Na Inglaterra, chegam a 90% os brasileiros ilegais, diz especialista

26/09/2006 – 19h58

Diretora-executiva de agência de imigração em Londres, Francine Mendonça diz que o se fecha o cerco sobre trabalho ilegal no país

Daniel Buarque, do G1, Em São Paulo

A situação dos brasileiros Lucas Fernandez Jesus, de 27 anos, e Werleson Rodrigo Ferreira de Oliveira, de 25, condenados pela fabricação de documentos falsos na Inglaterra  é muito mais séria, mas o cerco está se apertando sobre todos os imigrantes ilegais da Inglaterra, avalia a gaúcha Francine Mendonça, diretora-executiva do grupo Londonhelp4u, agência especializada em intercâmbio de estudantes da Inglaterra.

Especializada em imigração, ela diz que deve chegar a 90% o volume de ilegais entre os brasileiros que trabalham na Inglaterra, especialmente no interior, e indica que deve se deixar de lado o mito de que é fácil ganhar dinheiro e viver na Inglaterra, e que quem estiver disposto deve fazê-lo legalmente.

Leia abaixo a entrevista que ela concedeu ao G1, direto de Londres.

G1 – É comum brasileiros falsificarem documentos aí na inglaterra?

Francine Mendonça – É “normal”, comum acontecer, de usar documentos falsos. Muitos brasileiros usam documentos falsos para poder trabalhar, abrir conta em banco, coisas que realmente são difíceis para imigrantes. O problema é que é relativamente fácil conseguir documentos falsos. Muitas vezes as próprias empresas que aceitam empregar imigrantes apontam o caminho para que se consiga essa documentação.

A maioria dos brasileiros que usam essa técnica não sabe o que está fazendo. Não acha que é crime. Acha que é normal, parte do sistema, já que é a única forma de conseguir trabalhar. E isso faz a máfia crescer. Mas o cerco está se apertando e cada vez mais ilegais são descobertos pelo governo.

G1 – Pode se falar realmente em máfia, no caso dos dois brasileiros condenados a cinco anos de prisão?

Mendonça – O crime que eles cometeram é muito sério. Eles produziam documentos falsos. Hoje em dia, com o aumento do controle para a imigração, quem é pego com documento falso pode pegar cadeia, é visto como parte da máfia, mesmo o porte é crime. Depois de alguns meses de prisão, o imigrante é mandado de volta ao país de origem, mas, no caso da produção dos documentos, como o caso atual, eles podiam pegar até 14 anos de prisão, e vão ter que cumprir a pena toda em prisões inglesas. O caso deles vai muito além do uso de documentos falsos, do trabalho como ilegal, eles são realmente criminosos.

G1 – É possível saber o número de brasileiros que usam desse artifício?

Mendonça – Não é possível consolidar uma quantificação dos brasileiros nessa situação. A imigração tem mandado cada vez mais gente embora. Posso dizer que 90% dos brasileiros que trabalham, especialmente no interior da Inglaterra, usam esse tipo de documento. Eles se sentem sem saída, por não conseguirem prolongar o visto e permanecer mais tempo.

G1 – Como eles podem conseguir trabalhar legalmente?

Mendonça – O estudante tem o direito de trabalhar 20 horas por semana. Hoje eles precisam pedir o visto de estudante antes mesmo de vir para a Inglaterra, não podem mais trocar o visto de turista por um de estudante depois que chegar aqui. É preciso já sair do Brasil com o direito de trabalhar.

G1 – Qual a situação dos imigrantes que trabalham ilegalmente?

Mendonça – O empregador paga o preço que quer, do jeito que quer, e o empregado não tem sequer o direito de reclamar. Não tem direito nenhum. A vida do imigrante na Inglaterra está cada vez mais difícil. Hoje em dia o documento é exigido para ir ao médico, ao hospital, ao banco. Desde o ano passado, a legislação está bem mais rígida. A partir do próximo ano, mesmo os europeus vão precisar passar por um controle de imigração, o que vai dificultar a vida dos brasileiros que vivem ilegalmente ainda mais.

G1 – O que deve fazer o brasileiro que está ilegal e quer regularizar a situação?

Mendonça – Voltar para o Brasil e tentar vir legalmente. Se ele tiver documentos ilegais, que queime e procure o consulado para ir embora. O governo inglês está oferecendo tudo para mandar de volta quem está ilegal. E está apertando o cerco e vai se esforçar para descobrir todos os ilegais.

Se a pessoa estiver sem documentos, eles não consideram crime, eles oferecem abrigo, comida e tudo o que precisar, até que haja um vôo e possa mandar a pessoa embora. Eles chegam mesmo a pagar a passagem para as pessoas que querem voltar ao país de origem. Se for pedido o apoio via consulado, fica tudo muito mais fácil. Tem muitos brasileiros que estão sendo explorados e querem deixar a Inglaterra, e o governo está oferecendo cada vez mais apoio para que a pessoa deixe o país.

É importante mostrar isso porque no Brasil as pessoas pensam que vir para cá trabalhar ilegalmente é fácil. As pessoas pensam que na Inglaterra dá dinheiro em árvore. Não é assim.

