Refugiados do Desenvolvimento

Segundo documento do Banco Mundial, 10 milhões de pessoas a cada ano são
forçadas a se deslocar (migrar?) pelos chamados grandes projetos de
desenvolvimento. Destes, 4 milhões seriam expulsas de suas terras e casas
para dar lugar aos lagos artificiais criados por grandes barragens. Outros 6
milhões seriam forçados aos deslocamentos compulsórios outros grandes
projetos – renovação urbana, rodovias, ferrovias, pólos industriais, etc.
(World Bank/Environment Department, Resettlement and Development: The
bankwide review os projects invonvling involuntary resettlement 1986-1993.
Washington, 1994).

Para o Banco Mundial, estes processos fazem parte da história natural do
capitalismo, já que “reassentamentos involuntários têm sido um companheiro
de viagem do desenvolvimento através da história e têm sido indelevelmente
inscritos na evolução tanto dos países industriais quanto dos países em
desenvolvimento”. Tal esforço de naturalização destes processos sociais não
é capaz de esconder o fato de que eses projetos estão, também
indelevelmente, inscritos nos processos de produção e reprodução da pobreza
e da desigualdade a que os deslocamentos compulsórios vêm, quase sempre,
associados.

É sobre estes processos e sobre os refugiados do desenvolvimento que geram,
seus trajetos, suas vidas e suas lutas, que será consagrado um número da
Revista Travessia – A Revsita do Migrante -, de cuja edição serei
responsável.

Prof. Dr. Carlos Bernardo Vainer – IPPUR/UFRJ

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Sobre SPM - Serviço Pastoral dos Migrantes

O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) é uma Pastoral Social, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada em 1985, que promove os direitos humanos, sociais, econômicos, políticos e culturais dos migrantes e imigrantes e comunidades de origem, trânsito e destino.
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