil, a Colômbia e a Venezuela, a sudoeste do Estado do Amazonas, a diocese de Altos Solimões, enfrenta grandes desafios para promover a Evangelização no maior bioma do planeta. Segundo dom Adolfo Zon Pereira, bispo da diocese, o primeiro desafio é o da diversidade de povos.

“Temos uma população formada por 6 povos indígenas no vale do Javari, numa área já demarcada, e outros 6 ao longo do rio Solimões, entre os quais se destacam o povo Ticuna, com cerca de 46 mil índios. Os ribeirinhos, mais caboclos, formados pelos cearenses e antigos seringueiros, e também o povo urbano”, disse. Estes povos, conforme o religioso, se misturam dentro das cidades e nas periferias marginalizadas.

Para desenvolver a evangelização em meio a diversidade de povos é necessário também que a evangelização seja diversificada, afirmou dom Adolfo. “Temos que partir de uma presença muito respeitosa no meio destes povos, de amizade, de companheirismo e de irmãos”, disse.

O bispo se ressente da falta de agentes pastorais. Mas à medida que os leigos vão assumindo seu protagonismo e as congregações vão colaborando com o envio de agentes, aos poucos, a diocese vai superando a carência de pessoas. Um exemplo é dos frades capuchinhos, franciscanos, que iniciaram um trabalho de evangelização mais inculturada junto ao povo Ticuna, continuado pela diocese. “Faz um mês, realizamos o rito de admissão de dois aspirantes ticunas ao diaconato. Com os índios estamos  fortalecendo a luta por direitos e por território”, comemora o bispo.

O desafio de chegar às comunidades da diocese distribuídas em sete paróquias numa extensão territorial de 131 mil km² é superado por meio de barcos que circulam por meio dos rios e das águas. “As distâncias são muito grandes. São dias para visitar as comunidades e aldeias. Através dos rios e igarapés nos fazemos presentes no meio destes povos”, disse.

Povo hospitaleiro
O tráfico de pessoas, de animais e de drogas é outro desafio enfrentado pela Igreja, presente na tríplice fronteira. “Estamos procurando criar oportunidades para o povo ter meio de vida e ganhar o próprio pão, não por meio do tráfico de drogas. Estamos investindo bastante também nas comunidades para que criem condições e sejam produtivas”, disse.

Após mais de 20 anos atuando como missionário na Amazônia, o religioso disse que o maior valor do povo daquela região é a “hospitalidade”. “A gente se sente em casa onde vai. As pessoas te acolhem, te oferecem amor e carinho e o pouco que têm”, disse.

Dom Adolfo é encantado pelo bioma. “A Amazônia é um lugar precioso que nos ajuda a vivenciar uma autêntica experiência de Deus. O silêncio da floresta, a frondosidade das árvores, a admiração que este ambiente cria na gente, são elementos que criam as condições para ter esta experiência”, enaltece.

A Igreja na Amazônia, segundo dom Adolfo Zon Pereira, pode ajudar a atender ao pedido da Igreja no Brasil de ajudar as pessoas a fazer o encontro com Cristo, por meio da iniciação à vida cristã. “Eu creio que a nossa Igreja na Amazônia tem condições muito especiais para ajudar a fazer este encontro com Cristo e sermos discípulos missionários que se preocupam com a casa comum”, conclui.

CNNBB

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Missão Paz participa de atividade do Fórum de Participação Social do CNIg

O Conselho Nacional de Imigração (CNIg), com apoio do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do Observatório das Migrações Internacionais (OBmigra), realizou no dia 4 de agosto em São Paulo uma atividade com a sociedade civil, dando continuidade às ações do Fórum de Participação Social do CNIg.

Os objetivos dos trabalhos foram de recolher contribuições da sociedade civil para a regulamentação da nova lei de migração e aportes para delinear a posição do Brasil na negociação do Pacto Global para Migrações. 


Da Missão Paz participaram Letícia Carvalho, Miguel Ahumada e Pe. Paolo Parise. Letícia deu suas contribuições no grupo de trabalho “Vistos e autorizações de residência”, Miguel no grupo “Brasil e o Pacto Global das Migrações” e Paolo no da “Sociedade civil na formulação das políticas migratórias”.

 

Missão Paz

http://www.miguelimigrante.blogspot.com

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Tráfico de pessoas é “um tumor mundial”, diz dom José Luiz Azcona, bispo-emérito de Marajó (PA)

