32ª SEMANA DO MIGRANTE – MIGRAÇÃO, BIOMAS E BEM VIVER. “UMA OPORTUNIDADE PARA IMAGINAR OUTROS

 

Em comunhão com a Igreja no Brasil e em sintonia com a Campanha da Fraternidade deste ano, que trouxe o tema: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”, e o lema “Cultivar e guardar a Criação”, o Serviço Pastoral dos Migrantes, em sua 32ª Semana do Migrante, quer anunciar, denunciar, refletir e construir uma nova relação do ser humano com a Mãe Terra. Na perspectiva de mudança de mentalidade e comportamento, queremos celebrar a vida que teimosamente não se deixa matar e nem aceita ser destruída por nenhuma força que se proclama dona de sua existência, porque acredita que o Deus Criador e Salvador já venceu e já declarou sua vitória sobre a morte, o pecado e o mal.

Nesta perspectiva, a Semana do Migrante, nos dias 18 a 25 de junho, deste ano, tem o tema: Migração, Biomas e Bem Viver e o lema: Uma oportunidade para Imaginar Outros Mundos.

Diante de tantos vazios éticos e desmandos políticos, carregados de confusão e de interesses privados, diante de ideologias nacionalistas que defendem a segurança nacional e a construção de muros, sem levar em conta as pessoas, propomos uma sociedade mais igualitária, fraterna e principalmente justa, na sua mais ampla compreensão. É preciso, romper, com tudo aquilo que é belicoso, ganancioso, que faz da concentração de riquezas e da terra, cada vez mais um poder triunfalista, onde as riquezas do planeta são usurpadas por corporações, autoridades nacionais e internacionais, em nome do tal crescimento. Por isso, denunciamos as causas profundas e injustas deste sistema que é “…insuportável, exclui, degrada e mata”, conforme afirmou o Papa Francisco, em seu II Encontro com os Movimentos Populares na Bolívia, e onde propôs uma sociedade que acolhe, cuida e ama o próximo e a natureza. Vivemos uma crise societária que ao mesmo tempo é social, econômica e ecológica, consequência desta crise estrutural do Capital, com suas duas faces mais perversas: a concentração de riquezas e a exclusão dos trabalhadores e trabalhadoras, do campo e da cidade. Não é apenas uma crise humanitária, como sugere a mídia, mas uma exclusão em massa de milhões de seres humanos, anulando direitos e destruindo o planeta. A crueldade deste sistema capitalista é traduzida pela indústria bélica, tráfico de armas, drogas, pessoas e leis injustas que permitem a circulação de bens e capitais e impedem a livre circulação de pessoas, restringindo a liberdade e os direitos. Denunciamos este sistema de concentração e exclusão, causador dos desequilíbrios climáticos e ecológicos no planeta, que por sua vez são a causa de expulsão forçada de milhões de seres humanos obrigados a fugir para salvar suas vidas e sobreviver longe de sua pátria. Muitos destes nossos irmãos (as) acabam sem pátria e sem nacionalidade porque seus territórios desapareceram ou foram usurpados. Hoje existem milhões de apátridas (pessoas sem pátria e sem nacionalidade). Dezenas de milhares de crianças desacompanhadas e tantos outros milhões de jovens e velhos refugiados econômicos, climáticos ou políticos que estão a caminho ou chegando em outros países em busca de segurança, paz e o mínimo necessários para viver com dignidade.

Que esta crise de todo um modelo civilizatório seja uma oportunidade para nos desafiar a imaginar outros mundos. Que possibilite reconstruir utopias e reinventar novas relações horizontais, mais justas e solidárias onde todas as formas de vida do planeta e no planeta sejam valorizadas.

Outra face perversa deste sistema é a migração forçada, de milhões de imigrantes e refugiados que fazem de sua fuga um gesto de ousadia e resistência. Sonhamos com um mundo novo possível, justo e solidário para todos e todas, em nossa casa comum. Que a Mãe Terra seja cuidada para que possa gerar condições, recursos e meios necessários para uma vida digna.

O Papa Francisco chama, e conclama a todos: igrejas, governos, sociedade civil, migrantes, refugiados, organismos e instituições, para viver e aprender a conjugar na primeira pessoa do singular e do plural a praticar os quatro verbos: ACOLHER, PROTEGER, PROMOVER E INTEGRAR, como convivência entre as diferenças e partilha de saberes.

Entendemos que o Papa Francisco, com sua Ecologia Integral está falando também dos biomas, ecossistemas e da humanidade. A convivência e integração pacífica entre as culturas e povos, que jamais nega a diversidade étnica e cultural, é uma dimensão da Igreja no Espírito do Pentecostes. Com este espírito somos chamados a sonhar, celebrar e a viver com alegria e com ousadia a Semana do Migrante em 2017.

Pe. Mário Geremia CS e Roberto Saraiva (COLEGIADA DO SPM)

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Sobre SPM - Serviço Pastoral dos Migrantes

O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) é uma Pastoral Social, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada em 1985, que promove os direitos humanos, sociais, econômicos, políticos e culturais dos migrantes e imigrantes e comunidades de origem, trânsito e destino.
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