Refugiados sírios começam a chegar na Europa

KOPINGEBRO, Suécia – Ali Jamal viajou milhares de quilômetros a pé, de trem e carro para escapar da violência na Síria; enquanto Joomah fugiu com sua família em uma van para chegar ilegalmente no norte da Europa. Eles agora estão sãos e salvos na Suécia e são alguns dos milhares de sírios que estão cruzando as fronteiras da União Europeia (UE) por causa do levante antigovernista que já dura 18 meses na Síria.

O aumento de refugiados na UE está aumentando o pedido para uma resposta do bloco à crise humanitária que fez com que mais de 200 mil sírios fugissem para Jordânia, Iraque, Líbano e, principalmente, Turquia. De lá, um grupo normalmente mais rico tenta entrar na UE, especialmente pela Grécia, em busca de asilo no norte do continente.

Só a Suécia espera que 17 mil sírios peçam asilo este ano e no próximo, um aumento significativo no fluxo migratório na Europa. Apenas um décimo deste número pediu asilo ao governo sueco nos nove meses de 2012.

– Cruzei um rio e alguém me disse: “Você está na Europa. Ninguém pode te parar agora” – disse Jamal, um estudante de Idlib, lembrando a relativa facilidade de chegar, pela Grécia, ao centro de refugiados em Kopingebro, no sul Suécia.

Com medo de ser convocado pelo Exército do presidente Bashar al-Assad, pelo qual seu irmão foi assassinado após tentar desertar, o estudante de 24 anos viu que era sua hora de tentar fugir do país. Ele passou dois dias se escondendo em montanhas do nordeste da Síria, se esquivando de bombas e bloqueios do governo até chegar à Turquia, onde mais de 80 mil refugiados sírios vivem hoje.

– Eu pensei: “Não quero lutar e matar pessoas, quero estudar, ter uma vida normal” – diz Jamal.

Como Jommah, que gastou milhares de dólares alugando uma van e um motorista na Turquia para conseguir cruzar clandestinamente a fronteira europeia, Jamal também contou detalhes de sua viagem ilegal para fugir da Síria. Apesar do perigo, a população não vê outra opção, já que conseguir visto para viajar pro exterior é quase impossível no país.

O sigilo de travessias ilegais e as diferentes estatísticas de cada um dos 27 países-membros da UE dificultam um panorama geral sobre a migração síria no continente. Na Alemanha, mais pessoas pediram asilo nos primeiros sete meses deste ano do que em 2011 inteiro. Reino Unido e vários outros países também viram a entrada de imigrantes aumentar.

Com medo de imigrantes ilegais em suas fronteiras, a Grécia vai aumentar o policiamento com a fronteira turca. A agência de fronteiras da UE, a Frontex, disse que o número de sírios pegos tentando entrar em território grego aumentou em 12 vezes no primeiro semestre. Mas, se quase 2.400 foram detidos, outros 12.325 apresentaram pedidos de asilo no mesmo período.

A Suécia precisou improvisar acomodação. Jamal e Jomaah, por exemplo, estão em um albergue normalmente usado por turistas em Kopingebro. Muitos também foram direcionados para chalés em um acampamento, que abriu em uma das ilhas do país na semana passada.

Os sírios se tornaram a terceira maior nacionalidade a pedir asilo na Suécia, só atrás de somalis e afegãos. Por causa da instabilidade na Síria, o governo de Estocolmo aprovou quase todos os pedidos neste ano.

Muitos dos que chegaram à Suécia deixaram de lado vidas confortáveis na Síria, são bem educados e tinham bons empregos. Agora, eles vivem em um quarto cheio de beliches, comem a comida típica local e tem apenas duas horas por semana para usar a máquina de lavar roupa, divida com outras inúmeras famílias.

Pedido por mais esforços

Alguns especialistas em migração pedem que a UE facilite a entrada de sírios e organizem melhor a chegada dos estrangeiros. Para Philippe Fargues, diretor do Centro de Políticas Migratórias em Florença, países europeus deveriam automaticamente considerar todos os sírios a entrar no bloco como refugiados, ao invés de obrigá-los a pedir formalmente o asilo.

– Estamos diante de uma enorme crise na fronteira externa da Europa e isto não deve continuar – disse ele.

http://mail.mailig.ig.com.br/mail/?AuthEventSource=SSO#inbox/13996a80ffe3c238

Sobre SPM - Serviço Pastoral dos Migrantes

O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) é uma Pastoral Social, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada em 1985, que promove os direitos humanos, sociais, econômicos, políticos e culturais dos migrantes e imigrantes e comunidades de origem, trânsito e destino.
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s