Europa constrói muros para barrar imigrantes

Grécia e Turquia seguem tendência de países europeus que aumentam controle de mares e fronteiras ao anunciar muro para separar territórios

Gilles Lapouge – O Estado de S.Paulo

Os pedreiros têm um belo futuro pela frente. Sobretudo os especializados na construção de muros. Desde a queda do Muro de Berlim e o início da globalização, os muros proliferam. O próximo será erigido na Trácia, na fronteira entre a Turquia e a Grécia. Este muro será alto (3 metros), mas não muito longo. Ele vai separar os dois países ao longo de 12,5 quilômetros, ou seja, apenas no trecho da fronteira que está livre de outros obstáculos.

Foi o ministro grego da Proteção do Cidadão, Christian Papoutsis, que deu a notícia. É fácil compreender a preocupação de Atenas: com a França, Itália e Espanha aumentando o controle dos seus mares e dos seus “limites” com a África, os imigrantes asiáticos e africanos penetram na União Europeia pela última passagem utilizável: os 12,5 quilômetros que formam a barreira entre a Turquia e a Grécia. Em 2010, 90% desses migrantes entraram na Europa por esse caminho, ou seja, 180.000 pessoas.

A União Europeia protestou. O bloco é contra os muros porque esses grandes complexos confederados, como também a globalização, baseiam-se na filosofia de um mundo fluído, aberto, sem fronteiras.

Só que a realidade não obedece à filosofia. Jamais se construiu tantos muros no mundo. A lista é longa. Temos o longo muro entre EUA e México. A África do Sul, depois da sua independência, erigiu um labirinto de pequenos muros no seu interior, nos bairros perigosos, e também um outro grande que a protege do Zimbábue. A Arábia Saudita também já construiu inúmeros paredões de cimento na sua fronteira com o Iêmen. A Índia é especializada em muros, construídos nas suas fronteiras com o Paquistão, Bangladesh e Mianmar.

Impossível enumerar todos: alguns começam a surgir entre Irã e Paquistão. A China erigiu um na sua fronteira com a Coreia do Norte. E há projetos de outros muros, como um a ser construído por Israel na sua fronteira com o Egito.

Essa é a época afetuosa da globalização. Entramos na “era da pós-cerca de arame farpado”, ou seja, “a era do muro”. E não acreditamos que essa apoteose de muros pode ser explicada pelo desaparecimento das fronteiras. Nos discursos, o mundo global que se fabrica nos últimos anos veria a diminuição e a dissolução das fronteiras.

Infelizmente, a realidade é rebelde. Hoje, entre os 93 Estados do mundo há 200.448 quilômetros de fronteiras, o que representa meio milhão de quilômetros a administrar. Mas, enfim, depois do fim da União Soviética, da derrubada do Muro de Berlim, da globalização, da fraternidade universal, as fronteiras diminuíram? Falso: a partir de 1990, o mundo traçou 27.000 quilômetros de fronteiras inéditas, novas, desconhecidas até então, principalmente na Europa e na Eurásia. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Fonte: O Estado de S. Paulo, 09/01/2011.

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Sobre SPM - Serviço Pastoral dos Migrantes

O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) é uma Pastoral Social, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada em 1985, que promove os direitos humanos, sociais, econômicos, políticos e culturais dos migrantes e imigrantes e comunidades de origem, trânsito e destino.
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