15ª Romaria do Migrante na Paraíba – Povo unido, gente forte, lutando por seus direitos!


Foto: Darcy Lima/SPM

Outra vez, como acontece há 15 anos, era ainda madrugada quando famílias inteiras deixaram suas casas, nas comunidades rurais do agreste da Paraíba ou nas sedes das cidades, e se dirigiram à cidade de Fagundes-PB, para participarem da Romaria do Migrante, na alegria do reencontro, na celebração da fé.

Esse rosto sofrido do povo do semiárido paraibano fez crescer o significado desta iniciativa, que é sempre “formação na luta para a luta”, como diz Paulo Suess. A luta hoje é por todas as causas que visam um mundo sem exclusão. A luta não é o objetivo. O objetivo é a vida dos migrantes num mundo que é de todos. Lutamos porque os poderosos construíram um muro entre uma parte da humanidade e as outras, entre incluídos e excluídos. Exclusão significa negação das condições para uma existência humana com dignidade.
Nessa toada, na manhã de domingo do dia 14 de novembro de 2010, a 15ª Romaria do Migrante traduziu a reivindicação desta condição mais justa pelo que ainda não chegou e a festividade pelo dia do reencontro e por tudo o que já foi alcançado. Denunciamos as condições ainda existentes que negam direitos mais elementares, como o acesso à terra para plantar, colher e comer, como o direito à água que ameniza a sede, mata a morte e permite a vida, denunciamos a falta de acesso às políticas públicas, especialmente nos municípios mais afastados dos grandes centros e denunciamos também a continuidade da exploração aos migrantes temporários que ainda arriscam a própria pele na colheita da cana-de-açúcar, submetidos a condições análogas à escravidão. Além disso, anunciamos as iniciativas exitosas já em curso, de garantia de direitos, a exemplo da educação ambiental, do fortalecimento da agricultura familiar camponesa e da convivência com o semiárido, subvertendo a velha ordem coronelista, garantindo que políticas públicas sejam de fato públicas e beneficiem os mais empobrecidos.

Foto: Darcy Lima/SPM

No calor do sol, no esforço rumo à Pedra de Santo Antônio, a caminhada se fez prece ao Deus do Caminho, pelos migrantes que precisam de ajuda no seu caminhar, para fazer antecipar já aqui o Reino, para garantir o cumprimento das promessas, para salvaguardar o direito a ter direito : “Senhor do Caminho, caminhe conosco”, respondeu todo povo.

Dessa forma, a Romaria do Migrante, deixou seu recado, de motivação para as pessoas, por expressar a garantia de direitos, contribuindo na mobilização social para a participação nos diferentes processos em curso nas comunidades, municípios e territórios, pois quanto mais participação, mais direitos garantidos.
Serviço Pastoral dos Migrantes do Nordeste.

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Sobre SPM - Serviço Pastoral dos Migrantes

O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) é uma Pastoral Social, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fundada em 1985, que promove os direitos humanos, sociais, econômicos, políticos e culturais dos migrantes e imigrantes e comunidades de origem, trânsito e destino.
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