Onda de imigrações ilegais de jovens gera demanda por reforma da política migratória dos EUA

Migrantes –  11.08.2014 – América Latina – 

Marcela Belchior 

Adital

Diante de onda de casos de meninos e meninas imigrantes que chegam aos Estados Unidos cruzando a fronteira do país com o México, a organização não governamental estadunidense dedicada à defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW), com sede em Nova York, chama a atenção para a necessidade de reforma da política migratória do país. A entidade requer que o Congresso dos EUA reveja procedimentos utilizados, hoje, para que esses mecanismos de controle protejam direitos fundamentais dessa população.

“As histórias daqueles que anseiam por reunirem-se com suas famílias, converterem-se em novos cidadãos dos Estados Unidos e sofrem na conquista desse sonho, nos lembram de que a imigração não é somente um assunto político ou econômico”, afirma Grace Meng, pesquisadora dos EUA para a HRW. “É necessária uma reforma migratória para proteger os direitos humanos fundamentais, incluindo direitos que têm sido cruciais ao longo da vida e da história dos EUA”, complementa Meng.

Para discutir tal proposta, a HRW divulgou uma reportagem multimídia em parceria com a revista Time, o fotógrafo britânico Platon Antoniou, reconhecido internacionalmente por retratar diversos líderes mundiais e figuras públicas, e a organização sem fins lucrativos The People’s Portfolio, dedicada a promover a dignidade humana por meio da fotografia. No projeto, são apresentadas fotos e entrevista em vídeo com imigrantes, cujas histórias apontam para uma necessidade urgente de aprovação de uma reforma migratória integral naquele país.

Além disso, a organização de direitos humanos acaba de publicar um novo informe sobre os problemas relacionados a esse tema. “O extenso projeto de lei de imigração aprovado pelo Senado dos EUA, em junho de 2013, mesmo contendo defeitos, suporia um importante avanço para solucionar o deficiente sistema de imigração do país e pôr fim ao sofrimento desnecessário de milhões de imigrantes e suas famílias”, apontou a HRW.

Na avaliação da Human Rights Watch, a Lei de Segurança Fronteiriça, Oportunidade Econômica e Modernização Migratória dos EUA (Projeto de Lei nº 744 do Senado) contempla um caminho à cidadania para milhões de imigrantes sem documentação no país e permite que muitas famílias continuem unidas. “Também diminuiria muitos dos riscos que afrontam os imigrantes não autorizados e reduziria o número de pessoas que, por desespero, buscam entrar ilegalmente nos EUA”, aponta a organização.

A HRW destaca que as histórias apresentadas na reportagem da organização evidenciam as dificuldades que muitos migrantes sofrem quando submetidos ao atual sistema. Uma delas é a frequente detenção e deportação de imigrantes não autorizados e, inclusive, residentes permanentes legais, sem levar em conta seu direito à unidade familiar. Outra complicação é a vulnerabilidade a sofrerem abusos como o não recebimento de salário ou assédio sexual, comum entre trabalhadores sem documentos, que temem denúncia às autoridades de imigração.

Segundo a organização, o rápido crescimento da Patrulha Fronteiriça dos EUA e a vigilância reforçada nas fronteiras do país com o México e com o Canadá têm levado a um aumento do número de denúncias de abusos e mortes ilegais de migrantes, muitos deles ainda crianças e adultos, que fogem da violência e perseguição ou que, simplesmente, buscam encontrarem-se com suas famílias nos EUA.

Medidas de proteção

A HRW faz um chamado ao Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e ao Congresso do país para que sejam tomadas medidas urgentes para a realização de reforma migratória integral. Nela, defende a organização, deveriam ser considerados o respeito e a proteção de famílias e a proteção dos imigrantes contra abusos e delitos no local de trabalho.

Aponta ainda a demanda para a promoção de processo de legalização que proteja, de maneira adequada, os direitos fundamentais dos 11 milhões de imigrantes não autorizados que se estima viverem nos EUA. Soma-se a isso a necessidade de enfocar esforços de vigilância e perseguição a outro tipo de ameaças, com o objetivo de proteger os direitos de todos. “Um aumento da vigilância por si só não pode neutralizar o desespero de tantos imigrantes”, ressaltou Meng.

Marcela Belchior

Jornalista da ADITAL

http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=81923

Sobre SPM - Serviço Pastoral dos Migrantes

O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) é uma Pastoral Social, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada em 1985, que promove os direitos humanos, sociais, econômicos, políticos e culturais dos migrantes e imigrantes e comunidades de origem, trânsito e destino.
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