Filhos indocumentados saem às ruas “sem medo e sem documento”

 

Imigração

por Marisa Arruda Barbosa  |  24 de maio, 2012  | Imagem 

Tudo começou entre 2006 e 2007, quando jovens imigrantes indocumentados começaram a se comunicar anonimamente, iniciando um movimento que tem tomado maiores proporções e, hoje, conta com jovens mais ousados, sem medo de seu status imigratório. Nos últimos dois anos, o movimento apelidado “undocumented and unafraid” (indocumentados e sem medo) tornou-se um movimento de pleno direito, fortalecendo milhares de jovens, aterrorizando os pais e as autoridades, que não têm certeza de como responder.

Uma reportagem da “Associated Press” retratou os jovens nesse movimento, com pelo menos uma representação por estado e representações nacionais. No início, o foco era na passagem do DREAM Act, que daria um caminho para a cidadania a alguns jovens. O programa, no entanto, falhou diversas vezes, e jovens começaram a intensificar o movimento que chamam “Coming out of the Shadows” (Saindo da Sombra).

Da Califórnia a Nova York, incluindo a Flórida e quase todos os estados americanos, filhos de famílias que vivem ilegalmente nos EUA têm saído em marchas, com banners que dizem “indocumentados e sem medo”, desafiando órgãos públicos ao permanecerem em frente ao Capitólio do Alabama, fora dos tribunais de imigração federais e centros de detenção, no Condado de Maricopa, no Arizona, na frente da casa do xerife Joe Arpaio, inimigo número um dos imigrantes naquele estado.

Eles sabem que ao fazerem isso, correm o risco de serem deportados. Mas, conforme estados aprovam leis cada vez mais rigorosas anti-imigração ilegal – e os críticos denunciam seus pais como criminosos – esses jovens dizem não ter escolha.
Mesmo os críticos simpatizantes a sua causa dizem que o governo federal tem falhado em proteger as fronteiras dos EUA e que é muito caro fornecer educação, atendimento hospitalar e outros serviços públicos para não-cidadãos. Os mesmos críticos dizem que oferecer um caminho à cidadania para aqueles trazidos ilegalmente como crianças, representaria uma recompensa aos seus pais por terem violado a lei.

“Sair nas ruas dá a sensação de que um peso foi erguido”, diz Angy Rivera, de 21 anos, que veio da Colômbia quando tinha três anos. “Foi libertador. Eu não estava mais mentindo sobre minha vida”.

Enquanto Rivera estava crescendo no Queens, sua mãe lhe disse para não confiar em ninguém, para ficar longe de pessoas com autoridade, para nunca mencionar o seu status de imigração. Mas a partir do momento em que Rivera começou a procurar emprego e tentou entrar em universidades, viu que era diferente, e que ela não poderia chegar a lugar nenhum sem um número de Social Security.

Ela olhava para os seus três irmãos mais novos – todos cidadãos, por terem nascido nos EUA – e chorava. Ao contrário dela, eles não precisam se preocupar com faculdade, emprego, dirigir, viajar e planejar um futuro.
Rivera é ativa no New York State Youth Leadership Council, que oferece sessões de formação sobre como “sair”, lobbies legisladores em Albany, e tem um site (nysylc.org) repleto de informações e conselhos práticos para esses jovens, sobretudo, desde cuidados de saúde e aplicações para faculdade até namoro. É uma das muitas organizações que surgiram em todo o país, com foco em ajudar os jovens, lutando contra as deportações e educar o público sobre o tipo de limbo em que eles se sentem presos. Na Flórida, o Dream Activist Florida (dreamactivistfl.tublr.com) tem ajudado jovens nessa situação.

Rivera disse que a primeira vez que marchou do lado de fora do escritório de Imigração no centro de Nova York, em 2010, sua mãe chorava com medo de deportação. Rivera disse que também tinha medo, assim como os outros. Mas ela encontrou conforto e segurança nesse movimento, com um crescente sentimento da necessidade de correr riscos maiores, a fim de forçar a mudança, desafiando a administração Obama, que estabeleceu limites para deportar somente criminosos, e não estudantes ou imigrantes sem ficha criminal.

http://gazetanews.com/noticias/filhos-indocumentados-saem-as-ruas-%E2%80%9Csem-medo-e-sem-documento%E2%80%9D/

Sobre SPM - Serviço Pastoral dos Migrantes

O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) é uma Pastoral Social, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada em 1985, que promove os direitos humanos, sociais, econômicos, políticos e culturais dos migrantes e imigrantes e comunidades de origem, trânsito e destino.
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