O agostiniano recoleto, nascido em Navarra, na Espanha, Dom José Luiz Azcona, tem uma história de grande significado para a luta contra o tráfico humano de pessoas e a prostituição infantil, especialmente na Ilha do Marajó, no Pará. Nomeado bispo por São João Paulo II, em 1987, ele permaneceu na prelazia marajoara até a renúncia ao governo pastoral, no ano passado. Como bispo emérito, ele participou da reunião promovida pela Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora, em Brasília, encerrada nesta terça-feira, 01 de agosto. Dom Azcona está entre as pessoas ameaçadas de morte. Depois que se tornou emérito, dom Azcona continua morando no Marajó. Ele falou com a Assessoria de Imprensa da CNBB.
Como o senhor vê, hoje, a situação do tráfico de pessoas no Brasil?
A pergunta é difícil de responder porque os dados estatísticos oficiais não são confiáveis pela dificuldade de extraí-los de um modo objetivo e científico de uma realidade em si mesma oculta, secreta e em cujo segredo está o êxito perverso das organizações que se dedicam a este tipo de atividade.
De uma maneira geral, se poderia dizer, ao meu modo de ver, que continua da mesma maneira, ou talvez incrementada esta atividade devido a impunidade e da infiltração, cada vez mais intensa, de autoridades, da conivência de poderes, da organização desse tipo de instituição de perversidade e também pela falta de responsabilidade da sociedade. É aquele “fazer de conta que não vê”, quando a verdade do tráfico humano é tão evidente.
Creio que é bom destacar que não é somente no Pará, não é somente na Amazônia que essa situação e esse fenômeno se evidencia com mais clareza, mas também em ouros lugares. Se fizermos uma análise uma panorâmica rápida, não há uma diferença grande entre São Luís do Maranhão e o Pará. Da cidade de Fortaleza, por exemplo, saem expedições constantes de mulheres para a Itália, para a Eslovênia, com intuito de tráfico humano para serviços sexuais. Lá também se verifica a prostituição infantil como oferta, não como tráfico para o exterior, mas presente no turismo sexual. Se descermos, vamos ver que em Recife não deve ser muito diferente. Na Bahia e o Rio de Janeiro, do mesmo modo. E não se trata de uma situação apenas do litoral brasileiro, porque também no interior, nas estradas acontece o tráfico humano.
Eu me lembro de um determinado estado do Brasil, por ocasião daquele ano que o tráfico humano foi tema da Campanha da Fraternidade, fui convidado para falar diante dos presbíteros, das lideranças leigas e quando terminei a minha exposição, levantou-se uma senhora e disse: “Isso que o senhor falou também acontece aqui entre nós, não é preciso ir ver isso somente no Marajó, na Amazônia. Aqui acontece isso. Aqui existem grupos organizados que enviam jovens para a exploração sexual tanto para o norte do Brasil como para o estrangeiro. E nesses grupos há pessoas que participam da missa todos os domingos e eu gostaria muito que essa Campanha da Fraternidade fosse assumida com toda a seriedade pelos párocos e por todos os presbíteros”.
A minha resposta, portanto, é genérica, mas suficientemente clara para indicar: a situação de risco gravíssimo em que se encontram muitas mulheres e também homens jovens de serem traficados é evidente e é um perigo grave.
O senhor poderia traçar um perfil de quem é aquele que pratica o tráfico humano?
Não, eu não conseguiria traçar um perfil. Existem, claro, em nível internacional os chefes de máfias. Organismos internacionais que possuem um grande poder econômico que influenciam, às vezes, os políticos e o Judiciário. Eles influenciam deputados e empresários e isto é verdadeiramente um problema grave. São coisas que são feitas entre poderosos.
Lemos, por exemplo, que até nos Estados Unidos, algumas autoridades, talvez até ex presidentes, estão ou estiveram envolvidas no tráfico humano, sobretudo no tráfico de menores para atividades sexuais. Provar não é possível, mas a voz é recorrente e continuada. Podem existir e existem grandes autoridades envolvidas. Outro exemplo igual ocorre na Inglaterra. Na verdade, é um fenômeno mundial. Aquilo que parece um fenômeno, uma praga, uma chaga brasileira ou somente da Amazônia é um tumor que ameaça toda a humanidade e que está diante de nós, mas traçar um perfil direto do traficante, eu não poderia.
Quais as motivações, na opinião do senhor, que levam as pessoas a se tornarem vítimas do tráfico humano?
Me lembro que uma entrevista feita pela Globo, em 2010, num município do Marajó onde fui bispo durante 30 anos. A pergunta não era propriamente sobre tráfico humano, mas sobre prostituição. O repórter perguntou a uma menina de 16 anos: “Por que você se prostitui? Seus pais passam fome, estão desempregados? ” Ela respondeu: “meus pais trabalham, temos uma família que não passa fome, estamos bem. Agora, eu gostaria de ter perfume, ter certo tipo de sapatos, roupas e por isso me prostituo”.
Essa motivação tem por trás a ideologia da Mídia em apresentar um mundo feminino realizado ligado a isso, à exterioridade de possuir a beleza corporal e nada mais. E isto está, comprovadamente, entre os motivos do tráfico humano.
Mais forte ainda do que isso está a necessidade de sobrevivência. Lá entre nós, por exemplo, a população é carente. Nós temos um município, Melgas, com o IDH mais baixo do Brasil. E perto dele temos mais outros dois municípios que estão entre os dez mais pobres do Brasil. Mulheres, sobretudo mulheres, saem do Marajó para sobreviver, par anão passar fome. Depois, um lugar onde há muita injustiça, onde a distribuição desigual da renda é evidente e o desemprego estrutural é tão claro que um grande número de mulheres tem como motivação principal busca da sobrevivência e de promover-se na vida fugindo do inferno, que as vezes, é o Marajó.
Por outra parte, existe um grande número delas que sai e não são traficadas. Elas têm baixa educação, não tem preparação para a vida de quase nada e são culturalmente fechadas. Há, ainda, outras motivações que são: conhecer o mundo, o primeiro mundo, conhecer o que é ter um carro, ter uma casa.
E sobre a realidade das crianças? O tráfico e a prostituição infantil?
Sei que no Marajó eram, possivelmente continuam sendo traficadas meninas e meninos para a França por meio da Guiana Francesa para a venda de órgãos. Isso existia. Sobre o tráfico de crianças antes de nascer, eu conheço uma realidade que envolvem pessoas do Suriname. Elas vão ao Marajó para buscar mulheres saudáveis, bonitas, estabelecendo com elas até mesmo um contrato, com a condição que elas se deixem engravidar por homens que conhecerão em momento oportuno. Para isso, receberão uma taxa de 20 a 25 mil reais ou coisa semelhante. Assinados esses contratos, elas iam para o Suriname, e repito, talvez continuem indo, porque nossas autoridades são muito omissas. Lá no Suriname, essas mulheres se engravidam desses homens que são encaminhados por organizações internacionais. As crianças nascem e, por dois ou três anos, essas mulheres acompanham as crianças para cuidar e amamentar e depois elas têm que entregar os filhos sem saber o destino deles, sem saber nada.
O senhor tem sido ameaçado de morte por fazer denúncias sobre estas situações. O senhor tem medo?
O medo tem me acompanhado durante anos. Às vezes, ao sair do meu quarto para me dirigir a capela, pensava que atrás da porta poderia estar o meu assassino. Durante meses, eu tive esse pensamento. No corredor entre o quarto e a capela tem uma sacada e eu pensava que naquela direção poderia ter um rifle apontado para mim. E, muitas vezes, andando pelo interior, muitas vezes, o pensamento da morte me acompanha.
Creio que é um pensamento salutar porque, no meu caso, o medo não criou um sentimento de angústia e de ansiedade. Deus me deu a paz suficiente para enfrentar com reflexão e com sinceridade também a situação em que me encontrava. Entrando por mares e rios, num barco de uma paróquia, é possível que uma lancha rápida com uma metralhadora possa terminar conosco. Em menos de dois minutos, podem matar nós todos.
Eu tenho dito e dei este testemunho em Roma diante de mil sacerdotes em um retiro espiritual em São João de Latrão: “irmãos, não tenham medo. A Igreja está sendo chamada para o martírio, como nos tinha falado um bispo da Síria onde mulheres e homens tinham sido crucificados, adolescentes decapitados por não renegarem a fé em Cristo. E é Cristo que nos está chamando para dar esse mesmo testemunho com a nossa vida. E nós, que somos os pastores, devemos ir na frente. Não tenham medo. Aqui vos fala alguém que é um covarde, que sou eu, mas que sabe que o Espírito Santo dá a força, a fortaleza e a coragem para enfrentar a morte. Olhar nos olhos da morte e detrás deles ver o Ressuscitado. Para isso, tive que rezar porque considero que se alguém quer realmente encontrar paz em entregar-se à morte por Cristo e pelos irmãos, ele tem que rezar. Até que Deus ouviu, ouviu a minha oração e me deu essa paz fundamental para dizer: Senhor, aqui estou e estou disposto a morrer por Ele, pelo Evangelho. E, na verdade, para mim, hoje, e desde que Deus me deu esta convicção da possibilidade de poder morrer pelo Evangelho e pelos irmãos sinto que  esta seria a melhor, mais alegre e plenificante saída desde mundo para minha vida humana, religiosa e episcopal.
CNBB
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O silêncio das ruas revela que não há mais esperança nas instituições brasileiras

