Manifesto em repúdio ao preconceito contra as mulheres brasileiras em Portugal

 

Manifesto em repúdio ao preconceito
contra as mulheres brasileiras em Portugal, em função do mais recente caso de estigmatização das brasileiras na comunicação social portuguesa, o programa  Café Central da RTP. Solicitamos o seu apoio!

Vimos por meio deste, manifestar
nosso repúdio ao preconceito contra as mulheres brasileiras em Portugal e
exigir que providências sejam tomadas por parte das autoridades competentes.Concretamente, apontamos a comunicação social portuguesa e a forma como, insistentemente, tem construído e reproduzido o estigma de hipersexualidade das mulheres brasileiras. Este estigma é
uma violência simbólica e transforma-se em violência física, psicológica,
moral e sexual. Diversos trabalhos de investigação, bem como o trabalho de
diversas organizações da sociedade civil, têm demonstrado como as mulheres  brasileiras são constantemente vítimas de diversos tipos de violência em Portugal.

O estigma da hipersexualidade remonta aos
imaginários coloniais que construíam as mulheres das colônias como objetos  sexuais, escravas sexuais, e marcadas por uma sexualidade exótica e bizarra.
Cita-se, por exemplo, a triste experiência da sul-africana Saartjie Baartman,
exposta na Europa, no século XIX, como símbolo de uma sexualidade anormal. Em Portugal, esses imaginários coloniais, infelizmente, ainda são reproduzidos pela comunicação social.

Teríamos muitos exemplos a citar, mas focaremos
no mais recente, o qual motivou um grupo de em torno de 140 mulheres e
homens, de diferentes nacionalidades, a mobilizarem-se, a partir das redes
sociais, para escrever este manifesto e conseguir apoio de diferentes
organizações da sociedade civil. Trata-se da personagem “Gina”, do Programa  de Animação “Café Central” da RTP (Rádio Televisão Portuguesa). A personagem  é a única mulher do programa, a qual, devido ao forte sotaque brasileiro,  quer representar a mulher brasileira imigrante em Portugal. A personagem é  retratada como prostituta e maníaca sexual, alvo dos personagens masculinos  do programa. Trata-se de um desrespeito às mulheres brasileiras, que pode ser  considerado racismo, pois inferioriza, essencializa e estigmatiza essas mulheres por supostas características fenotípicas, comportamentais e  culturais comuns. Trata-se de um desrespeito a todas as mulheres, pois
ironiza/escarnece sua sexualidade, sua possibilidade de exercer uma
sexualidade livre, o que pode ser considerado machismo e sexismo. Trata-se,  ainda, de um desrespeito às profissionais do sexo, pois ironiza o seu
trabalho, transformando-o em símbolo de deboche/piada/anedota, sendo que não  é um trabalho criminalizado em Portugal, portanto, é um direito exercê-lo  livre de estigmas. No anexo 1 desta carta estão: o vídeo de um dos episódios  (na versão on-line), e a transcrição de um dos episódios, bem como, a imagem  dos personagens (na versão impressa). Destacamos que o fato é agravado por se  tratar de uma emissora pública, a qual em hipótese alguma deveria difundir  valores que ferem o direito das mulheres e da dignidade humana.

Além deste caso que envolve a televisão, existem
muitos outros em revistas, jornais e publicidades, que exemplificam a
disseminação do estigma em vários meios de comunicação de massa e cujos
exemplos seguem em anexo. Seja qual for o meio de comunicação utilizado, é  constante a representação estereotipada da mulher brasileira como objeto
sexual, o que acaba por interferir na forma como as imigrantes brasileiras
são percebidas e tratadas dentro da sociedade portuguesa.

