Ambulante piauiense assassinado pela polícia de São Paulo e nota de repúdio assinada pelo SPM

21/09/2014 20h15 – Atualizado em 22/09/2014 09h06

Camelô morto por PM planejava voltar para o PI e assumir vaga em concurso

Emocionado, pai de vítima contou que o filho estava feliz pela convocação.
Carlos Augusto Muniz foi enterrado neste domingo (21), em Simplício Mendes.

Catarina CostaDo G1 PI

Muita comoção e revolta marcaram o enterro do vendedor ambulante Carlos Augusto Muniz Braga, 30 anos, neste domingo (21) na cidade de Simplício Mendes, Sul do Piauí. Ele foi morto por policial militar durante confronto na Zona Oeste de São Paulo na quinta-feira (20). Muito emocionado, o pai Raimundo Araújo Braga revelou ao G1 que o filho recentemente tinha sido convocado no concurso da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e por este motivo ele pretendia voltar a cidade natal até o final deste mês para assumir a vaga.

“Na nossa última conversa ele me falou que estava feliz e tinha muitos sonhos aqui. Só era alegria, meu filho dava muitas risadas, era alegre e cheio de vida. Carlos Augusto disse que só iria trabalhar até o final deste mês em São Paulo e voltaria para o Piauí, onde assumiria o cargo no qual ele foi aprovado”, contou.

Ainda segundo o pai, Carlos Augusto Muniz Braga completou 30 anos na segunda-feria (15), três dias antes da sua morte e que sua mulher, Acelina Braga, está tendo acompanhamento médico 24 horas, desde quando soube da notícia. “Ela permanece em estado de choque, não consegue falar com ninguém pois vai logo chorando. Meu filho nunca nos deu trabalho e a sua morte foi um ato covarde”, declarou Raimundo.

Centenas de moradores compareceram a casa do casal no bairro Alto da Matriz, onde acontecia o velório desde às 21h30 desse sábado (20), horário em que o corpo da vítima chegou na cidade. Ainda durante a noite, a avó do camelô passou mal e foi levada para o hospital.

Acompanhado pelos familiares, amigos e pessoas sensibilizadas com a tragédia, o enterro de Carlos Augusto aconteceu já no final da tarde no cemitério local. Novamente a família informou que pretendem acionar a Justiça e pedir indenização ao estado de São Paulo pela morte de Carlos Augusto.

Entenda o caso
Carlos Augusto Muniz Braga morreu após levar um tiro na cabeça, disparado por um policial militar, que participava de uma operação na Rua Doze de Outubro, Lapa, na Zona Oeste de São Paulo, na quinta-feira (20). A polícia fazia uma operação de combate à venda de produtos piratas na região. Segundo a PM, os camelôs se revoltaram e passaram a atacar os fiscais da prefeitura e os policiais militares.

Na ocasião, três policiais faziam a prisão de outro ambulante quando Carlos tentou tirar uma lata de spray de pimenta da mão do policial Henrique Bueno de Araújo.  O PM reagiu e atingiu o vendedor com um tiro na cabeça. Ele morreu em seguida.

http://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2014/09/camelo-morto-por-pm-planejava-voltar-para-o-pi-e-assumir-vaga-em-concurso.html

NOTA DE REPUDIO CONTRA AÇÕES VIOLENTAS DA POLÍCIA MILITAR E A OMISSÃO DO PODER JUDICIÁRIO NA REINTEGRAÇÃO DE POSSE DA AVENIDA SÃO JOÃO 601, NO DIA 16 DE SETEMBRO DE 2014 E A VIOLÊNCIA PRATICADA CONTRA OS TRABALHADORES/AS INFORMAIS E A POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA!

 

Desde meados dos anos de 1990, diversos Movimentos de Luta pela Moradia, a População em Situação de Rua e os Trabalhadores Informais, vêm realizando uma luta sem tréguas contra a especulação imobiliária e a higienização no centro de São Paulo.

Nesta guerra contra os pobres, no território do centro da cidade, a especulação imobiliária se aliou ao poder judiciário, ao poder publico e a policia militar, com a finalidade de criminalizar os movimentos populares, agredindo e tentando expulsar os Sem Teto, os Trabalhadores Informais, a População de Rua e todos os excluídos/as da região. As vítimas do modelo excludente de cidade passaram a ser tratadas como responsáveis pelo caos urbano que tem origem na falta de democratização do acesso à cidade.

