Encontro Realidade Migratória na Arquidiocese de São Paulo-SP

O tema da Migração em nossa cidade se coloca como um grande desafio. Somos chamados a dar respostas consistentes e orgânicas junto às pessoas envolvidas com essa realidade. Você então, que em sua Paróquia tem a presença de imigrantes, está convidado a participar ou encaminhar um representante para que juntos possamos estabelecer esse elo com o grupo que estará empenhado em acompanhar com carinho esta realidade… na tentativa de buscar respostas pastorais em nível arquidiocesano.

 

Venha participar do 3º encontro da Pastoral do Migrante, no dia 28/11 – sábado, das 14:00 às 17:30, na Missão Paz (Paróquia Nossa Sra. da Paz), na rua do Glicério, 225 Liberdade.  Para quem chega de metrô, desça na estação Sé, pegue a rua Tabatinguera e desça por ela até o final. Ai está a Rua do Glicério. Vá até o número 225 (Missão Paz).

 

“A igreja sem fronteiras, mãe de todos, propaga no mundo a cultura do acolhimento e da solidariedade, segundo a qual ninguém deve ser considerado inútil, intruso ou descartável”.  Papa Francisco

 

Confira a programação, abaixo, e confirme a sua presença ou de algum representante da paróquia através de um dos e-mails, abaixo.

spm.nac@terra.com.br      antenordv@gmail.com    josecarlos.pereira31@gmail.com

 

Programa do Encontro

14:00 – Acolhida/apresentação e mística de abertura

14:30 – Análise de conjuntura sobre a migração atual

15:00 – Como a Igreja vê as migrações atuais – mensagem do Papa Francisco

15:30 – Metodologias de ação: Experiências de trabalho com imigrantes/relatos

17:00 – Agenda 2016 da Pastoral do Migrante da Arquidiocese de São Paulo

17:30 – Oração final e lanche.

 

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Dia 23.05.16 - 18:30hs, rua glicério 225

Missa pelo primeiro aniversário de beatificação de Dom Oscar Romero

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BOLETIM SPM INFORMA

Bom dia, amigos e amigas,

O Boletim SPM informa já está no ar.

Acesse:

http://spminforma.blogspot.com.br/

 

Desejamos uma ótima leitura a tod@s!

Abç

Veridiana,

Pela Equipe de Comunicação

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MESA REDONDA

migração e refúgio

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Boletim SPM Informa

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boletim SPMinforma Especial – Semana do Migrante 2015

http://www.casuistica.net/spminforma/

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Partiu o homem que sempre esperava o advento de Deus

14/07/2015

 Ele fez de tudo na vida. Na juventudo foi ateu e marxista. Mas de repente se converteu. Ordenou-se padre durante a guerra. Logo entrou na Resistência contra os nazistas. Em 1949 fizeram-no Assistente da Juventude da Ação Católica. Mas seus métodos libertários não agradaram o dostatus quo eclesiśtico e o mandaram acompanhar emigrantes italianos que vinham de navio à Argentina. Na viagem encontrou um Irmãozinho de Jesus, seguidor de Charles de Foucault cujo carisma é viver no mundo entre os mais pobres. Iniciou-se na Argélia junto ao deserto e entrou na luta de liberação contra a dominação francesa. Depois foi enviado à Argentina. Por anos trabalhou como operário com madeireiros. Foi ao Chile de Pinochet. Mas logo seu nome estava na lista:”quem encontrar um desses, pode eliminar”. Esteve por um tempo na Venezuela. Mas acabou por instalar-se no Brasil em Foz do Iguaçu onde criou várias iniciativas para os pobres, com ervas medicinais, fazenda didática para jovens desamparados e outras organizações populares que ainda persistem hoje.

Teve muitos reconhecimentos que quase sempre rejeitava. Mas o mais importante foi em 29 de novembro de 1999 em Brasília quando embaixador israelense lhe conferiu a maior comenda a não judeus:”justo entre as nações”. Durante a guerra criou com outros uma rede clandestina que salvou 800 judeus.

Fez-se monge sem sair do mundo mas sempre dentro do mundo dos lascados e humilhados. Todo o tempo livre dedicava-o à oração e à meditação. Durante o dia recitava mantras e jaculatórias. Foi uma das figuras mais impressionantes que passaram por minha vida, com uma retórica de ressuscitar mortos. Éramos amigos-irmãos.