 

Dom Luiz Demétrio Valentini, bispo-emérito de Jales (SP), esteve em Brasília-DF, dias 31 de julho e 1º de agosto, para o encontro dos bispos da área social e os que integram a Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).  Natural de São Valentim (RS), o religioso, que presidiu a Cáritas Brasileira por dois mandatos, concedeu entrevista ao Portal da CNBBsobre a crise brasileira. Para ele, o silêncio das ruas não é uma concordância tácita com o que está acontecendo, como alguns querem fazer acreditar. Pelo contrário, “é um sintoma preocupante de que não temos mais esperanças e sinais concretos para recuperar o rumo da caminhada histórica do Brasil”.

De acordo com o bispo-emérito, o poder Judiciário e o Congresso Nacional estão instrumentalizados para salvar os seus próprios privilégios. “Não se pode permitir que ministros do Supremo Tribunal Federal façam do seu cargo uma opção política partidária a ser defendida publicamente. Isto diminui a legitimidade, a confiança e é perigoso para uma nação”, disse. Dom Demétrio disse que os grandes interesses convergiram e o presidente que temos agora serve de instrumento da execução destes interesses escusos que não são publicados.

Segundo o bispo, “o trecho do cântico de Jeremias (Cântico Jr 14,17-21): “Até o profeta e o sacerdote perambulam pela terra sem saber o que se passa”, é uma descrição simbólica do que estamos vivendo no país. O religioso afirma que torna-se necessário ajudar o povo brasileiro a reencontrar sua identidade e destino históricos, sua feição cultural, sua tradição e fazer convergir todas estas realidades para que a cidadania brasileira reencontre os rumos do país. Leia abaixo a íntegra da entrevista que ele concedeu ao Portal da CNBB.

Portal CNBB – Como avalia a crise política brasileira?
Dom Demétrio – Certamente, estamos vivendo um momento difícil, todos reconhecem, no qual há uma perca da identidade do povo brasileiro. Se torna necessário ajudar o povo brasileiro a reencontrar sua identidade e destino históricos, sua feição cultural, sua tradição e fazer convergir todas estas realidades para recuperarmos um projeto de Nação. Estamos esquecendo nosso projeto de nação. Estamos sentindo novamente a necessidade de fazer, por exemplo, uma nova semana social brasileira para que a Igreja possa cumprir esta tarefa importante que tem de identificar e saber o que está acontecendo. Como diz o cântico de Jeremias: “Até o sacerdote e o profeta perambulam pela rua sem saber o que acontece”. É um pouco a descrição simbólica da realidade que estamos vivendo agora. A ausência de posicionamento revela de um lado um descrédito muito grande. Uma distância sempre crescente entre as estruturas sociais políticas e a vida do povo brasileiro. De tal modo que há um descrédito generalizado. Não é uma concordância tácita não, como alguns pretendem instrumentalizar este silêncio das ruas. É um sintoma preocupante de que não temos mais esperanças, sinais concretos de referências práticas para recuperar o rumo da nossa caminhada histórica do Brasil. Estamos vivendo um momento difícil que se caracteriza, sobretudo, pelo descrédito das instituições e por sua incapacidade em recuperar e superar a pecha sempre crescente da sua falta de legitimidade perante o povo brasileiro. Estamos vivendo um momento muito difícil no Brasil e precisamos nos rearticular, enquanto Pastorais Sociais da CNBB como um todo, e retomar nossa missão profética de questionar os equívocos que estão acontecendo, os erros praticados e projetar para frente um novo projeto de Brasil que queremos.

