Comunidades marcam presença na Sé (São Paulo) no Dia Nacional do Migrante

Começamos a nos reunir no Páteo do Colégio, na manhã do domingo, dia 19 de junho/2011. Migrantes e Imigrantes, com faixas, bandeiras, roupas típicas de seus países de origem, encontrando amigos de caminhada, parentes e conhecidos.

Neste Dia do Migrante, nos unimos à mobilização nacional da Igreja do Brasil, com caminhadas, celebrações, debates, festas, que compõem a Semana do Migrante, cujo lema deste ano foi: “Migrações e Mudanças Climáticas: o que temos a ver com isso?”. Então saímos em caminhada pela Praça da Sé, lugar de circulação permanente de migrantes, trabalhadores e moradores de rua.

Durante a caminhada, cantamos “Nossos direitos vem. Se não vem nossos direitos, o Brasil perde também”; “Oi leva eu, povo migrante, que eu também quero ir, povo migrante”; “Fé em Deus e pé na táboa, não podemos desistir”.

Chegamos até as escadarias da Catedral, bolivianos, paraguaios, chilenos, peruanos, nordestinos, mineiros, haitianos, entre outros. Gente do CAMI, Centro de Apoio ao (I)Migrante, do Centro Pastoral do Migrante, das associações de imigrante, dos grupos de nordestinos (canudenses, carinhanhenses, guajeruenses, piauienses, mineiros, gaúchos, entre outros.).

Todos com seus cartazes virados de frente para a praça, provocando a curiosidade das pessoas que transitavam por ali. Era o Dia do Migrante. Dia de luta e festa. Com o microfone aberto foram feitas inúmeras denúncias: as mortes dos cortadores de cana por excesso de trabalho, a burocracia que está impedindo a realização da anistia aos imigrantes indocumentados, o trabalho escravo e análogo a que trabalhadores e trabalhadoras são submetidos, o preconceito, a falta de moradia, etc.

Novamente foi dado o grito pelo direito ao voto do imigrante, tão limitado em seu direito humano. Mas, sobretudo, emergiu a força dos migrantes e imigrantes que hoje se organizam em comunidades, associações, rádios comunitárias e fazem um belíssimo trabalho de conscientização em seu meio viabilizando que as pessoas migrantes não querem que outros falem por si, mas querem ser protagonistas na história. Participar e ter voz e vez na sociedade brasileira.

Depois seguimos para a celebração na Catedral da Sé. Uma grande procissão entrou pelo corredor central, com a fé na cidadania plena dos filhos e filhas de Deus. Esta fé que nos incita a lutar por nossos direitos e a ser solidários com os demais. Subimos a escadaria do altar com nossos cartazes e reivindicações, ao lado do bispo emérito Dom Angélico Bernadino que, emocionado, nos acolheu.

A missa foi cheia de símbolos, que lembrou o compromisso com a defesa do planeta terra e com os migrantes climáticos que já são milhões. Foi lindo ver os paraguaios levando o globo, no momento do Glória; as crianças da periferia, bairro Terezinha, levando a Bíblia; as leituras em várias línguas e uma grande procissão de ofertório, com comidas típicas, como a farofa, o pão de queijo, o pão caseiro – alimentos que foram partilhados no final da missa.

Dom Angélico falou diretamente ao coração das pessoas ali presentes. Agradeceu a todos e todas militantes da pastoral dos migrantes e falou da Trindade Santa, a melhor comunidade, cuja comemoração felizmente coincidiu com o Dia do Migrante.

Houve também uma procissão com as santas e santos de devoção popular em todo o Continente Latino americano. Ao receber a procissão com as Nossas Senhoras de cada país, como a mãe que visita seus filhos fora do país, rezou-se uma Ave-Maria. Em seguida, Dom Angélico chamou ao altar as mulheres bolivianas com seus trajes típicos. Juntos foram os chilenos, peruanos, paraguaios, nordestinos, mineiros.

Neste momento todas as pessoas se sentiam em casa, para além das fronteiras que nos dividem, para além dos muros que se erguem.

Ao sair da Catedral, várias danças, com grupos da coletividade boliviana, inundaram a Praça da Sé com cores, ritmos e alegrias. O povo parou para assistir à festa do Migrante e Imigrante. A Praça da Sé, que guarda histórias de tantas lutas contra a ditadura, pelas Diretas, lutas dos trabalhadores, segue sendo lugar de referência dos povos migrantes e imigrantes que querem justiça e vida digna.

Fonte: equipe de São Paulo do SPM, 21/06/2011.

Anúncios

Sobre SPM - Serviço Pastoral dos Migrantes

O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) é uma Pastoral Social, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada em 1985, que promove os direitos humanos, sociais, econômicos, políticos e culturais dos migrantes e imigrantes e comunidades de origem, trânsito e destino.
Esta entrada foi publicada em Dia do Migrante, Semana do Migrante, Semana do Migrante 2011, Setores do SPM com as etiquetas , , , . ligação permanente.

Uma resposta a Comunidades marcam presença na Sé (São Paulo) no Dia Nacional do Migrante

  1. miguel angel diz:

    a caminhada dos migrantes, marca uma profunda reflexão,no sentido da vida , da celebração da vida, de um mundo sem fronteiras e de uma cidadania universal.
    Parabéns ao SPM, pelo trabalho de integração dos migrantes
    miguel ahumada
    abz
    http://www.miguelimigrante.blogspot.com

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s