SP: usineiros incentivam crack para cortadores trabalharem 14 h

20 de setembro de 2011 15h10 atualizado às 15h43
Portal Terra

Ricardo F. Santos
Direto de São Paulo

Em algumas plantações de cana-de-açúcar no interior do Estado de São Paulo,
existem alguns funcionários que, sonho de qualquer usineiro, conseguem trabalhar
cerca de 14 horas por dia sem interrupção. O segredo da produtividade é pequeno,
barato e cada vez mais fácil de conseguir: o crack. As consequências para o
‘superfuncionário’, porém, são conhecidas: após poucos anos, uma saúde devastada
e, não raro, a morte.

Esse é um dos usos crescentes da droga que mais surpreenderam a Frente
Parlamentar de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, da Assembleia Legislativa
de São Paulo. A comissão, formada por 29 parlamentares, fez um levantamento
inédito sobre a proliferação do entorpecente no Estado, e o apresentou nesta
terça-feira.

Segundo o deputado estadual Donisete Braga (PT), as regiões onde a prática é
mais comum são Ribeirão Preto, Vale do Ribeira, Pontal, São José do Rio Preto e
Alta Paulista, onde há forte indústria sucroalcooleira. “Os funcionários fazem
uso da droga para agregar valor físico e aumentar a produção”, explicou,
acrescentando que, em geral, os trabalhadores são pagos pela produtividade.
“Após quatro ou cinco anos, são afastados, demitidos.” Como a maioria não possui
vínculo formal de trabalho, os trabalhadores nada recebem depois da prestação do
serviço, e resta-lhes apenas a saúde debilitada pelo crack.

“Há uma liberação do consumo de crack por parte das usinas”, afirmou Braga.
“Essa prática acontece com plena conivência dos empresários e das autoridades”,
completou o deputado Major Olímpio (PDT-SP).

As informações compiladas pelo levantamento, afirmou Braga, são o primeiro
passo para acabar com essa situação. Segundo o parlamentar, a partir delas será
possível fiscalizar e acompanhar o uso da droga no Estado, e definir ações de
erradicação. A pesquisa feita pela Assembleia abordou políticas públicas,
investimentos e programasde combate a drogas, e foi respondida por 325 dos 645
municípios do Estado, que concentram 76% da população.

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Sobre SPM - Serviço Pastoral dos Migrantes

O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) é uma Pastoral Social, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada em 1985, que promove os direitos humanos, sociais, econômicos, políticos e culturais dos migrantes e imigrantes e comunidades de origem, trânsito e destino.
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2 respostas a SP: usineiros incentivam crack para cortadores trabalharem 14 h

  1. Valéria Santos diz:

    A matéria acima denúncia a exploração do homem pelos meios de produção, em especial o do trabalho rural, que persiste entre nós como mácula social de ranço colonial. O capital, seus agentes e os meios de produção que o geram encontram caminhos tortuosos de adaptação, sobrevivência, transformação e crescimento. Essa parte da teia produtiva tem como alavanca, o uso inumano do trabalhador, que, contemporaneamente vivencia o trabalho análogo a escravidão.
    Questionamentos vêm à tona e pressupõem reflexões: A promoção do bem estar social ao trabalhador (direitos fundamentais sociais), pelas próprias dinâmicas capitalistas de mercado e produção não poderiam ser revertidas, ao empregador, como uma maior produtividade? Qual a dimensão dos direitos do trabalhador que nunca pode ser atendida pelos donos desse capital produtivo? O que se descortina como uma possibilidade de entendimento dessas continuidades é que depois da escravidão, e da chegada do trabalho assalariado a liberdade sem reservas não foi dada, muito embora seja um direito inato.

  2. Vera Lúcia Costa Acioli diz:

    Como trabalhamos na Universidade Federal de Pernambuco em pesquisas com Processos Trabalhistas do Tribunal de Justiça da 6ª Região, o assunto é de nosso interesse por vermos a perpetuação, no trabalho rural, de um sistema que, se antes de 1888 era escravagista, hoje é análogo à escravidão, com trabalho degradante que demonstra a exploração do homem pelo homem.

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