-Anexo 2: a capa da Revista Focos, edição
565/2010, a qual apresenta as mulheres brasileiras como sedutoras e as
representa com uma imagem cujo destaque é a bunda;

-Anexo 3: a reportagem do Diário de Notícias,
edição do dia 26/06/2011, sobre o movimento SlutWalk Lisboa, a qual
descontextualizou uma imagem, acabando por reforçar os estigmas contra a
mulher brasileira, fazendo exatamente o contrário do objetivo do movimento;

-Anexo 4: publicidade do Ginásio Holmes Place-
Health Club, atual, sobre uma modalidade de aulas intitulada “Made in
Brazil”, a qual é representada por uma imagem cujo destaque é a bunda;

-Anexo 5: publicidade da Agência de Viagens
Abreu, na Revista B de Brasil, edição inverno de 2001, cuja a imagem do
Brasil é uma mulher e a mensagem da publicidade é uma referência direta aos
descobrimentos e a disponibilidade, aos portugueses, do que havia e há no
Brasil.

-Anexo 6: episódio
do programa de humor “Mini-Malucos do Riso”, da SIC, no qual
afirmam que no Brasil só há prostitutas e futebolistas.

Exigimos, das autoridades competentes, que se
faça cumprir a “CEDAW – Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de  Discriminação Contra as Mulheres”, da qual tanto Portugal, como o Brasil, são  signatários. Destacamos, também, o “Memorando de Entendimento entre Brasil e  Portugal para a Promoção da Igualdade de Gênero”, no qual consta que estes  países estão “Resolvidos a conjugar esforços para avançar na  implementação das medidas necessárias para a eliminação da discriminação contra  a mulher em ambos os países”.

Grupo de Articulação do Manifesto:

https://www.facebook.com/groups/manifestobrasileiras/

Contatos: manifestobrasileiras@gmail.com

Organizações e Movimentos Sociais que apoiam e subscrevem o Manifesto:

Associação ComuniDária – comunidade solidária à
pessoa imigrante, sensível às questões de género e com iniciativas
diversificadas de integração.

Observatório das Representações de Género nos
Média, UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta.

Movimento SlutWalk Lisboa.

Coordenação Portuguesa da Marcha Mundial de
Mulheres.

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Sobre SPM - Serviço Pastoral dos Migrantes

O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) é uma Pastoral Social, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada em 1985, que promove os direitos humanos, sociais, econômicos, políticos e culturais dos migrantes e imigrantes e comunidades de origem, trânsito e destino.
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Uma resposta a Manifesto em repúdio ao preconceito contra as mulheres brasileiras em Portugal

  1. Ana diz:

    Prezados,
    Hoje fazem 2 anos que voltei ao Brasil, deixando em Portugal uma tese e artigos todos escritos e até hoje não sei a data de minha defesa.

    O pior já passou. Mas a falta de respeito por um aluno do outro lado do oceano, isso não passa… Retornei 2 vezes a Portugal para tentar finalizar a correção e eles mal tinham tempo para mim. Esses são os profissionais que o Brasil ainda fazem acordos internacionais.

    A minha força vem em saber que Deus nunca nos deixa desamparados. E acho que a vida muitas vezes quer nos dar uma lição. Eu deixei minhas amizades de lado por causa de tese e trabalhos aos finais-de-semana, nunca tinha tempo para ninguém, e o que foi que eu ganhei com isto? Acho que a vida quis me dar uma boa sacudida. Diploma não traz felicidade e não nos faz melhor como pessoas, mas talvez o que estou passando sirva para minha evolução aqui na terra, para mudar o foco de importância que estou dando às coisas.

    Eu não pretendo morar fora do Brasil nunca mais. E a tese vai ter que se resolver mais cedo ou mais tarde. Já perdi vários concursos, inclusive na minha área. Eu considerava a vaga da minha vida. Mas nossas vidas estão nas mãos de Deus e ELE tem o melhor reservado para nós, tenham certeza!

    PENSEM BEM SE DESEJAREM IR VIVER LÁ. CASO QUEIRAM, FORÇA E SAIBAM O QUE VEM PELA FRENTE.

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