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,AA1287329-5602,00.html

 

26/09/2006 – 19h58m

NA INGLATERRA, CHEGAM A 90% OS BRASILEIROS ILEGAIS, DIZ ESPECIALISTA

Diretora-executiva de agência de imigração em Londres, Francine Mendonça diz que o se fecha o cerco sobre trabalho ilegal no país

Daniel Buarque, do G1, Em São Paulo

A situação dos brasileiros Lucas Fernandez Jesus, de 27 anos, e Werleson Rodrigo Ferreira de Oliveira, de 25, condenados pela fabricação de documentos falsos na Inglaterra (leia mais aqui) é muito mais séria, mas o cerco está se apertando sobre todos os imigrantes ilegais da Inglaterra, avalia a gaúcha Francine Mendonça, diretora-executiva do grupo Londonhelp4u, agência especializada em intercâmbio de estudantes da Inglaterra.

Especializada em imigração, ela diz que deve chegar a 90% o volume de ilegais entre os brasileiros que trabalham na Inglaterra, especialmente no interior, e indica que deve se deixar de lado o mito de que é fácil ganhar dinheiro e viver na Inglaterra, e que quem estiver disposto deve fazê-lo legalmente.

Leia abaixo a entrevista que ela concedeu ao G1, direto de Londres.

G1 – É comum brasileiros falsificarem documentos aí na inglaterra?

Francine Mendonça – É “normal”, comum acontecer, de usar documentos falsos. Muitos brasileiros usam documentos falsos para poder trabalhar, abrir conta em banco, coisas que realmente são difíceis para imigrantes. O problema é que é relativamente fácil conseguir documentos falsos. Muitas vezes as próprias empresas que aceitam empregar imigrantes apontam o caminho para que se consiga essa documentação.

A maioria dos brasileiros que usam essa técnica não sabe o que está fazendo. Não acha que é crime. Acha que é normal, parte do sistema, já que é a única forma de conseguir trabalhar. E isso faz a máfia crescer. Mas o cerco está se apertando e cada vez mais ilegais são descobertos pelo governo.

G1 – Pode se falar realmente em máfia, no caso dos dois brasileiros condenados a cinco anos de prisão?

Mendonça – O crime que eles cometeram é muito sério. Eles produziam documentos falsos. Hoje em dia, com o aumento do controle para a imigração, quem é pego com documento falso pode pegar cadeia, é visto como parte da máfia, mesmo o porte é crime. Depois de alguns meses de prisão, o imigrante é mandado de volta ao país de origem, mas, no caso da produção dos documentos, como o caso atual, eles podiam pegar até 14 anos de prisão, e vão ter que cumprir a pena toda em prisões inglesas. O caso deles vai muito além do uso de documentos falsos, do trabalho como ilegal, eles são realmente criminosos.

G1 – É possível saber o número de brasileiros que usam desse artifício?

Mendonça – Não é possível consolidar uma quantificação dos brasileiros nessa situação. A imigração tem mandado cada vez mais gente embora. Posso dizer que 90% dos brasileiros que trabalham, especialmente no interior da Inglaterra, usam esse tipo de documento. Eles se sentem sem saída, por não conseguirem prolongar o visto e permanecer mais tempo.

G1 – Como eles podem conseguir trabalhar legalmente?

Mendonça – O estudante tem o direito de trabalhar 20 horas por semana. Hoje eles precisam pedir o visto de estudante antes mesmo de vir para a Inglaterra, não podem mais trocar o visto de turista por um de estudante depois que chegar aqui. É preciso já sair do Brasil com o direito de trabalhar.

G1 – Qual a situação dos imigrantes que trabalham ilegalmente?

Mendonça – O empregador paga o preço que quer, do jeito que quer, e o empregado não tem sequer o direito de reclamar. Não tem direito nenhum. A vida do imigrante na Inglaterra está cada vez mais difícil. Hoje em dia o documento é exigido para ir ao médico, ao hospital, ao banco. Desde o ano passado, a legislação está bem mais rígida. A partir do próximo ano, mesmo os europeus vão precisar passar por um controle de imigração, o que vai dificultar a vida dos brasileiros que vivem ilegalmente ainda mais.

G1 – O que deve fazer o brasileiro que está ilegal e quer regularizar a situação?

Mendonça – Voltar para o Brasil e tentar vir legalmente. Se ele tiver documentos ilegais, que queime e procure o consulado para ir embora. O governo inglês está oferecendo tudo para mandar de volta quem está ilegal. E está apertando o cerco e vai se esforçar para descobrir todos os ilegais.

Se a pessoa estiver sem documentos, eles não consideram crime, eles oferecem abrigo, comida e tudo o que precisar, até que haja um vôo e possa mandar a pessoa embora. Eles chegam mesmo a pagar a passagem para as pessoas que querem voltar ao país de origem. Se for pedido o apoio via consulado, fica tudo muito mais fácil. Tem muitos brasileiros que estão sendo explorados e querem deixar a Inglaterra, e o governo está oferecendo cada vez mais apoio para que a pessoa deixe o país.

É importante mostrar isso porque no Brasil as pessoas pensam que vir para cá trabalhar ilegalmente é fácil. As pessoas pensam que na Inglaterra dá dinheiro em árvore. Não é assim.

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,AA1287329-5602,00.html

 

Sobre SPM - Serviço Pastoral dos Migrantes

O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) é uma Pastoral Social, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada em 1985, que promove os direitos humanos, sociais, econômicos, políticos e culturais dos migrantes e imigrantes e comunidades de origem, trânsito e destino.
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