Portal CNBB – Como avalia os passos do Michel Temer depois do impeachment da presidenta Dilma Rousseff?
Dom Demétrio – Se há dificuldades de convergências em torno de um projeto de país por outro se criou uma convergência que assusta. Interesses que estão se consolidando e convergindo para que se instrumentalizem o Congresso Nacional e o poder judiciário para salvar os próprios privilégios. Há uma espécie de trama que está sendo orquestrada para que isto se torne invisível e leve o Congresso a retrocessos políticos como, por exemplo, o que estamos assistindo com a nova lei trabalhista aprovada e a nova a lei da previdência social que estão propondo. Existe um interesse do liberalismo econômico que está voltando com força, como se a solução do Brasil fosse voltarmos aos tempos da revolução industrial em que se confrontavam os pequenos contra os poderosos, sempre com desvantagem evidente para os pequenos. Agora estamos assistindo esta realidade em que os grandes interesses convergiram e o presidente que temos serve de instrumento da execução destes interesses escusos que não são publicados, mas que aos poucos precisamos identificar para nos posicionar diante da crise política que estamos vivendo.

Portal CNBB – Como avalia o papel que o judiciário está desempenhando neste contexto de crise?
Dom Demétrio – Infelizmente ele também padece de credibilidade. Poucos têm segurança em pensar no Supremo Tribunal Federal e em outras instâncias da Justiça Brasileira. Existe uma insegurança e uma mescla de ações e atitudes que são claramente partidárias. Por exemplo, não se pode permitir que ministros do Supremo Tribunal Federal façam do seu cargo uma opção política partidária a ser defendida publicamente. Isto diminui a legitimidade, a confiança e é perigoso para uma nação. Quando se perde a confiança no judiciário estamos no limite da credibilidade fundamental que é preciso que exista, minimamente, para se levar em frente um projeto de país. Então o próprio Judiciário precisaria se questionar e deixar de ter posicionamento partidário e voltar a cumprir sua missão de ser a instância capaz de discernir e fazer as ponderações necessárias e avaliar bem para tomar decisões com legitimidade. A falta de credibilidade do judiciário é mais um sintoma da crise que estamos vivendo.

Portal CNBB – Neste contexto de crise das instituições e da própria democracia no Brasil, qual deve ser o papel da Igreja?
Dom Demétrio
 – Precisamos retomar a intuição de uma Constituinte para de novo repropor um projeto de país. Neste sentido, a Igreja se sente próxima ao povo, e deve se tornar mais próxima ainda, para poder recolher e ajudar a articular. Falta articulação no país agora, falta uma mediação e não existem instâncias que têm credibilidade para fazer esta mediação. Penso que a Igreja pode propor e se apresentar, não como aquela que tem a solução, mas com quem estimula a cidadania brasileira a reencontrar os rumos do país. Penso que a Igreja não pode fechar os olhos e não se omitir, precisa enfrentar o desafio de compreender a realidade e perceber quais são os interesses que estão em jogo e não se deixar instrumentalizar. Existe um desafio bem concreto para a Igreja de voltar a assumir a causa do país para que a cidadania possa retomar a sua vigência, sua ação concreta e sua articulação em benefício de toda a nação brasileira.

“A ausência de posicionamento revela de um lado um descrédito muito grande. Uma distância sempre crescente entre as estruturas sociais políticas e a vida do povo brasileiro”.

CNBB

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Famílias de classe alta mantêm imigrantes em condições análogas à escravos em São Paulo

 Força-tarefa que uniu Ministério Público do Trabalho (MPT) em São Paulo e demais órgão parceiros investiga esquema de agenciamento de pessoas para trabalho doméstico em residências de alto poder aquisitivo no Brasil. As agências Global Talent e SDI são apontadas como responsáveis pelo aliciamento de trabalhadores em investigação que começou no MPT em 2014 contra a primeira empresa.

Segundo os documentos obtidos em diligência da força-tarefa nos escritórios das empresas, as estrangeiras são aliciadas nas Filipinas, em Chipre, Hong Kong, Dubai, Cingapura e no Nepal com falsas promessas de trabalho doméstico em residências de alto padrão em São Paulo.

As trabalhadoras pagam taxas de mais de U$ 2.500,00 (mais de R$ 7.000,00) à agência para serem trazidas ao Brasil, após serem enganadas por anúncios oferecendo vagas com salário de U$ 700,00 (cerca de R$ 2.200,00) e benefícios como décimo terceiro e bônus de horas extras. Ao chegarem, são conduzidas, sem contrato formal de trabalho ou qualquer garantia de direitos, a famílias dispostas a pagar mais de R$ 10 mil à agência em troca das trabalhadoras.

Nas residências, sofrem maus tratos e são submetidas a jornadas que podem ir das 6h da manhã às 8h da noite, de domingo a domingo. Há relatos de mulheres obrigadas a ficar à disposição dos patrões 24 horas por dia. Segundo documentos obtidos na fiscalização, 180 pessoas foram trazidas ao Brasil através dessas intermediações. Muitas delas não mantêm mais qualquer contato com a agência e vivem no Brasil sem identificação ou documentos regulares de imigração.

