Via Crucis do migrante e a estação Lechería

25.07.12 – México

La Jornada – Diário mexicano
Adital
Por Gloria Muñoz Ramírez
Tradução: ADITAL

Todos os dias centenas de migrantes ficam à mercê da delinquência organizada e dos policiais que os extorquem na estação do trem de Lechería, no município de Tultitlán, lugar onde no passado 9 de julho fechou suas portas a Casa del Migrante, que os acolheu durante três anos, oferecendo-lhes um lugar para dormir e algo de comer e, sobretudo, um refúgio em seu perigoso percorrido rumo aos Estados Unidos.
Os migrantes, em sua maioria centro-americanos, e também mexicanos, chegam a esse lugar do norte da Cidade do México pensando que a parte mais perigosa do trajeto já foi vencida. Já percorreram Chiapas, Oaxaca e Veracruz, enfrentando assaltos, fome, extorsões, frio e chuvas. Porém, ainda estão a menos da metade do caminho. São mil quilômetros desde a fronteira sul do México e terão que percorrer mais de mil quilômetros até chegarem à primeira fronteira com os Estados Unidos e aí começar outra Via Crucis até chegar ao seu destino.
Na inóspita estação de Lechería, o sonho parece muito distante de ser realizado. A lona que o governo estatal instalou como refúgio provisório é insuficiente. É mais uma medida de difusão do que uma resposta real ao grave problema, que é melhor atendido por grupos de ativistas do que por iniciativas governamentais.
Andrea González, professora da Unam (Universidade Nacional do México) e membro do coletivo ‘Ustedes somos nosotros’ (Vocês somos nós)leva-lhes comida e roupa todos os dias. A ativista explica que a carpa foi colocada como resposta à emergência após um acordo entre o presidente municipal de Tultitlán e a Igreja, para abrigar um comedor (restaurante popular). O que vimos é que o comedor não é suficiente; está chovendo muito e os migrantes não podem subir ao trem porque este passa muito rápido e porque a polícia privada não permite.
Nas imediações do albergue sem paredes, um migrante hondurenho com o braço engessado decide não entrar: O lugar cheira mal e nos tratam como crianças, ele diz ao repórter Arturo Lorot. Ao perguntar-lhe sobre as razões que o levam a buscar abrigo na carpa, responde que fora essa opção nada o protege dos assaltos ou dos sequestros. Mostra seu gesso e relata que a fratura no braço é resultado de um assalto que sofreu dois dias, quando quatro homens o atacaram e quebraram seu braço.
Marta Sánchez Soler, fundadora do Movimento Migrante Mesoamericana, assinala de modo cortante que a responsabilidade da atenção aos migrantes é do Estado mexicano. Na própria lei de migração estão assinalados seus deveres; porém, como o governo não faz nada, a sociedade civil atua de maneira espontânea.

http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=69076

 

Sobre SPM - Serviço Pastoral dos Migrantes

O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) é uma Pastoral Social, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada em 1985, que promove os direitos humanos, sociais, econômicos, políticos e culturais dos migrantes e imigrantes e comunidades de origem, trânsito e destino.
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