As elites querem um centro higienizado e sem pobres, que satisfaça exclusivamente seus direitos individuais. Assim, vêm utilizando todas as formas de violência para atingir o seu objetivo.

O que ocorreu no dia 16 de setembro de 2014, no centro de São Paulo, no despejo violento do hotel Aquarius, se sucedendo aos ataques da GCM e da PM na região da “Cracolândia”, contra os usuários de drogas e a população em situação de rua, somados ao assassinato  de um trabalhador ambulante por um PM na região da Lapa, são apenas mais alguns dos tristes e perversos capítulos desta agenda de higienização e massacre da população pobre. Portanto, não são fatos isolados, fazem parte da mesma matriz higienista de violência.

A REINTEGRAÇÃO DE POSSE DO HOTEL AQUARIUS retrata a violência institucional e a supressão de todos os direitos constitucionais da população pobre. Uma propriedade abandonada há dez anos foi protegida pelo Poder Judiciário e pela Polícia Militar em detrimento ao direito das famílias, é o direito individual se sobrepondo ao direito coletivo, mesmo que a Constituição Federal determine o contrário. Mas não foi apenas isso: a reintegração de posse foi executada MESMO SEM OS MEIOS NECESSÁRIOS, com o uso abusivo da força policial – muitas pessoas foram agredidas,  crianças e mulheres foram atingidas por bombas dentro do prédio, pelo menos dois jovens tiveram os seus braços quebrados pela PM, diversas pessoas foram alvejadas e atingidas por balas de borracha, bombas de efeito moral e gás lacrimogênio e, ao final, os despejados ainda foram submetidos a tratamento desumano, com detenção sem acusação formal, sem que pudessem ir ao banheiro, beber água ou se alimentar.

A porta da ocupação, num ato de violência sem tamanho, foi arrombada pelo caminhão do choque. Homens, mulheres e crianças relataram que a PM, num “corredor polonês” os agrediu dentro da ocupação. Crianças de colo – bebês, inclusive uma criança cadeirante – foram detidas e conduzidas com seus pais e avós ao 3º Distrito Policial, ficando expostos por horas, no chão do posto de gasolina na esquina da Rua Aurora com a Avenida Rio Branco. Assim, Manifestamos aqui toda nossa solidariedade à FLM – Frente de Luta Por Moradia – pela resistência.

Repudiamos todos os atos de violência militar nesta desocupação, repudiamos também, os atos violentos da GCM e da PM contra os usuários de drogas na Região da Cracolândia, no dia 18/09/14, repudiamos a morte de um trabalhador informal assassinado por um PM, na região da Lapa na mesma quinta feira, dia 18/09/14. 

Exigimos a apuração de todos os atos de violência da PM, com punição para os culpados. Pelo fim das ações violentas da GCM. Pelo fim da criminalização dos movimentos populares e dos defensores/as de direitos humanos. Abaixo a especulação imobiliária. Exigimos um judiciário que defenda a população e não a especulação. Pela desmilitarização da PM.

LUTAREMOS PELA JUSTIÇA SOCIAL COM TODAS AS NOSSAS FORÇAS E ELES NUNCA ATINGIRÃO SEUS OBJETIVOS. PODEM NOS AGREDIR, MAS CONTINUAREMOS A RESISTIR!

PELO DIREITO À CIDADE, LUTA CONTINUA!

 

Frente de Luta Pela Moradia (FLM); Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos; Central  de Movimentos Populares (CMP); União dos Movimentos de Moradia de São Paulo UMM); Movimento Sem Teto do Centro – MSTC; Movimento Moradia Para Todos; Fórum dos Trabalhadores Informais; Movimento de Moradia da Região Centro; Unificação das Lutas de Cortiços; Ouvidoria da Defensoria Publica do Estado de São Paulo; Comitê Popular da Copa; Escritório Modelo da PUC; Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico; Núcleo Direito à Cidade da USP;  Movimento Nacional da População de Rua; Pastoral do Povo da Rua; Movimento Nacional dos Direitos Humanos; Serviço Pastoral dos Migrantes; Consulta Popular

Sobre SPM - Serviço Pastoral dos Migrantes

O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) é uma Pastoral Social, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada em 1985, que promove os direitos humanos, sociais, econômicos, políticos e culturais dos migrantes e imigrantes e comunidades de origem, trânsito e destino.
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