A Global Talent (na época chamada Domésticas Internacionais CMIS Brasil) está na mira do MPT desde 2014, após denúncia anônima encaminhada naquele ano pela Secretaria da Justiça de São Paulo (via Disque 100). Segundo a denunciante anônima, quando chegou ao Brasil vinda das Filipinas teve seus documentos retidos, recebeu valor bem abaixo da remuneração prometida foi constantemente ameaçada de deportação caso tentasse denunciar. Naquele mesmo ano, a Global Talent firmou Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o MPT comprometendo-se a formalizar ou auxiliar a formalização do contrato de trabalho de estrangeiros cuja mão-de-obra tivessem intermediado. Além disso, deveria regularizar documentos de trabalhadores contratados antes da entrada no território nacional, com obtenção de concessão de autorização de trabalho fornecida pelo Conselho Nacional de Imigração (CNIG) e também de visto temporário ou permanente fornecido pelo Ministério das Relações Exteriores. O acordo foi encaminhado ao Conselho Nacional de Imigração, Ministério do Trabalho e à Polícia Federal.

Em 2017, fiscalização do Ministério do Trabalho, a pedido do MPT, constatou que a Global Talent continuava intermediando mão de obra sem as devidas formalizações, o que reabriu as investigações. No mesmo ano, 3 filipinas fugiram das residências onde trabalhavam e recorreram à Missão Paz, que fez a denúncia formal ao MPT. Na mesma semana as trabalhadoras foram ouvidas pessoalmente no MPT-SP, sendo constatadas condições degradantes de trabalho. O Ministério do Trabalho participou da audiência no MPT em que ficou decidido que os órgãos, em conjunto, realizariam diligência nos escritórios dos denunciados.

MPT-São Paulo

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Copa da Integração entre refugiados e migrantes tem início neste fim de semana em São Paulo

Campeonato em São Paulo aborda integração de refugiados por meio do esporte. Foto: ACNUR/Emiliano Capozoli

Torneio reunirá refugiados, solicitantes de refúgio e migrantes de mais de 20 países para uma série de amistosos de futebol no SESC Itaquera. Iniciativa é promovida pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), em parceria com a sociedade civil organizada e o setor privado.

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) promove a partir do próximo domingo (30) a Copa da Integração em São Paulo, série amistosos de futebol que terão, como protagonistas, refugiados, solicitantes de refúgios e migrantes residentes na capital do estado. Jogos serão realizados no SESC Itaquera, a partir das 10h.
As partidas contarão com regras especiais, desenvolvidas com base no processo de integração dos participantes à sociedade brasileira. Por exemplo, as equipes serão compostas de forma mista, envolvendo em um mesmo time homens e mulheres de diferentes nacionalidades e status de permanência.
“Esta é uma forma de valorizar as diferenças, sejam elas de gênero, cultura, nacionalidade ou idade. Essas diferenças são apenas elementos que enriquecem a sociedade, contribuindo para o respeito e para a diversidade”, afirma Jean Katumba, refugiado congolês e idealizador do projeto que vive no Brasil há quatro anos.
As pessoas que participarão da Copa de Integração são provenientes de mais de 20 países e moram nos abrigos públicos de São Paulo, como a Casa de Passagem Terra Nova, a Casa de Acolhida Nossa Senhora Aparecida, Sefras Migrante, o Arsenal da Esperança, a Casa São Lázaro, a Associação Palotina e o centro de imigrantes da Missão Scalabriana.
Essa é a quarta edição do campeonato. Torneio está sendo organizado em parceria com a organização África do Coração, com a Cáritas Arquidiocesana de São Paulo e com o SESC-SP. Competição também recebe o apoio das empresas Netshoes e Sodexo.
“O esporte é um meio efetivo de integração porque promove a sociabilização, propicia a vivência do lazer e atua como um exercício de saúde mental para essas pessoas que enfrentaram situações muito delicadas. A Copa da Integração traz uma visibilidade muito positiva ao contexto das pessoas em situação de refúgio, reforçando suas capacidades e resiliência”, reconhece a chefe do escritório do ACNUR em São Paulo, Isabela Mazão.
A empresa Sodexo, parceira da agência no evento, disponibilizará kits de alimentação para os jogadores. “Para nós da Sodexo, poder contribuir para a realização da Copa da Integração está em linha com nossos valores e com o que praticamos como valorização das pessoas e dos nossos colaboradores. É na diversidade que está a criatividade, a inovação e o futuro das organizações”, afirma Djalma Scartezini, líder de Diversidade e Inclusão da empresa.
Para Gabriela Platinetty, diretora de marketing da Netshoes, a empresa “sabe do poder de união e de inspiração do esporte e acreditamos que este é um forte meio de mudança da vida das pessoas, o que é ainda mais latente quando se discute a inclusão, uma preocupação constante relacionada aos refugiados”.
Além da Copa da Integração, que terá início no próximo domingo, esses mesmos parceiros institucionais estarão envolvidos na realização da IV Copa dos Refugiados, que acontecerá em agosto, nos dias 13, 20 e 27. O campeonato será disputado por 16 seleções compostas por refugiados também residentes em São Paulo. Iniciativa é da África do Coração.
Copa de Integração das pessoas refugiadas e migrantes
Datas: 30 de julho
Local: Sesc Itaquera
Horário: das 10hs às 16hs
Entrada gratuita
Acnur
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Nova medalha do Vaticano retrata apelo de Papa à imigração