Estranhamente tinha um jeito próprio de rezar. Foi ele que me contou. Pensava: se Deus se fez gente em Jesus, então foi como nós: fez chichi, cocô, choramingava pedindo peito, fazia biquinho com o que o incomodava como a fralda molhada.

No começo, pensava ele, Jesus teria gostado mais de Maria, depois mais de José, coisas que Freud e Winnicott explicam. E foi crescendo como nossas crianças, brincando com as formigas, correndo atrás dos cachorrinhos e, maroto, roubava frutas do quintal do vizinho.

Esse estranho místico, rezava à Nossa Senhora imaginando como ninava Jesus, como lavava no tanque as fraldinhas sujas e como cozinhava o mingau para o Menino e as as comidas fortes para o seu marido carpinteiro, o bom José.

E se alegrava interiormente com tais matutações porque assim devia ser pensada a encarnação do Filho de Deus, na linha do Papa Francisco, não como doutrina fria, mas como fato concreto. Sentia e vivia tais coisas na forma de comoção do coração. E chorava com frequência de alegria espiritual.

Por onde chegava, criava sempre ao seu redor uma pequena comunidade na pior favela da cidade. Tinha poucos discípulos. Apenas três que acabavam indo todos embora. Achavam dura demais aquela vida e ainda deviam meditar durante o dia, no trabalho, na rua, na visita aos casebres mais decaídos.

Só, agregou-se então a uma paróquia que fazia trabalho popular. Trabalhava com os sem-terra e com os sem-teto. Corajoso, organizava manifestações públicas em frente à prefeitura e puxava ocupações de terrenos baldios. E quando os sem-terra e sem-teto conseguiam se estabelecer, fazia belas “místicas” ecumênicas com o faz sempre o MST.

Mas todos os dias, por volta das 10 da noite, se enfurnava na igreja escura. Apenas a lamparina lançava lampejos titubeantes de luz, transformando as estátuas mortas em fantasmas vivos e as colunas eretas, em estranhas bruxas. E lá se quedava até às 23 horas. Todas as noites. Impassível, olhos fixos no tabernáculo.

Um dia fui procurá-lo na igreja. Perguntei-lhe de chofre:   ‘meu irmão Arturo, você sente Deus, quando depois dos trabalhos, se mete a rezar aqui na igreja? Ele te diz alguma coisa”?

Com toda a tranquilidade, como quem acorda de um sono profundo, apenas disse: “Eu não sinto nada. Há muito tempo que não escuto sua voz. Já senti um dia. Era fascinante. Enchia meus dias de música e de luz. Hoje não escuto mais nada. Sofro com a escuridão. Talvez Deus não queira me falar nunca mais.”

E então, retruquei eu, “por que continua, todas as noites, aí na escuridão sagrada da igreja”? “Eu continuo”, respondeu, “porque quero estar sempe disponível. Se Ele quiser se manifestar, sair de Seu silêncio e falar, eu estou aqui para escutar. E se Ele, de fato, quiser falar e eu não estiver aqui? Pois, cada vez, ele vem somente uma única vez. Como outrora”.

Saí maravilhado e meditativo por tanto disponibilidade. É por causa dessas pessoas, místicas anônimas, que a Casa Comum, no dizer do Papa Francisco, não é destruída e Deus continua com sua misericórdia sobre a humana perversidade.

Elas vigiam e esperam, contra toda a esperança, o advento de Deus que talvez nunca aconteçará. Mas são os pára-raios divinos que recolhem a graça que, silenciosamente, se difunde pelo universo e faz que Deus continue a nos dar o sol e todas as estrelas e penetre fundo no coração de todos os vivem na Casa Comum. E se Deus aparecer haverá gente disponível para ouvi-lo. E chorarão de alegria.

Seu nome é Arturo Paoli que com 102 anos foi finalmente  ver e escutar Deus que lhe falará por toda a eternidade, no dia 13 de julho de 2015 onde vivia em San Martino in Vignale nas colinas de Lucca, Itália.

Leonardo Boff é colunista do JB online e teólogo

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