Dados do CNDDH mostram que 165 moradores de rua foram mortos no país desde abril de 2011

 15/03/2012        Cidadania

 Alex Rodrigues Repórter Agência Brasil

 Brasília – De abril de 2011 até a semana passada, 165 moradores      de rua foram mortos no Brasil. O número divulgado hoje (15) pelo      Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos da População em      Situação de Rua e Catadores (CNDDH) representa pelo menos uma      morte a cada dois dias.

 Segundo a coordenadora do centro,      Karina Vieira Alves, as investigações policiais de 113 destes      casos não avançaram e ninguém foi identificado e responsabilizado      pelos homicídios. O CNDDH também registrou 35 tentativas de      homicídios, além de vários casos de lesão corporal.

 O Disque 100, serviço mantido pela      Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República para      receber denúncias sobre violações de direitos humanos, registrou,      durante todo o ano passado, 453 denúncias relacionadas à violência      contra a população de rua. Casos de tortura, negligência,      violência sexual, discriminação, entre outros. As unidades da      Federação com o maior número de denúncias em termos absolutos      foram São Paulo (120), Paraná (55), Minas Gerais e o Distrito      Federal, ambos com 33 casos.

 Embora expressivos, os números não      traduzem a real violência a que estão expostas as pessoas que      vivem nas ruas. De acordo com Karina, muitos dos crimes cometidos      contra esta população não são devidamente notificados. Além disso,      a falta de dados confiáveis que torne possível comparar a atual      situação não permite concluir se a violência contra o grupo vem      aumentando ao longo dos últimos anos. “Este é o número de      denúncias [notificadas]. Sabemos que há problemas muito graves que      não são denunciados”, disse a coordenadora-geral da Ouvidoria      Nacional de Direitos Humanos, Ivanilda Figueiredo, sobre os      números do Disque 100.

 Segundo os representantes de entidades      de moradores de rua que participaram, hoje (14), da reunião      extraordinária do Comitê Intersetorial de Monitoramento da      População em Situação de Rua, em Brasília (DF), existe atualmente      uma escalada da violência. De acordo com eles, as recentes mortes      e agressões a moradores de rua no Distrito Federal e em Mato      Grosso do Sul não foram casos isolados e só chegaram ao      conhecimento da imprensa porque as famílias das vítimas exigiram      providências.

 “Eu todo dia recebo e-mails      sobre mortes de moradores de rua. Elas estão acontecendo e vão      continuar ocorrendo. Por isso, queremos uma ação enérgica do      governo federal”, declarou Anderson Lopes, representante paulista      do Movimento Nacional de População de Rua. Na opinião do      representante mineiro do movimento, Samuel Rodrigues, o país vive      um momento triste com os episódios de violência contra a população      de rua. “Vivemos um momento bastante triste. Em 2004, o movimento      nacional surgiu em função de uma morte. Naquele momento, nós      discutíamos os direitos da população de rua. Hoje, estamos aqui      discutindo o seu extermínio. Estamos lutando para não morrer”.

 A reunião do comitê estava agendada      para o fim do mês, mas foi antecipada após um comerciante ter      contratado um grupo de jovens para matar dois moradores de rua de      Santa Maria (DF). “Temos a responsabilidade de responder      diretamente a esta escalada de violência e de mortes que estão      ocorrendo nas ruas. Não se trata mais de fatos isolados”, disse a      ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, se      referindo a “ação de grupos de extermínio” agindo no Distrito      Federal, em Mato Grosso do Sul, Alagoas, São Paulo, na Bahia e em      outros estados. “São grupos que banalizam a violência e que não      reconhecem, em quem está [vivendo] nas ruas, a condição humana”.

Sobre SPM - Serviço Pastoral dos Migrantes

O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) é uma Pastoral Social, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada em 1985, que promove os direitos humanos, sociais, econômicos, políticos e culturais dos migrantes e imigrantes e comunidades de origem, trânsito e destino.
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