O Vaticano lançará na próxima sexta-feira (28) uma medalha comemorativa pelos cinco anos do pontificado do papa Francisco e a qual retratará o constante apelo de proteção a imigrantes e refugiados feito pelo líder católico.
A moeda terá a inscrição “Franciscus P.P. Anno V MMXVIII” e falará de imigração, com uma frase sobre “acolhimento dos que fogem de suas pátrias em busca de um futuro melhor” – “hospes eram et collegistis me (Mt 25,35)”.
A imagem representada na moeda mostra um homem sentado no chão com a aparência de Jesus Cristo e estendendo a mão em sinal de acolhimento. A peça foi produzida pela artista italiana Mariangela Crisciotti e cada exemplar adquirido virá com um certificado de garantia, número de série e carimbo da Secretaria de Estado do Vaticano.
Há as versões em ouro, prata e bronze. O argentino Jorge Mario Bergoglio foi eleito Papa em março de 2013, após a renúncia de Bento XVI.
Vaticano
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Mulheres negras e indígenas saem às ruas contra a violência nesta terça

mulheres negras

Contra as opressões que ainda imperam na sociedade e com o lema “Por nós, por todas nós, pelo bem viver”, mulheres negras e indígenas de São Paulo saem às ruas nesta terça-feira (25) para denunciar o racismo, o machismo e a violência. A iniciativa celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, instituído em 1992 no 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, com o intuito de dar visibilidade à luta de mulheres negras no continente, e o Dia Nacional de Tereza de Benguela, líder do quilombo Quariterê no Mato Grosso em meados do século 18, comemorados nesta terça.

As ações são capitaneadas pela Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, em articulação com mais de 50 entidades do movimento negro e de mulheres, como o Geledés Instituto da Mulher Negra, União de Negros pela Igualdade (Unegro), Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen), Marcha Mundial de Mulheres (MMM), dentre outros.

“Queremos colocar a pauta do genocídio do povo negro, do feminicídio e do encarceramento em massa no centro do debate político”, afirma Juliana Gonçalves, integrante da marcha. Segundo ela, a violência contra as mulheres negras, seja em função da cor, do gênero, da orientação sexual ou por intolerância religiosa, vem crescendo “exponencialmente” nos últimos anos. “Marchamos porque queremos viver.”

Em São Paulo, este é o segundo ano em que as mulheres negras marcam a data. Já em 2015, juntamente com outras organizações nacionais, a marcha reuniu mais de 50 mil mulheres em Brasília.

As mulheres negras se manifestam também contra o governo Temer e seus projetos de reformas que retiram direitos: “Os golpistas impõem uma reforma trabalhista que acaba com a CLT. Mesmo sendo a maioria de trabalhadoras informais, com dificuldade de acesso a benefícios trabalhistas, as mudanças nas leis do trabalho nos atingem porque quando todo mundo perde, nós negras e indígenas perdemos mais que todos”, diz um trecho do manifesto das mulheres negras.

Elas também criticam o projeto de reforma da Previdência, que “vai nos fazer trabalhar até morrer”. “A gente chama de reformas genocidas, porque, a longo prazo, vão vitimizar, de maneira definitiva, parcelas da população, e em especial, a parcela preta e pobre”, diz a integrante da Marcha.

Para além dos slogans “Fora, Temer” e “Diretas Já”, Juliana reivindica uma democracia de fato: “Hoje, não vivemos numa democracia. Com o golpe, com o Temer, a gente percebe que estamos à parte deste sistema”, ressalta Juliana. Ela diz que políticas públicas em saúde e educação, voltadas à população negra, vêm sendo “esvaziadas” pelo governo Temer.

Em São Paulo, as mulheres denunciam a falta de vagas em creches, falta de medicamentos nas UBSs e cortes no programa Leve Leite, dentre outras medidas da gestão Doria que estão “vilipendiando os direitos das mulheres negras e pobres”. Ela também destaca a política higienista e de “criminalização da pobreza”, promovidas por Doria contra usuários na Cracolândia e contra moradores de rua, que também colocam a população negra como alvo preferencial. “A pobreza, não só em São Paulo, mas no Brasil, tem cor e sexo: é preta e feminina”, diz ela.

Marcha das Mulheres Negras de São Paulo se concentra a partir das 17h na Praça Roosevelt, no centro da capital paulista. Além das falas políticas, a marcha também conta com atrações culturais, com presenças do grupo Ilú Obá De Min, da DJ Luana Hansen, Mc Soffia, e intervenções artísticas.

De lá, elas seguem para o Largo do Paissandu, também no centro, onde encerram as mobilizações, que o movimento luta para que seja rebatizado como Largo 25 de Julho, para consolidar as comemorações do Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha.

Caso queiram e necessitem, as mulheres mães poderão deixar seus filhos pequenos na creche que vai funcionar no Centro de Memória do Circo, na Galeria Olido, na Avenida São João, 473 (sobreloja) – para usar o serviço basta preencher um formulário virtual.

Rede Brasil Atual 

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Furos, perseguição e mulheres no comando: a cara do novo jornalismo na América Latina

Em março de 2016, a Agência Pública lançou o Mapa do Jornalismo Independente. Mapeamos mais de 80 iniciativas de jornalismo nascidas na rede Brasil afora. Perguntamos como essas organizações se financiam, quando foram fundadas e o que elas cobrem. Na quinta-feira (20), a SembraMedia, organização parceira que se dedica a apoiar empreendedores de mídia, lançou um relatório ainda mais amplo. Chamado “Ponto de Inflexão”, ele avalia o impacto gerado por organizações de jornalismo digital em quatro países da América Latina.

O estudo leva em consideração informações de 100 organizações: 25 do México, 25 da Colômbia, 25 da Argentina e 25 do Brasil (incluindo a Pública) e se aprofunda em questões como financiamento, impacto, vulnerabilidade, audiência e formação de equipes. Também é possível encontrar recomendações de como fortalecer uma organização de digital jornalismo.

