SITUAÇÃO ATUAL DA IMIGRAÇÃO VENEZUELANA EM RORAIMA

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Atualmente, estima-se a presença de cerca de 50.000 imigrantes venezuelanos presentes no estado de Roraima. Conforme relatos, quase todos os municípios têm um bom número de imigrantes venezuelanos à procura de trabalho. Isso se acentua mais nos municípios próximos a BR 174: Pacaraima, Amajari, Alto Alegre, Boa Vista, Mucajaí, Iracema e Rorainópolis. Estes municípios fazem parte do corredor de passagem dos imigrantes venezuelanos, sendo que muitos andam a pé mais de 200 km, entre cidades, procurando trabalho. Com base nos dados disponibilizados pela Polícia Federal sobre os registros de pedidos de Residência Temporária e Solicitações de Refúgio em 2017, e os aumentos de pedidos deste ano, confirmam a tendência de crescimento.

A realidade de migração de venezuelanos se agravou em Pacaraima (fronteira) e Boa Vista (capital). Esta situação se distingue na aglomeração de imigrantes desabrigados nas ruas e praças, e os albergues superlotados, sem alimentação, sem separação entre mulheres, homens e muitas crianças.

 Em Pacaraima, existe um abrigo do Estado, com apoio do Acnur, com capacidade para 200 pessoas; hoje está com 500 pessoas, sendo que 150 são crianças, e sem comida suficiente. Em Pacaraima, cerca de 1.500 pessoas perambulam pelas ruas da cidade, sem comida, trabalho e muitos saem em caminhada pela BR174, com destino à cidade de Boa Vista.

Em Boa Vista, a situação é ainda mais dramática: existem apenas dois abrigos do Estado: um, que já existe há mais de dois anos, um pouco mais estruturado para o atendimento aos indígenas venezuelanos (com 500 pessoas). O outro, é um ginásio que atende os imigrantes não indígenas (cerca de mil pessoas), sem estrutura e sem muitas condições de ser considerado abrigo, pois falta água, alimentação e acomodação segura. Fora estes, existem uma multidão de pessoas que alugam pequenas casas (kitinetes) de quarto, sala e cozinha, onde ficam entre 15 e 20 pessoas, que se alternam para o descanso, pois a casa não cabe todos ao mesmo tempo. Outra realidade é a daqueles que se encontram em situação de rua. São famílias inteiras que chegam diariamente à cidade de Boa Vista e não encontram nenhum abrigo, nenhuma referência, nenhum amparo. Vivem, exclusivamente, de bicos e da generosidade de pessoas que vão às praças e sinais de trânsito para lhes fornecer alimento, alguma roupa, itens de higiene, etc. É impossível calcularmos este número, pois são varias praças e muita mobilização dos imigrantes, por comida e doações.

Durante os dois anos dessa imigração intensa, a diocese de Roraima tem se mobilizado de várias formas para ajudar os imigrantes venezuelanos. Foram feitas várias campanhas de alimentação para ajudar os imigrantes.

Em Pacaraima, a paróquia Sagrado Coração, sob a coordenação de Padre Jesus, é referência no atendimento aos imigrantes venezuelanos. Oferece café da manhã para cerca de 800 pessoas, de segunda a sábado. Também abriu o Centro de Pastoral dos Imigrantes, com apoio do IMDH-Brasília e das Irmãs Scalabrinianas, para o atendimento diário às pessoas que chegam, distribuindo cestas básicas, ajudando na documentação e fazendo os encaminhamentos necessários. Aos domingos, é realizada a celebração em espanhol com os imigrantes.

Em Boa Vista existem os mais diversos atendimentos, como os que seguem:

  • O CMDH-Centro de Referência para os imigrantes venezuelanos. O trabalho começa pela regularização e documentação dos imigrantes. Através de parceria com a Polícia Federal e Pastoral Universitária, auxilia no preenchimento dos formulários de solicitação de Refúgio e Residência Temporária. Encaminha para outras necessidades de documentação e presta serviço de assessorias diversas. Atende às famílias em situação de vulnerabilidade através de diversas ações e parcerias. Com o IMDH/ACNUR, oferece bolsas de subsistência. Com projetos da Diocese e outros parceiros, além de doações da sociedade civil, distribui alimentos, roupas, calçados, brinquedos, livros e materiais escolares. Oferece orientações sobre as mais diversas demandas apresentadas pelos atendidos. Assessoria jurídica, assistencial e acompanhamento das famílias, com atendimentos na própria sede e visitas domiciliares. Oferece serviço de escuta e atende aos convites/chamados para aulas, palestras, incidência política, movimentos sociais e culturais. Formação profissional e de voluntariado, através de oficinas, com a temática migração e refúgio, lhes oferecendo apoio financeiro para o deslocamento até o Centro.
  • Na Paróquia da Consolata, são oferecidas cerca de 300 refeições, quatro vezes na semana, além de fazer o acolhimento e encaminhamento para diversas necessidades. A partir março, a paróquia cedeu uma sala para o trabalho com as mulheres imigrantes, a cargo do IMDH-Brasília e equipe das Irmãs Scalabrinianas.
  • A Paróquia São Francisco e a Área Missionária São Raimundo Nonato estão iniciando turmas para aulas de Português para imigrantes. Diversas ações são realizadas por outras Paróquias, como missas em espanhol, distribuição de alimentos, cestas básicas, roupas e remédios.
  • A Pastoral Universitária realiza trabalhos de cooperação com diversas entidades, desde aulas de Português até ações de incidência política e social.
  • Serviço Jesuíta aos Migrantes e Refugiados e o Projeto Fé e Alegria estão iniciando seus trabalhos na Comunidade São Bento.

Os maiores desafios da Diocese é a manutenção econômica de todas as ações desenvolvidas pelo CMDH, visto que a realidade da Diocese não dispõe de recursos suficientes, em vista da crescente demanda que se apresenta.  Atendemos situações  de vulnerabilidades mais graves, visto que o CMDH não dispõe de estrutura suficiente para toda a demanda e falta estrutura adequada para o armazenamento das doações a serem distribuidas; fazemos a incidência junto ao Poder Público, em busca da implementação de políticas públicas que atendam à realidade dos imigrantes; busca-se fortalecer a Cáritas Diocesana que muito poderá contribuir neste trabalho.

Este ano de 2018, iniciaram-se as atividades da Pastoral do Migrante, que está sendo implementada na Diocese. A Pastoral dos Migrantes terá um papel muito importante no fortalecimento da Rede de Atendimento aos imigrantes em Roraima e auxiliar na transformação da sociedade, superando a violência contra o imigrante, como o Papa Francisco afirma: “não é um perigo, mas está em perigo”. Será um apoio para continuar despertando as comunidades para a solidariedade, formando a Igreja “casa da acolhida” Neste sentido, após um momento de escuta da realidade,  serão iniciadas suas atividades nas paróquias e áreas missionárias da Diocese, conforme as ações mais necessárias.  Segundo a realidade aqui apresentada, qualquer ajuda será bem vinda, porém no contexto atual, a comida é a necessidade emergencial, bem como apoio na documentação, na geração de renda, no ensino da língua portuguesa e na capacitação profissional para as famílias que estão em Boa Vista tentando sobreviver.

Ir. Valdiza Carvalho, mscs, integrante do SPM – /Serviço Pastoral dos Migrantes – março/2018

Sobre SPM - Serviço Pastoral dos Migrantes

O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) é uma Pastoral Social, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada em 1985, que promove os direitos humanos, sociais, econômicos, políticos e culturais dos migrantes e imigrantes e comunidades de origem, trânsito e destino.
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