Virgindade de meninas índias vale R$ 20 no Amazonas

Kátia Brasil / folha.com.br 05/11/2012 07:14

ENVIADA ESPECIAL A SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA (AM)

No município amazonense de São Gabriel da Cachoeira, na fronteira do Brasil com a Colômbia, um homem branco compra a virgindade de uma menina indígena com aparelho de celular, R$ 20, peça de roupa de marca e até com uma caixa de bombons.

A pedido das mães das vítimas, a Polícia Civil apura o caso há um ano. No entanto, como nenhum suspeito foi preso até agora, a Polícia Federal entrou na investigação no mês passado.

Doze meninas já prestaram depoimento. Elas relataram aos policiais que foram exploradas sexualmente e indicaram nove homens como os autores do crime.

Entre eles há empresários do comércio local, um ex-vereador, dois militares do Exército e um motorista.

As vítimas são garotas das etnias tariana, uanana, tucano e baré que vivem na periferia de São Gabriel da Cachoeira, que tem 90% da população (cerca de 38 mil pessoas) formada por índios.

Entre as meninas exploradas, há as que foram ameadas pelos suspeitos. Algumas foram obrigadas a se mudar para casas de familiares, na esperança de ficarem seguras.

A Folha conversou com cinco dessas meninas e, para cada uma delas, criou iniciais fictícias para dificultar a identificação na cidade.

M., de 12 anos, conta que “vendeu” a virgindade para um ex-vereado. O acerto, afirma a menina, ocorreu por meio de uma prima dela, que também é adolescente. “Ele me levou para o quarto e tirou minha roupa. Foi a primeira vez, fiquei triste.”

A menina conta que o homem é casado e tem filhos. “Ele me deu R$ 20 e disse para eu não contar a ninguém.”

P., de 14 anos, afirma que esteve duas vezes com um comerciante. “Ele me obrigou. Depois me deu um celular.”

Já L., de 12 anos, diz que ela e outras meninas ganharam chocolates, dinheiro e roupas de marca em troca da virgindade. “Na primeira vez fui obrigada, ele me deu R$ 30 e uma caixa com chocolates.”

A italiana Giustina Zanato, 63, é para as meninas indígenas uma espécie de versão amazonense de Dorothy Stang, missionária assassinada no Pará em 2005 e que dedicou parte de sua vida à defesa dos camponeses.

Natural de Marostica, província de Vicenza, chegou ao Brasil em outubro de 1984. Ligada à Congregação das Irmãs Salesianas, da Igreja Católica, já enfrentou embates com pessoas do Judiciário e da polícia cobrando a punição dos suspeitos de abusar das meninas da região.

“Denúncias foram feitas, mas não vimos o resultado. É muito triste pensar que quem se colocou ao lado da Justiça é injusto”, diz a missionária.

Desde 2008, a religiosa coordena o programa assistencial “Menina Feliz”, que atende vítimas de violência sexual e abandono.

Lá, as menores são abrigadas, recebem alimentação, educação e podem fazer cursos de artesanato, costura e também de informática.

 

MANIFESTE SUA INDGINAÇÃO E EXIJA A PRESENÇA DA CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA NA FISCALIZAÇÃO DESTE CRIME E PROTEÇÃO DAS VÍTIMAS:

http://www.camarasgc.am.gov.br/contact-info

ENVIE TAMBÉM E-MAILS AOS VEREADORES:

sulamita@camarasgc.am.gov.br, valmir@camarasgc.am.gov.br, flavia@camarasgc.am.gov.br, klebinho@camarasgc.am.gov.br, orlando@camarasgc.am.gov.br, cardoso@camarasgc.am.gov.br, catarino@camarasgc.am.gov.br, adivereador@gmail.com, genivaldo@camarasgc.am.gov.br, osmarina@camarasgc.am.gov.br

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Missão Salesiana de São Gabriel da Cachoeira

Diretor: alzimar@isma.org.br

Endereço:
Av. 31 de Março, s/n
69750-000 – São Gabriel da Cachoeira/AM
Telefone:
(97) 3471-1080 (Centro Juvenil/Fax)
(97) 3471-1213 (Centro Juvenil)
(97) 3471-1214 (Comunidade – Fone/Fax)

04/11/2012 – 06h20

 

 

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Sobre SPM - Serviço Pastoral dos Migrantes

O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) é uma Pastoral Social, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada em 1985, que promove os direitos humanos, sociais, econômicos, políticos e culturais dos migrantes e imigrantes e comunidades de origem, trânsito e destino.
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