Uma das grandes descobertas é que os jornalistas empreendedores não estão somente produzindo notícias, mas são agentes de mudanças: promovem melhoria das leis, defendem direitos humanos, expõem a corrupção e lutam contra o abuso de poder. Produzem jornalismo independente em países altamente polarizados do ponto de vista político.

O bom trabalho não vem sem retaliações; quase metade das organizações entrevistadas para o relatório reportaram ter sofrido ameaças ou ataques físicos por conta de seu trabalho. Mais de 20% admitiram ter evitado cobrir certos assuntos, pessoas e instituições por conta de intimidação. Outros enfrentam processos na justiça, ciber-ataques, auditorias intermináveis, perda de receitas publicitárias. No México, o jornalista Luis Cardona foi sequestrado por homens armados e ameaçado de morte por investigar os desaparecimentos de 15 jovens trabalhadores do tráfico de drogas. Cardona contou a história nesta animação.

É crescente o número de meios nativos da América Latina que desenvolveu negócios sustentáveis através do jornalismo partido do zero: mais de 70% começaram com menos de 10 mil dólares.

Verba publicitária ainda é chave

Para produzir o relatório, a SembraMedia separou as 100 organizações em quatro níveis. No nível mais alto estão organizações que têm mais de 20 milhões de acessos por mês e cuja principal fonte de receita é a publicidade. Já as organizações de nível intermediário contam com fontes de receita variadas, como consultoria, eventos, crowdfunding e publicidade.

A SembraMedia aponta mais de 15 formas de geração de receita – vale ler para ter ideias! Das organizações analisadas, mais de 65% informaram ter pelo menos três fontes de financiamento.

Segundo o relatório, os meios digitais independentes da América Latina estão cobrindo comunidades desatendidas, produzindo conteúdo original e escrevendo histórias sobre assuntos que antes eram tabus. “Desde o início, vimos o espaço onde se poderia publicar coisas que seriam difíceis de publicar na mídia tradicional dominante como nosso principal valor… Não estamos lutando por furos. Estamos interessados em aprofundar, mesmo que isso signifique que saímos depois dos outros. Um de nossos lemas é: ‘Não contamos primeiro, contamos melhor’”, diz Daniela Pastrana, diretora do Pie de Pagina, uma das organizações analisadas no México.

Para ter impacto, muitos dos meios independentes – assim como a Pública – trabalham para ter suas reportagens republicadas em veículos grandes ou internacionais. Essa prática, além de trazer credibilidade, provoca a pressão externa sobre governos. Dos sites pesquisados, 72% disseram que seu trabalho jornalístico original influenciou a cobertura de veículos de comunicação nacionais em seus países.

Outra descoberta do relatório é que 62% dos sites estudados tiveram mulheres envolvidas em sua criação. O número contrasta com a direção na imprensa tradicional no continente, ainda composta majoritariamente por homens. Dos 100, 57 contam com mulheres na direção.

Além dos números, a SembraMedia reúne histórias de diversos sites de jornalismo independente da América Latina. O relatório completo está disponível aqui.

Agencia Publica

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Organização internacional divulga relatório em que aponta que o Brasil é o país mais perigoso para lutar por direitos e pelo meio ambiente

Segundo eles, a indústria madeireira está vinculada a 16 assassinatos, enquanto proprietários de terras são suspeitos de perpetrarem vários assassinatos na Amazônia. “O governo diminuiu a legislação ambiental e debilitou instituições de direitos humanos”, afirmam.

O Brasil tem sido sistematicamente o país mais funesto para defensoras e defensores do meio ambiente e para os que lutam pela permanência na terra e em seus territórios, desde que a Global Witness começou a compilar dados mundiais. Em 2016, um espantoso número de 49 pessoas foram assassinadas por protegerem suas terras: 16 delas defendendo as ricas florestas brasileiras dos madeireiros ilegais e um número cada vez maior, lutando contra a expansão do agronegócio e o seu poderoso lobby dentro do governo.

Para a ONG, apesar do chocante e crescente número de assassinatos, o governo brasileiro tem, na verdade, diminuído a proteção a defensoras e defensores ambientais. Quase imediatamente após assumir o poder, em agosto do ano passado, a administração de Michel Temer desmantelou o Ministério dos Direitos Humanos. O Programa Nacional de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos conta com poucos recursos e é ineficaz.

Os assassinatos são emblemáticos dos níveis extremos da violência rural no Brasil. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) atribui isso ao avanço agressivo, com respaldo estatal, de projetos empresariais – incluindo agronegócios, mineradoras e empresas de energia – sobre as terras de comunidades indígenas e tradicionais, assim como de pequenos agricultores, os quais têm organizado uma crescente resistência coletiva para enfrentar o problema. De acordo com a CPT, as raízes do conflito encontram-se na história do colonialismo e da escravidão no Brasil, e o fato de o governo nunca ter resolvido os problemas estruturais do setor agrário.

“É por isso que muitas organizações sugerem que o conflito só pode ser resolvido através da implementação da política de reforma agrária, estabelecida na Constituição Brasileira. No entanto, a forte influência da elite rural sobre a política nacional, a qual se aprofundou com a atual crise política, tem impedido que isso aconteça. Enquanto isso, a violência aumenta”, destaca a Global Witness. A CPT documentou 61 assassinatos devido a conflitos no campo no Brasil em 2016[1], maior número dos últimos 13 anos. Em 2017, a entidade já registrou, até o momento, 46 assassinatos em conflitos no campo.

