Por que migrar para o Sudeste pode não ser a melhor solução

Por que migrar para o Sudeste pode não ser a melhor solução
Por que migrar para o Sudeste pode não ser a melhor solução  |  Fonte: Shutterstock

A migração nordestina para a região Sudeste do Brasil faz parte da história do País. A estagnação econômica do Nordeste em relação às outras regiões, além dos períodos de seca que assolavam a população, determinaram o início do processo migratório, especialmente para São Paulo – em 2011, um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou que 45,5% da população da Grande São Paulo era formada por imigrantes de outros estados.

Cláudio Bertolli Filho, professor da UNESP (Universidade Estadual de São Paulo) , afirma que São Paulo era vista, pelos migrantes, como uma solução para uma vida melhor. No entanto, com o tempo, a falta de oportunidades, as condições da cidade e a qualidade de vida no local mostraram que a possibilidade de ascensão estava bem reduzida. “A decepção fez com que quem havia vindo do Nordeste repensasse a decisão, e optasse, muitas vezes, para voltar para seu local de origem”.

E, realmente, à medida em que as condições de vida foram melhorando no Nordeste, foi possível observar uma mudança no fluxo migratório do Brasil: nordestinos que viviam no Sudeste resolveram voltar para a sua terra, o que também despertou o interesse de profissionais da região Sudeste nas oportunidades de emprego e crescimento profissional nos estados nordestinos.

“Com a ascensão econômica do Nordeste nos últimos anos, a região passou a ser alvo de investimentos, especialmente no setor industrial, com a vinda de grandes multinacionais do mercado”, explica Thobias Silva, Economista Chefe da FIEPE (Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco). “Pessoas que estavam em outros estados interpretaram como o momento certo de retornar para sua terra. Hoje, convivo com executivos de todo o Brasil”.

Ou seja, Thobias afirma que a migração para o Sudeste deixou de ser a primeira opção para muitos nordestinos, que passaram a investir em qualificação profissional para conquistar oportunidades na região.

Se você mora no Nordeste, confira por que migrar para o Sudeste pode não ser a melhor solução:

BARREIRA CULTURAL

Cláudio diz que, para ele, as pessoas só abandonam sua casa e família quando não existem mais opções. Por isso, ele e Thobias consideram que o fator cultural pode ser muito difícil na hora de mudar de região.

“A vida no Nordeste e no Sudeste brasileiro são muito diferentes: costumes, vivências, tudo! Por esse motivo, a barreira cultural pode vir a atrapalhar a adaptação”, explica Thobias. “A oportunidade de poder crescer profissionalmente em sua própria terra contribui, inclusive, para um melhor equilíbrio social”.

“Como os nordestinos têm ciência das dificuldades em todas as regiões brasileiras, tendem a continuar em sua terra, pois pensam que se é para arriscar, que seja em um local que não demande tantas mudanças na vida pessoal”, complementa Cláudio. No entanto, algumas pessoas gostam de participar de intercâmbios culturais e aproveitariam as diferenças, caso decidissem migrar – é uma escolha pessoal, na qual é preciso estar preparado para os desafios.

OPORTUNIDADES LOCAIS

Nordeste é uma terra de oportunidades, especialmente para os que investem em qualificação profissional, conforme Thobias. Com a chegada de multinacionais, as oportunidades no mercado de trabalho foram potencializadas, fazendo com que as empresas regionais também passassem por um processo de profissionalização.

“Cada vez mais é possível observar as empresas contratando nordestinos – especialmente para cargos de diretoria e gerência. Algumas, inclusive, possuem programas voltados para contratar apenas funcionários da região, estimulando a integração da população”.

De acordo com a ASAP (consultoria de recrutamento, seleção e avaliação de executivos), embora o Nordeste tenha sofrido retração econômica em 2016, já é possível perceber, no primeiro trimestre de 2017, uma mudança no comportamento por parte das empresas, que estão retomando as buscas por novos funcionários.

QUALIDADE INSTITUIÇÃO DE ENSINO

Três universidades do Nordeste brasileiro estão entre as cem melhores da América Latina, em levantamento realizado pela Quacquarelli Symonds (QS) . No ranking, a Universidade Federal de Pernambuco ocupa a 44ª posição, seguida pela Universidade Federal da Bahia, na 69ª, e a Federal do Ceará, na 87ª.

Thobias afirma que, com a ascensão econômica, houve maior índice de investimentos no setor da educação, principalmente com intercâmbio de alunos e novas escolas técnicas. “Pernambuco, por exemplo, tem o melhor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do Brasil, juntamente a São Paulo – 3,9 pontos. No Estado, especificamente, a qualidade educacional começou a ganhar relevância e se refletiu em mais postos de trabalho ocupados por nordestinos”.

ASCENSÃO ECONÔMICA

Nos últimos anos, o Nordeste passou a ser alvo de investimentos, o que impactou positivamente sua economia. Segundo Thobias, a região demorou mais do que as outras para sofrer com a crise econômica que atingiu o país e agora está se recuperando bem dos prejuízos causados.

Novamente citando Pernambuco, a cidade de Recife detém do principal parque tecnológico do Brasil, que oferece centenas de oportunidades, especialmente voltadas para o mercado de inovação. O Porto Digital, como é chamado, propicia um ambiente inovador e criativo para as empresas, e gera, anualmente, faturamento de cerca de 1,4 bilhão de reais. Para 2020, o local, que já abriga 8.500 pessoas, espera contar com 22 mil funcionários nas mais de 270 organizações.

QUALIDADE DE VIDA

São Paulo muitas vezes é interpretada pelos nordestinos como um local que propicia qualidade de vida, de acordo com Cláudio. No entanto, os resultados do IRBEM – Índice de Referência de Bem-Estar no Município – realizado pela Rede Nossa São Paulo, em parceria com o IBOPE –, revelaram que os paulistanos atribuem nota média de 3,7 de 10 para a qualidade de vida na cidade. Ou seja, o município está deixando a desejar no quesito.

A região Nordeste, neste ponto, ainda tem muito a melhorar, conforme Thobias. “É preciso atrair alguns investimentos importantes, especialmente voltados para infraestrutura, logística interna e saneamento básico – setores que têm mais impacto na vida das pessoas e das empresas. Feito isso, a qualidade de vida da população estará ainda melhor. E não estamos longe disso”.

UNI>ERSIA

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Sobre SPM - Serviço Pastoral dos Migrantes

O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) é uma Pastoral Social, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada em 1985, que promove os direitos humanos, sociais, econômicos, políticos e culturais dos migrantes e imigrantes e comunidades de origem, trânsito e destino.
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