Para a ONG estrangeira, “para deter o curso de assassinatos, o governo brasileiro deve fortalecer o seu apoio a defensoras e defensores do meio ambiente e da terra, especialmente nas áreas mais remotas do país”.

Acesse os materiais:

– Clique para ver o Estudo de caso Brasil

– Release em português sobre o relatório 

CPT

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Curso em São Paulo relaciona as migrações com os documentos sociais da Igreja Católica

Curso teve início na segunda (17) e vai até dia 21; objetivo é entender o contexto histórico dos documentos e ver a relação de cada um com as migrações
Por Rodrigo Borges Delfim
Em São Paulo (SP)
“Proponho uma viagem pela história, com cinco estações. Nelas, vamos mostrar dados históricos daquele momento, um documento da igreja sobre aquele momento e o contexto migratório daquele momento. É uma abordagem social da doutrina da igreja e o que ela tem a ver com as migrações”.
Foram com essas palavras que o padre Alfredo José Gonçalves, 64, abriu o curso “Migração e Doutrina Social da Igreja”, oferecido pelo Centro de Estudos Migratórios da Missão Paz, em São Paulo. Ex-assessor das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Pe. Alfredo (ou Alfredinho, como preferem alguns) é atualmente Vigário Geral da Congregação dos Missionários Scalabrinianos, em Roma (Itália) e tem alguns de seus textos republicados pelo MigraMundo.
As atividades começaram nesta segunda-feira (17) e vão até o dia 21 no auditório da Missão, todas com transmissão pela Web Radio Migrantes e por Ao Vivo no Facebook. O curso tem como objetivo entender o que é a Doutrina Social da Igreja (ou Ensino Social da Igreja, como é mais conhecido atualmente) o contexto histórico presente nos documentos que compõem esse conjunto, e ver a relação desse momento e da publicação com as migrações.
O Ensino Social da Igreja é composto do ensino de vários documentos sobre a questão social. Podem ser cartas, encíclica, decretos, exortações apostólicas, documentos papais ou locais que tratam da vida social das pessoas em um determinado momento.
“Todo documento tem um texto, um contexto e um pretexto”, resumiu Pe. Alfredo.
A primeira aula do curso, acompanhada pelo MigraMundo, teve como base a encíclica Rerum Novarum, publicada pelo pelo papa Leão XIII em 15 de maio de 1891, e que abordava a condição degradante dos operários industriais da época. Chamada por alguns de “Manifesto Comunista da Igreja”, essa encíclica é considerada ainda o marco inicial dos documentos sociais da Igreja.

Pe. Alfreso durante a primeira aula do curso Migração e Doutrina Social da Igreja.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Pe. Alfredo lembrou que a Revolução Industrial causava mudanças profundas na mentalidade e no cotidiano das sociedades no século XIX. Ao mesmo tempo que as cidades se desenvolviam, as condições de trabalho nas fábricas eram extremamente precárias.
“O mundo vivia uma grande agitação ‘febril’, que poderia se referir tanto a um corpo em febre [ou seja, doente, precisando de cuidados] como à expansão fabril que tomava conta das principais cidades europeias [Londres, Manchester, Paris, Berlim, Milão, entre outras]”.
Essa revolução, inclusive, está entre um dos motivadores da chamada “Grande Imigração”, que se deu entre o final do século XIX e meados do século XX da Europa em direção a outros continentes – em especial a América. Eram pessoas que iam para as cidades e não conseguiam emprego, ou já não conseguiam se manter com o trabalho no campo, devido ao avanço das indústrias sobre áreas produtivas para fornecimento de matérias-primas para o setor industrial. A migração se tornou, assim, uma opção – ainda que a contragosto – para esse contingente populacional.
A esse contexto, Pe. Alfredo lembrou de uma reflexão do beato Giovanni Scalabrini (fundador da Ordem Scalabriniana, que tem tradição no trabalho com migrantes) sobre a situação degradante dos passageiros da estação de trem de Milão naquela época. Eram pessoas que, em geral, aguardavam os trens para a cidade portuária de Gênova – principal ponto de partida dos navios que tinham o continente americano como destino.
Nas aulas seguintes, outros documentos sociais serão abordados segundo o mesmo esquema – texto, contexto e pretexto. Cada dia do curso será encarado como uma das “estações” da viagem histórica proposta pelo palestrante.

Curso conta com transmissão pela internet por meio da Rádio Migrantes e do Facebook da Missão Paz.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Ensino ou doutrina?
Pe. Alfredo lembra que embora o nome oficial seja Doutrina Social da Igreja, o termo mais usado hoje para designar esse conjunto é “Ensino Social da Igreja”, a partir de uma mudança proposta pelo papa Paulo VI em 1971 com a encíclica Octogesima Adveniens, que marca o aniversário de 80 anos da Rerum Novarum.
“Doutrina cheira a dogma, algo que não pode ser mexido. Já o ensino é algo mais dinâmico é aberto aos novos desafios que vem surgindo. Essa perspectiva tem uma abertura maior. São ensinamentos que podem surgir tanto no contexto local como global. Por isso Paulo VI passa a usar ‘ensinamento’ em vez de ‘doutrina’”.
De acordo com Pe. Alfredo, esses documentos marcam o início de uma nova sensibilidade da Igreja em relação aos temas sociais. “É o Evangelho atualizado, sob a perspectiva social”.
O padre lamentou o fato desses documentos ainda serem pouco aproveitados pelas comunidades mundo afora, mas frisou a importância de se conhecer e difundir tal conhecimento. “Isso não passa de um aperitivo para nós interessamos pelos documentos sociais da Igreja. Lá temos um tesouro que é a palavra da Igreja sobre as questões sociais”.
Migramundo
 
http://www.miguelimigrante.blogspot.com